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domingo, 21 de julho de 2013

Carta pra quem devia estar aqui


 Não sei pedir desculpas, mas sei demonstrar saudade. Saudade de quando você passava as mãos com calma na minha barriga e eu fingia não estar arrepiada. Saudade de observar cada centímetro seu e me perguntar um sem-fim de vezes porque é que eu gostava tanto de alguém com um monte de desenho idiota tatuado pelo corpo. Eu sempre soube que nada ali estava certo, entre nós, mas a calma nos seus olhos dava sentido pra tudo que não devia fazer.
 Lembro do fim. Do que devia ser o fim mas agora me parece vírgula mal colocada. Queria que tivesse sido pessoalmente, assim eu poderia saber como são seus olhos calmos na hora do adeus. Mas digitamos, e cada tecla apertada me trazia uma lágrima. Você não sabe disso e acho que nunca fez questão, mas ainda assim tenho saudade. Sei que errei porque ainda não vejo um ponto final. Talvez ele esteja nessa carta.  Mas um ponto não apagará de mim aquela sensação boa que até agora não senti com mais ninguém, a de ser sua ao acordar em seu peito quente, no meio da bagunça do quarto, esperando não precisar sair nunca dali.
 Me desculpe por não ter nos dado uma chance, mesmo que você nunca tenha pedido por ela.

domingo, 26 de maio de 2013

Longe é o lugar onde podemos viver de verdade


 Eu tô te esperando aqui, em frente ao computador, do ladinho da cama onde quero passar noites infinitas com você. Mentira. Nessa cama, só quero passar uma noite contigo. Depois vamos pro mundo, pro além. Conheceremos cada cantinho do nosso país primeiro, perguntaremos a cada sem-teto deitado na calçada se ele precisa de um pão ou de um abraço. Levaremos todos aqueles cachorros de olhos grandes conosco por onde formos. A cada cidade, mais cinco. Quando eles forem muitos, podemos arrumar uma fazenda gigante e uma pessoa com um coração maior que o nosso pra cuidar deles lá. Depois iremos pra Europa, pro Oriente e pra Marte também. Passaremos por hotéis com piso de mármore, onde dançarei toda coberta de espuma naquelas banheiras gigantes e pularemos juntos sobre o colchão de molas. Também ficaremos em albergues sujos cheio de gente criativa e divertida. Iremos à festas onde as pessoas só se divertem com drogas e nos sentiremos as duas pessoas mais incríveis do mundo por ficarmos tão loucos quanto eles só de olharmos um nos olhos do outro. Porque seremos química. Seremos amor em êxtase. Dançaremos tanto! 
 Assistiremos filmes românticos pra eu fazer cara de nojo fingindo que não quero entrar num daqueles roteiros com você, e filmes que nos farão passar a noite discutindo questões filosóficas. Sempre discordaremos, e sempre acabaremos unindo nossos corpos nus no final, esquecendo de toda a discussão. Você me dará flores já murchas que roubou em um jardim bonito enquanto andava pela cidade. Eu sempre tentarei ressuscitá-las e você sempre rirá da minha ilusão ignorante. Trocaremos versos de Cecília Meireles antes do boa noite. 
 Viveremos aqui, ali, em todo lugar. Juntos, mesmo que distantes. Tô te esperando, e mesmo que não venha, já estamos conectados enquanto eu sonho com você e você sonha comigo. Mesmo que não saibamos quem somos. Estamos juntos, agora. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Você já ouviu falar em Kony?


O Youtube fez uma retrospectiva dos vídeos mais vistos do ano e foi aí que eu descobri esse movimento. Assisti ao vídeo de quase trinta minutos e em pelo menos quinze desses trinta eu tava chorando sem parar. Me emocionei muito com as imagens, fiquei indignada com a situação abordada no vídeo, me senti motivada e quis me teletransportar pros EUA pra poder ajudar de todas as maneiras que eu pudesse a erguer esse projeto. Daí, ainda assistindo, desanimei: foi postado há muitos meses atrás, as datas dos encontros em prol do projeto já passaram e minha compaixão estava era muito atrasada. Aí fiquei curiosa: no que será que deu? Se você não está entendendo nada do que eu tô falando, assiste o vídeo a seguir (sério, coragem, você não vai se arrepender):


Entrei no site e depois de quebrar a cuca (o layout é impossível) entendi que houve uma grande manifestação com uma festa no fim pra fazer com que os grandes políticos apoiassem o projeto, em Washington DC, ao redor da casa branca. Em novembro. Bleh, mais uma vez tarde demais. Procurei vídeos da manifestação no Youtube, vi que foi um sucesso (em termos de público) e a festa parece ter sido muito legal. Mas e o Kony? Não sei. Daí dei uma pesquisada no Google e apareceram muitos posts em sites pequenos com teorias que diziam que Kony (o projeto, não o terrorista) era uma farsa, ou que o vídeo tinha fortes truques de manipulação (isso aí é óbvio, já que são táticas de marketing que acabam sendo o único jeito de mover as pessoas a entrar num movimento), ou que Jason Russel (o fundador) era cristão e anti-gay e pretendia converter as pessoas pro cristianismo, blá blá blá. Fiquei muitíssimo desapontada.
 O que eu quero dizer aqui é que: não sei se é uma farsa, não sei se Kony já foi capturado (me parece que ele fugiu de Uganda e está desenvolvendo práticas cada vez mais elaboradas pra fugir da polícia), sei que não são todos os problemas do mundo que serão resolvidos se esse movimento der certo e esse grupo de terroristas específicos for capturado, mas sei que a gente tem que sonhar. A gente tá vivo pra isso, sonhar, ir atrás dos nossos sonhos e encontrar a felicidade em cada passo que damos em busca dele. Essa confusão toda só me levou a me perguntar: qual é o problema das pessoas em acreditar que alguém REALMENTE quer fazer o bem? Em sonhar com um mundo melhor? Em sonhar que existe gente que não seja egoísta e medíocre como elas? Por que sempre tem que ter algum espertinho "de olhos abertos" com uma teoria que prova que todo mundo tá sendo enganado e manipulado e ele tá certo?
 Eu sinceramente não acho que pessoas tão importantes e com uma boa reputação a manter (como grandes artistas e políticos, inclusive Barack Obama) fossem se envolver em uma farsa por dinheiro ou pra disseminar suas crenças pelo mundo. Aliás, se for esse tipo de crença que eles querem disseminar, eu estou orgulhosa de me permitir ser manipulada. Antes uma sonhadora cega que um amargurado neurótico e pessimista. Eu quero sim acreditar em um mundo melhor e em outras pessoas que queiram o mesmo, assim como ajudar como eu puder. Pra mim, isso é só mais uma demonstração de como sempre vai ter alguém pra tentar te fazer desistir dos seus sonhos. Sabe aquele papo de "quando a esmola é demais o santo desconfia"? Sinceramente, eu acredito que se seu coração te disser pra seguir, não tem que desconfiar não. Se você for enganado, foi. Se se decepcionar, fazer o que? Mas nada supera o sentimento bom de estar fazendo algo bom em prol de outras pessoas. Você saber que fez sua parte já é mais que o suficiente.
 Ufa! Quando começo a falar de assuntos polêmicos não paro mais. Mas e então, qual é a opinião de vocês? Quero muito saber, de verdade. Comentem!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Desista, veja as estrelas.



Sua cabeça pesava por tanto sonhar. Imersa em um mundo onde seu coração era o dono da verdade, perdia sempre a hora, o ponto em que devia descer, a matéria da aula que assistia, o segredo que lhe era contado no ouvido, a oportunidade. Seu universo idealizado era tão incrível que o mesmo supria todas suas necessidades, consolava-a a cada desgosto, enchia-a de esperança a cada lágrima que perigasse cair, fazendo com que ela não precisasse viver o que o mundo ao seu redor lhe oferecia. Pouco. Pra quem se fez em sonhos, não há realidade que realize. 
 Olhando pra dentro de si, via seus olhos como estrelas e sua boca a cuspir margaridas. Mal sabia como era por fora, não precisava.
 Cresceu e, aos poucos, foi tirada de seu mundo e jogada na rua, em meios a outros sonhos despedaçados. Não sabia como viver, mas viveu. Mesmo que no automático. Uma sessão de choro por noite, por motivos variados: não saber lidar, não saber amar, não saber reagir, disfarçar, roubar, enganar, sorrir...sonhar. Não sabia mais fazer nem o que passou anos se especializando. 
 Até que um dia, exausta do universo onde era leiga de tudo, desistiu dele. Já era a quarta vez no mês que seu chefe a chamava pra discutir seus erros. Ela não havia nascido pra aquele mundo. Subiu ao terraço do prédio em que trabalhava e caminhou lentamente até o muro. Ali, à beira do abismo, resolveu olhar pra cima. Há quanto tempo Laura não fazia aquilo? Costume de quem não tem mais o que fazer. O céu é mesmo pra poucos. É pros que respiram. Pros que param, pausam, desistem de vez em quando. O céu é pros que desistem. Ela era uma desistente. Quando sonhava e viajava entre as estrelas (as mesmas que estavam acesas no céu aquela noite), há muitos anos atrás, não sabia, mas estava fugindo e desistindo do que chamamos de "real". Tanto faz. Ela só queria aquela sensação de novo. Afinal, o que a fazia feliz era não viver. 

Adeus, realidade. [...] Boa noite, estrelas! Voltei. Serei sua pra sempre. 

E um clarão (provavelmente efeito da aproximação de tantos corpos celestes) invadiu sua alma, seu coração. Sua felicidade só era real no mundo em que imaginava.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Cartas não-enviadas



Estou te mandando essa carta porque não sei de que outra maneira dizer que está ficando cada vez mais difícil. Mais alguns meses se passaram e você ainda não percebeu que te amo mais do que deveria. Você ama outros, eu amo você. Você chora querendo estar em outros braços enquanto eu te abraço, querendo chorar por mim e por nós dois.
 Querido, como eu gostaria que você entendesse! Meus braços são seus, meus olhos são seus, meu cabelo só quer seu carinho e, ahhh, meu coração...meu coração está em suas mãos. Olhe pro lado, amor! Pense em cada palavra que sai da minha boca. Nenhuma é solta sem ser muito bem pensada antes. São pra você, assim como tudo que tenho. 
 Como me dói saber que teu coração é tão efêmero! Acompanho seus amores, suas lágrimas, esquento suas mãos quando sente sua alma congelada em meio às ondas do oceano. Apesar disso, seu coração é sempre tão quente! Sempre inquieto, sempre procurando alguém por quem bater. Amas tanto! Você é todo amor. Não é racional, não é ingênuo, inocente...é amor. Me ama, sim, me ama, mas não como amo a ti. E isso, quem sabe, é pior que ódio. 
 Mas vou te esperar até que cada parte do meu corpo e de minha alma peça que eu desista. Vou te esperar. Todos vão passar e eu, amor, estarei deitada em nosso colchão te esperando pra que possamos dar as mãos, pintarmo-nos de glitter e falar sobre o amor e as estrelas. E não mais sobre eles ou elas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sobre coisas que me emocionam


  Hoje a vida acordou pra me fazer pensar no que me emociona. De maneira boa ou ruim.
  Redes sociais me emocionam de maneira ruim. É o que mais me envergonho por sentir: desequilíbrio emocional em redes sociais. Isso acontece porque é onde as pessoas falam o que ninguém faz questão de ouvir (ou finge que não faz) e, exatamente por isso, vem lá de dentro delas. Mesmo que finjam ser algo que não são, isso ainda assim diz algo sobre o que elas realmente são. Essa sensação de saber mais do que devo das pessoas me faz mal, ainda que eu também me exponha em demasia nessas redes. Em suma, fico triste ao ligar o computador, mas não consigo evitá-lo. 
 Também fico à beira-mar quando ouço comentários muito sinceros (não gosto de pessoas sinceras, não gosto de pessoas abertas em excesso, não gosto da verdade nua e crua, tenho minhas tendências kitsch) e quando faz frio. 
 Mas há muito mais coisas que me fazem bem! Há os filmes, as risadas exageradas, os livros, as melodias, a comida e as paisagens bonitas. Mas há uma sensação que é, no fim, o objetivo da minha existência, e me toca, me eleva, me ensurdece e me isola do resto do mundo (e ao mesmo tempo faz com que eu me sinta uma parte essencial dele), que é sentir minha alma livre. Sentir o fluído do êxtase correndo por meu corpo, e, ao mesmo tempo, me sentir fora de meu corpo. E pra que isso aconteça, há formulas simples e muito belas: gosto de me sentar no chão, em qualquer lugar que seja, ouvir uma melodia que me embale por inteiro, mexer os braços de maneira descoordenada, esticar e relaxar os dedos dos pés, balançar a cabeça no ritmo da música, brincar com meus cabelos, abrir os olhos e observar o que há de bonito e admirável ao meu redor e depois fechá-los e procurar o bonito dentro de mim mesma. Não há nada, nada que me emocione mais que isso. Às vezes se torna ainda melhor: quando compro purpurina e jogo, enquanto balanço os braços, ela aos céus e vejo (juro que vejo!) fadinhas reluzindo à medida que o sol bate nos grãos de glitter. É também mais bonito quando há passarinhos cantando ou vento assobiando em harmonia com a música que ouço. Ou quando abro os olhos e o que vejo são folhas, borboletas, flores e luzes coloridas. 
 E é assim que me faço feliz quando necessário. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pura!



Felicidade.
  Finalmente. Finalmente posso sentir, quem sabe pela primeira vez (de maneira consciente) essa sensação que todo mundo escreve sobre. É maravilhosa! Ninguém havia me dito quão bom é sentir a alma pura, leve, vazia e ao mesmo tempo cheia de tudo que há de positivo nesse mundo e nos outros tantos. A vida, antes tão escura e pesada, agora se mostra sorridente enquanto me abraça e me aninha. 
 O vento não é mais incômodo, as centenas de pessoas ao meu redor só fazem me trazer energia, o sol me beija a testa e a geada me faz sentir cada parte de meu corpo em funcionamento. As cores são mais fortes, as orações mais poéticas (sejam quais sejam) e as sensações vêm num alvoroço de quem nunca passou por aqui. 
 Ó alma, pecado meu demorar tanto para conhecer toda tua vastidão, teu poder, tua profundidade! Tu, minha querida, és única e simplesmente a responsável por tudo que se passa entre todos os seres e as coisas. Quero te explorar, mergulhar, me perder mais para mais vezes me encontrar nesse êxtase absoluto que é achar o caminho certo. Ó, minha alma, acabo de descobrir que, afinal, meu grande amor e razão de viver (bem) és tu.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Minha casa é entre as páginas


Hoje me surgiu a ideia de falar sobre meus livros preferidos. Tá aí uma coisa que me faz muito bem: ler. Sempre que quero me desligar e me "purificar", pego um livro. Além disso, eu tô sempre lendo algo, sempre carregando uma história na bolsa, em qualquer lugar que eu esteja. Ler é algo que eu aprendi a amar desde pequena, e acho um dos atos mais bonitos que existem. É muito saudável fugir e viver uma realidade inventada.

 Tim: Já foi o meu preferido. Faz tempo que li (não gosto muito de reler livros, acho que tem muita coisa no mundo esperando pra ser vista e lida pra que eu me dê ao luxo de repetir algo). A história é a de uma senhora (de meia idade) que se apaixona por um deficiente mental. A senhora é rica, e o deficiente trabalha pra ela, na reforma de sua casa. Os pais do moço não são a favor e tem um monte de conflitos ao longo da história. Não lembro do final, mas acho que era bem bonito. 

 Veronika Decide Morrer: Quando me perguntam sobre Paulo Coelho, costumo dizer que "acho-o um saco, mas Veronika Decide Morrer é uma exceção". Mas eu nem sei o que tô falando. Minha opinião sobre esse cara é bem influenciada, afinal na verdade eu só li três livros dele e um eu amei, e os outros dois foram meio sem sal pra mim. Acho que o que eu tenho mesmo de opinião sobre os livros dele é que têm uma cara de auto-ajuda bem chatinha (pelo menos pra mim) e que parecem comerciais, mas ao mesmo tempo, se você entra naquela "fantasia", fica tudo muito bonito. Acho legais as sensações e os pensamentos que ele propõe. Mas sobre o livro em si, o da Veronika, minha paixão, eu tenho uma opinião certa e ela é muito boa. AMO esse livro. Talvez seja porque eu tenho uma quedinha por tudo que trata da depressão como uma coisa normal e agradável. Enfim, acho que é muito bem escrito e a história tem sim um fundamento e uma poesia. 

 A Menina que Roubava Livros: MUITO bonito. Demorei muito pra ler esse livro porque me diziam que ele era impossível de se ler, todo mundo parava no começo, que era confuso e ininteligível. Apesar disso, uma hora, por acaso, tentei. Não me arrependi de maneira alguma. Talvez seja o melhor livro que já li na vida, e talvez isso seja porque ainda sou muito jovem. O começo é sim difícil, mas tudo vai ficando mais agradável enquanto você vira as páginas. Depois da metade do livro, você já está apaixonado. 

 A Culpa é das Estrelas: Literatura juvenil. Um jeito um pouco bobinho de escrever, mas no fim das contas, é o apropriado pra minha idade. Apesar de muitas vezes esse estilo de escrita me irritar, dessa vez me agradou. Li o livro em uma semana (coisa que não fazia há muito tempo) e me emocionei muito. A história ainda está recente na minha memória, então ainda lembro de frases e trechos que pelos quais me apaixonei. Adoro essa sensação. Adorei o livro. Leiam.

 Til: Leitura obrigatória na escola, costuma ser odiado por todos, mas eu gostei bastante. Não achei assim tão meloso e "enjoativo", além de que a história e a personagem principal me agradaram muito. Berta era uma criatura maravilhosa, é claro que era idealizada, mas gosto de acreditar que talvez exista alguém assim.

 A lista fica por aí. Já li livros que muita gente costuma considerar como favorito, como o Pequeno Príncipe e outros clássicos da literatura, mas não mexeram tanto assim comigo. Outro livro que também amei mas não tanto quanto os outros foi The Perks of Being a Wallflower (li em inglês), também por causa da minha quedinha por uma "tristeza saudável".

terça-feira, 31 de julho de 2012

Quero me fragmentar


 Eu quero fugir da minha vida. Eu quero desligar, esquecer, deixar tudo de lado e não viver.
 É incrível como alguns dias, mesmo sabendo que não temos dos problemas mais sérios, a vida se torna tão difícil. Difícil a ponto de você não conseguir nem chorar, por não saber por onde começar. Não saber o que fazer, o que falar, como acordar, como olhar no olho de qualquer pessoa que não os seus no espelho.
 Você sabe que eu me sinto à vontade na tristeza. Você, você mesmo que sempre me lê. É um sentimento muito mais bonito e sincero que a alegria, que muitas vezes é superficial. O problema é que o mundo não nos deixa ser feliz na tristeza. Eu tenho que ter uma vida normal, uma casa arrumada pros convidados, olheiras não tão fundas pra não afugentar o sexo oposto (porque só ele pode nos proporcionar felicidade!), um sorriso pra que ninguém se sinta mal por mim e bom humor. Caso o contrário, é depressão e minha vida acabou. Eu só queria poder deixar minhas lágrimas fluírem e, ainda assim, viver. Viver com vontade. Quem sabe, com felicidade.
 A gente não pode se desprender, se libertar, se fragmentar, desmontar. A gente tem que ficar feliz e superar tudo que nos faça nos sentir mal. E no fim, isso é o que me deixa mais triste. Não poder ser quem eu sou, porque se eu fosse, me afogaria. E ai não seria nada. Acho que às vezes (muitas vezes), não vale a pena viver.

domingo, 15 de julho de 2012

Como se diz "saudade"


 Você está longe e ninguém tem um abraço igual ao seu. Não tem jeito, não tem beijo, não tem nós dois deitados olhando um ao outro, mas tem muito mais amor que qualquer outro dia que não seja amanhã.
 A lua é a mesma pra nós dois e seu sol não é tão quente quanto o meu, mas espero que também lembre de nossas mãos entrelaçadas e molhadas quando ficar com calor. Espero que lembre daquele dia quente em que fomos ao parque e também de nós nos esquentando debaixo de nossas cobertas.
 E eu nem acredito que hajam tantas lembranças pra tão pouco tempo (tentei não ser clichê, mas me desculpe, não foi possível) e tanto amor pra tão pouca fé que eu coloquei em um possivel "nós". E é esse meu modo de te dizer que sinto sua falta.

domingo, 10 de junho de 2012

Me doa!



 Pior que chorar é não chorar. Pior que entristecer é sorrir por sorrir. Não sei se é uma doença que adquiri pro resto da vida (ou só adolescência mesmo), mas o fazer mal da dor me faz bem.
 É mais um texto tristonho e sentimental sobre você. Mais um texto porque é aqui que esvazio a alma e me sinto livre pra dizer que quero ser triste. Você não me dá nem o direito de ser triste a longo prazo, amor! 
 O papel em branco me faz um convite "venha cá, não quer navegar um pouco? virar mar e se afogar nas letras que escreve e nas lágrimas escondidas nelas?" e eu não tenho outra opção que não aceitar. Aliás, antes aceitar que recusar e viver a resguadar o que precisa ser sentido. E me desculpe por escrever palavras um pouquinho mais difíceis e tentar deixar isso bonito, é só que acho que meu amor merece. 
 Falando sobre aparências, gostaria de descrever como anda dentro de mim: você sabe, quando tudo estava "bem" entre nós não havia nada que não estivesse quebrado dentro de mim. Estava toda ferida e deve ter sido um castigo do meu coração por eu tentar ser mais feliz do que devia. Ai você chutou tudo pro alto e, basicamente, meu Eu virou só lágrimas. Elas sempre existiram e sempre consegui comporta-las, mas dessa vez eram tantas que transbordavam de maneira descontrolada. E então o tempo passou. Dei uma secada e os sentimentos foram ficando novamente proporcionais aqui dentro. Certas vezes pude até sentir alguns deles ganhando cor e se enfeitando de glitter. Mas acho que tenho um tempo-limite de felicidade, porque olha, não a aguento mais. É como se o barco se sentisse incomodado por não ter mais onde navegar e solicitasse timidamente um pouquinho de água para seu lazer. Muito abstrato? Sou abstrata. Ando abstrata e não me entendo de maneira alguma, mas pelo que pude constatar, estou escurecendo e me afogando novamente aos poucos. Ou pelo menos gostaria que fosse assim. 
 Sei lá. Talvez seja só saudade do gostinho salgado e da sensação gostosa das lágrimas me esquentando a pele e o coração. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pausa para duas lágrimas


 Você ainda me dói. Não tanto quanto antes, quando eu fiquei sozinha, ferida e afogada, mas dói.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tá faltando paz


Tá faltando um espacinho pra mim no meio de tanta gente que eu observo, julgo e critico. Um dia em que eu durma sem culpa e sem ter que lavar a louça e arrumar a cama ao acordar. Um coração mais silencioso. Uma escola onde ensinem o que me nutre o cérebro e a alma, e não que os vicie. Uma loja onde eu compre amor. Um bazar onde o mesmo amor seja de graça. Um formulário sem perguntas desnecessárias e um processo burocrático com menos burocracia. Um blog que não incentive o exibicionismo. Uma casa mais colorida, um livro com mais imagens, um disco com mais poesia. Uma vida com poesia, mas sem lágrimas que queimam. Um filme que me faça chorar, de tão bonito. Um céu mais limpo, uma cidade mais calma, com pessoas mais bagunçadas e idéias novas, rebeldes com mais causa e mendigos com mais cobertores. Uma vida em que eu me satisfaça com o que tenho e pare de idealizar o impossível.

Carta não enviada



Amor,

 Por que é que dói tanto assim? Me diz o que você faz, qual método usa, qual a mão que tampa seus olhos para que não sinta as coisas intensas como eu sinto. Já tentei botar na cabeça que não é amor, que é sofrimento desnecessário, que o aperto é de mentira e que a dor só entra aqui porque eu deixo, mas nada funciona: ela vem e por mais que tente a evitar, ela dói. O tempo todo desejo o mesmo a você, mas não pra que soframos igual e sim pra que o amor esteja na mesma porção e te faça me querer pertinho. Esses dias li que se é amor não dói, é bonito. Mas podia doer em você só o suficiente pra que precise de mim. Porque pra mim, se não há incomodo, não há vontade.
 Podia doer em você como dói em mim, e assim tudo seria saudade e logo tudo seria sobre nós dois, olhando um nos olhos do outro e pensando em como sofrer junto é gostoso.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Encerrando ciclos



Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Glória Hurtado

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Obrigada!



 Pensei estar sendo esperta ao te dar meu coração. Foi a primeira vez que resolvi confiar, apostar, me doar. Desde o primeiro beijo (e antes mesmo dele) nos imaginei num futuro distante e bonito. Pude me ver sorridente ao teu lado daqui vinte anos. Te vi explicando nossas fotos e nossa história a todos que se mostrassem interessados.
 Mas não. Não poderia ser tão fácil. Como má amante que sou, errei. Apesar de consciente, não enxergava que tinha algo tão bom ao meu lado. Chorei. Por nada. Menti. Não soube agir. Foi amor demais pra mim, e não tinha noção de como recebê-lo. E então, o rosto sempre risonho e a alma pura que você conheceu se transformaram em um olhar vazio e um punhado de lágrimas sem motivo. Não te culpo por desistir. Não era mais a pessoa por quem você se apaixonou, e devia ter te dado aviso prévio que seria assim. Me torno outra enquanto amo. Alguém que não gosto, e você também pareceu não gostar.
 Então, obrigada por me fazer voltar ao normal, a ser novamente o sorriso e não o mar. Você me machucou por um momento e sei que a cicatriz será eterna, mas foi uma daquelas dores que vêm para o bem. Não sei se seu sacrifício foi verdadeiro, mas me fiz acreditar que sim. Te faz mais bonito e sincero aos meus olhos pensar assim. E pensar que agora no lugar do futuro que imaginei há um buraco escuro (ou uma luz extremamente clara que não me permite enxergar nada) ainda me fere um pouco, mas me consola saber que esse futuro, mesmo que ficassemos juntos pra sempre, nunca existiria. 
 E se tudo tiver dado errado por falta de preparo em relação a sentimentos ou imaturidade minha, ambos sabemos que uma hora passa, e então estarei pronta para amar o quanto meu coração quiser. Encontrarei a pessoa certa, seja ela quem for, e cuidarei dela como manda o figurino (não que o amor tenha de fato um figurino). Não reclamaria se essa pessoa fosse você. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

Lacrada



Você não vai entender. Ninguém vai. Meu coração está (talvez sempre tenha sido) sujo e bagunçado, sem espaço para paz.
 Eu te disse que temia amores porque faziam mal às pessoas, que se transformavam em cegos e tolos. Tenho medo porque acontece o mesmo comigo. Finjo ser dura, vazia e inatingível, mas não passo de uma caixa cheia de lágrimas, livros de romance e alguns poucos sorrisos verdadeiros. Digo, desenhei uma boca de batom vermelho e olhos delineados com ar permanente de felicidade por fora, mas é só pra manter as aparências.
 Você trouxe flores e mais livros bonitos pra dentro de minha caixa, e veja que engraçado: ela ficou úmida. Cheia de lágrimas. Agora o papelão está derretendo, a boca feliz que eu desenhei está ficando desfigurada e você, cada vez mais, pode ver como não sou nada do que tento parecer. Tudo anda mole e molhado demais dentro de mim, e gostaria de pedir desculpas por deixar que minha infelicidade e fraqueza tenham transparecido. Você me pegou amando e não há maquiagem que eu pinte por fora que te faça acreditar que estou bem depois de ver como sou por dentro.
 Amar não me faz bem. É sempre o mesmo: derreto, me afogo, o batom borra e pronto, a caixa está aberta e gritando para que todos cheguem mais perto e a entendam. Fico frágil e vejo motivos para lágrimas em cada passo descuidado seu (ou de quer quem seja que eu esteja amando). Quando canso de tanta exposição, tanto coração e tanta verdade, desamo. Me levanto, fecho a caixa -doa o que doer- e desaguo o que for preciso pra que fique tudo "bem". Seco. Limpo. Lacrado. Passo outra maquiagem, mais bonita que a anterior e então já posso voltar a fingir que a vida é boa. Nada dói, nada fere e nada me atinge.
 Sou capaz de mandar o amor embora e não tenho pressa pra que ele se vá porque sei que um dia irá. E caso não vá, dou logo um jeito de fechá-lo dentro da caixa (junto com as lágrimas e os livros) e só a abro quando me der vontade.
 E talvez tudo acima seja uma mentira que planejei com detalhes para enganar e convencer a mim mesma. Também guardo mentiras aqui dentro.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Espera e ama


Vem, Amor. Vem e traz contigo aquele monte de paz, sorrisos e esperança. Traz aquela frase bonita que me faz bem, aquele carinho que me bagunça inteira. Traz, traga. Traga comigo essa fumaça que anda nos rodeando e respira o ar que só os amantes têm por direito.
 Mas se não vier, se não trouxer, se não tragar nem respirar, tá tudo bem; desde que não tente me fazer acreditar que não os quer. Amor, eu sei. Você pode enganar aos outros, mas em cada palavra sua eu sinto o que sente. Não deixe de olhar para mim quando estivermos pertinho, que eu sei que o faz escondido.
 Então tem duas opções: vir ou fugir. Mas vem, vai. Vem pra que nos abracemos e nos beijemos e nos amemos sem receio e sem vergonha. Pra que eu conheça a ti, a mim e ao mundo dos namorados. E seremos tão felizes! Me faça conhecer a felicidade!
 E se demorar, pra mim não importa...até que é gostoso esperar enquanto se ama.

sábado, 3 de março de 2012

Preciosa felicidade



“Quando estamos diante de algo ou de alguém que é absolutamente precioso na nossa vida, a gente sabe, mesmo que sem muita clareza no início, a nitidez às vezes só costuma florir no tempo da primavera do olhar. A gente sabe porque sente com uma sinceridade tão profunda que qualquer nuvem de dúvida dura pouquíssimo no céu de azul macio que acontece nesse território da alma. A gente sabe porque o sentimento nos pega pela mão e nos leva para um lugar de paz tão singular que, se formos honestos com nós mesmos, reconhecemos ter visitado raras vezes nas nossas andanças. A gente sabe porque sente ter sido despertado em nós um entusiasmo que nos enche de vontade de fazer expandir a nossa bondade e transformá-la em gestos amorosos pra distribuir por aí. A gente sabe porque o coração também sai de casa pra sorrir e quer convidar outras tantas vidas pra sorrir junto. A gente sabe porque não consegue mais imaginar que o nosso caminho desaprenda a passar por lá, mesmo que precise aprender a desaprender depois. A gente sabe porque se sente feliz. Simplesmente feliz.”


Ana Jácomo

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Deixa e vem


Deixa o vestido empestado com borboletas no meu corpo, amada. Pega meu coração inteiro. Por favor, não chora assim. Meus órgãos dão um nó cego ao presenciarem essa tristeza, os acordes do violão sempre tão desafinados. Canto sem pé, sem ouvido, sem cena. Brinco com teus cabelos enrolados aos meus. Pinto as obras de Van Gogh e de tantas cores verei um trechinho, bem pequenininho daquele riso que por vezes me arrepiou. Mas sou guri, tenho a infância dominante das minhas veias e os dentes cariados. Sou a infância derretida e não sei ver teus olhos tristonhos. Não sei empregar um verbo, beber em botecos, plantar macieiras. Só fico quietinho puxando o teu colo, dando dois quintos de carinho, assim, bem leve, para não te afobar. Chega, não sei lidar assim, mas chega. Faço café forte, minha avó dizia que curava todo o mal, faço tapioca, bolo, compro sorvete de creme. Tem um cobertor, minhas pernas fraquinhas e alguns beijos, assim de leve, se você quiser. Tem música, minha voz tortinha, meus chinelos amarelados. Não tem tristeza que irá arrancar nossas alegrias, meu amor. Não tem fim de festa, minha menina, que irá derrubar nossas danças. Só me deixa, bem devagarzinho, juntar tua solidão a minha. Só me deixa enamorar teu coração bonito, tua voz doce, tuas palavras arrepiantes. Deixa eu te sussurrar com todas as letras o que fica preso entre minhas palpitações. Deixa menina eu ser essas poesias que ficam entre a gente. Deixa-me ninar teu sonho. Deixa-me namorar contigo por inteira, pelos olhos que me pulsam, pelos labirintos do teu corpo, pelos teus sonhos, pelas inúmeras explicações sem lógica. Por mim, pobre coração clichê. Então direi com o corpo trêmulo, aquela velha frase usada: Namora comigo?
Layla G.

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