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domingo, 25 de dezembro de 2011

Faça.


Me pare a meio caminho de casa e me chama pra sair. Não me deixa pensar, se não posso não ir. Me leva pra qualquer lugar, e se eu perguntar para onde vamos diz que é surpresa. Me conte como foi seu dia nos mínimos detalhes, faça piada das coisas ruins, e diz que a vida é boa e temos sorte, apenas temos sorte. Me faça sorrir, enquanto faz careta provando a batata frita com sorvete que eu te jurei que era gostoso. Olha pro céu comigo em silêncio, e sem perceber estaremos de mãos dadas, parados, no meio de algum lugar prestando atenção em algo que não sabemos o que é. Me olhe nos olhos e me prove que sei amar, então me dê um beijo doce, e dance comigo sob um teto de estrelas até meus pés não me suportarem mais, até eu acreditar que é verdade.

(via d-i-s-t-a-n-c-e)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Este quarto.



Este quarto de enfermo, tão deserto
de tudo, pois nem livros eu já leio
e a própria vida eu a deixei no meio
como um romance que ficasse aberto...

que me importa este quarto, em que desperto
como se despertasse em quarto alheio?
Eu olho é o céu! imensamente perto,
o céu que me descansa como um seio.

Pois só o céu é que está perto, sim,
tão perto e tão amigo que parece
um grande olhar azul pousando em mim.

A morte deveria ser assim:
Um céu que pouco a pouco anoitecesse
e a gente nem soubesse que era o fim.


Mário Quintana.

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