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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Obrigada!



 Pensei estar sendo esperta ao te dar meu coração. Foi a primeira vez que resolvi confiar, apostar, me doar. Desde o primeiro beijo (e antes mesmo dele) nos imaginei num futuro distante e bonito. Pude me ver sorridente ao teu lado daqui vinte anos. Te vi explicando nossas fotos e nossa história a todos que se mostrassem interessados.
 Mas não. Não poderia ser tão fácil. Como má amante que sou, errei. Apesar de consciente, não enxergava que tinha algo tão bom ao meu lado. Chorei. Por nada. Menti. Não soube agir. Foi amor demais pra mim, e não tinha noção de como recebê-lo. E então, o rosto sempre risonho e a alma pura que você conheceu se transformaram em um olhar vazio e um punhado de lágrimas sem motivo. Não te culpo por desistir. Não era mais a pessoa por quem você se apaixonou, e devia ter te dado aviso prévio que seria assim. Me torno outra enquanto amo. Alguém que não gosto, e você também pareceu não gostar.
 Então, obrigada por me fazer voltar ao normal, a ser novamente o sorriso e não o mar. Você me machucou por um momento e sei que a cicatriz será eterna, mas foi uma daquelas dores que vêm para o bem. Não sei se seu sacrifício foi verdadeiro, mas me fiz acreditar que sim. Te faz mais bonito e sincero aos meus olhos pensar assim. E pensar que agora no lugar do futuro que imaginei há um buraco escuro (ou uma luz extremamente clara que não me permite enxergar nada) ainda me fere um pouco, mas me consola saber que esse futuro, mesmo que ficassemos juntos pra sempre, nunca existiria. 
 E se tudo tiver dado errado por falta de preparo em relação a sentimentos ou imaturidade minha, ambos sabemos que uma hora passa, e então estarei pronta para amar o quanto meu coração quiser. Encontrarei a pessoa certa, seja ela quem for, e cuidarei dela como manda o figurino (não que o amor tenha de fato um figurino). Não reclamaria se essa pessoa fosse você. 

domingo, 20 de novembro de 2011

Viver morrendo

 Só queria dormir. Por dois anos ou até por trinta, talvez. Até criar sua voz na minha cabeça. Até decorar os teus passos no chão e descobrir todas as tuas manias que você esconde. Até encontrar um jeito de me tornar imune ao teu sorriso, que agora me ilumina por inteiro. Até não reparar na sua barbinha no queixo. E até não rir com isso. Até conseguir ficar longe de você sem que me sinta completamente vazia. Até não me lembrar mais do seu jeito. Até esquecer que você se dizia sozinho, mesmo quando eu estava por perto. Até dar um jeito de me completar sem a tua presença, mas, ainda assim, viver da tua voz que não conheço e da tua luz que me manteria sempre inteira e intacta. Até te conhecer de verdade. Até aprender que você não sente minha falta como eu sinto a sua. Até dar um jeito de deixar de amar você. É. Vou precisar de trinta anos, mesmo. Até o nosso amor deixar de cinza e virar azul, por mais estranho que isso pareça. Até você deixar de ser anjo, e virar lembrança. Até o seu sorriso não fazer mais efeito e a lágrima não mais doer. Até tudo acabar. Talvez até morrer.

Letícia Loureiro

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