terça-feira, 9 de junho de 2015

The beginning.


Dizem que escrever é como lavar a alma, esvaziar os sentimentos. Eu duvido. Há tanta fúria, tanto medo, tantos tantos dentro deste que escreve, que talvez escrever seja apenas mais uma das morfinas que se encontra por aí. Nem sempre foi assim, houve paz uma vez nessa mente perturbada, quando a maior preocupação que se tinha, era achar pedaços de madeira para fazer bastões de bets, e roubar tijolos das construções para fazer as casinhas. Foi nesse tempo, que a nébula começou, uma série de escolhas erradas, o tal do efeito cascata, me tragou pra dentro do lugar que eu tento sair, todos os dias. Pequenos detalhes, que não receberam a devida atenção, transformaram-se em monstros, que se alimentam dentro da minha cabeça, como vermes dentro de um cadáver em putrefação. Chamam isso de ideias,  eu chamo de parasitas. Uma vez que uma ideia entra na sua cabeça, não há como tira-la de lá, não há como arrancar um pensamento como se arranca um tumor, não há como “desver” aquilo que foi visto, ou suprimir aquilo que se sente.

Texto de Rafael Szpaki.

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