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domingo, 26 de maio de 2013

Longe é o lugar onde podemos viver de verdade


 Eu tô te esperando aqui, em frente ao computador, do ladinho da cama onde quero passar noites infinitas com você. Mentira. Nessa cama, só quero passar uma noite contigo. Depois vamos pro mundo, pro além. Conheceremos cada cantinho do nosso país primeiro, perguntaremos a cada sem-teto deitado na calçada se ele precisa de um pão ou de um abraço. Levaremos todos aqueles cachorros de olhos grandes conosco por onde formos. A cada cidade, mais cinco. Quando eles forem muitos, podemos arrumar uma fazenda gigante e uma pessoa com um coração maior que o nosso pra cuidar deles lá. Depois iremos pra Europa, pro Oriente e pra Marte também. Passaremos por hotéis com piso de mármore, onde dançarei toda coberta de espuma naquelas banheiras gigantes e pularemos juntos sobre o colchão de molas. Também ficaremos em albergues sujos cheio de gente criativa e divertida. Iremos à festas onde as pessoas só se divertem com drogas e nos sentiremos as duas pessoas mais incríveis do mundo por ficarmos tão loucos quanto eles só de olharmos um nos olhos do outro. Porque seremos química. Seremos amor em êxtase. Dançaremos tanto! 
 Assistiremos filmes românticos pra eu fazer cara de nojo fingindo que não quero entrar num daqueles roteiros com você, e filmes que nos farão passar a noite discutindo questões filosóficas. Sempre discordaremos, e sempre acabaremos unindo nossos corpos nus no final, esquecendo de toda a discussão. Você me dará flores já murchas que roubou em um jardim bonito enquanto andava pela cidade. Eu sempre tentarei ressuscitá-las e você sempre rirá da minha ilusão ignorante. Trocaremos versos de Cecília Meireles antes do boa noite. 
 Viveremos aqui, ali, em todo lugar. Juntos, mesmo que distantes. Tô te esperando, e mesmo que não venha, já estamos conectados enquanto eu sonho com você e você sonha comigo. Mesmo que não saibamos quem somos. Estamos juntos, agora. 

domingo, 14 de abril de 2013

Eu não sou gostável. E você gostou.


Deitou do meu lado e puxou-me para tão perto que meu fôlego quase se foi. Sua respiração gritava no meio de todo aquele silêncio, enquanto meus dedos, antes tímidos, entrelaçavam seus fios de cabelo procurando por outro suspiro seu. Com movimentos um tanto desajeitados, ajeitei-me dentro da concha que seu corpo formava, e fiquei ali. Sentindo-me acolhida, querida. Pensando que eu era a garota mais sortuda do planeta Terra. Porque dentre todas as outras pessoas do mundo, era comigo que você estava. Comigo e com todos os meus milhões de defeitos. Comigo e com todas as minhas paranoias que ainda não te enlouqueceram.

Eu não sabia se te teria de novo daquele jeito. Só conseguia pensar em quanto gostaria que ficasse ali pra sempre. Sempre mesmo. Quem sabe umas vinte e cinco horas por dia? Eu não enjoaria, juro. Não enquanto seu corpo aquecesse o meu, e seu nariz roçasse meu pescoço, sua boca tocasse a minha, seu cheiro ficasse no cobertor, seus braços me apertassem pra ti, ou seus olhos fitassem cada centímetro do que eu sou por dentro. Não enquanto eu pensar que sou a única garota das suas madrugadas, ou enquanto você deixar um compromisso pra ficar comigo, ou até enquanto você me puxar de volta em todas as minhas tentativas de fuga. 

Então dormimos. Dormimos, apenas. E mal sabe você que acordei por vezes durante a madrugada imaginando que aquilo era mais um dos meus infinitos sonhos - que nunca passaram de sonhos. Felizmente, todas as vezes que acordei descobri quão real você era. E quando acordei de manhã... Ah, quando acordei de manhã você ainda estava lá. Dormindo com uma feição tão serena quanto imaginei que seria. Provavelmente cansado por dormir naquele colchão improvisado. Mas estava lindo. Tão lindo. Tanto que te olhei até decorar cada curva do seu rosto. Tanto que até o tempo parou pra eu degustar mais alguns minutos do que eu não podia ter todos os dias.

Logo seus olhos se abriram, sonolentos. Fazendo meu coração se apertar, agonizar, sabendo que aquilo significava o fim de uma das melhores noites da minha vida. Doeu, porque, infelizmente, aquele poderia ser o primeiro e o último dia que ficaríamos juntos daquele jeito. Mas deixei todos esses pensamentos de lado. Sorri. Sorri, porque você estava ali, afinal.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Doce madrugada.



     A última vez que a vi numa das madrugadas que, segundo ela, é o horário mais lindo do dia, foi encantador. Neste dia ela usava um shorts surrado que valorizava suas pernas torneadas, junto com uma blusinha delicada que contrastava com a parte de baixo, fazendo tudo ser tão ela que não poderia ser mais ninguém. Reparava em todos estes detalhes, porque impossível seria não reparar. Conheço-a por completo, mais até do que ela mesma. Seus olhos são grandes e incansáveis, sua boca fina e macia - que faz toda a diferença quando beija meu rosto. Seu sorriso tem gosto de primavera, e sua voz... Ah, sua voz aos meus ouvidos, perfeita. Pareço um louco apaixonado, e não posso negar: Sou.
     Voltando à madrugada, seu rosto ameno me dava calafrios, calafrios bons, se quer saber. Ela continuou andando, enquanto meus passos diminuíam para observá-la do jeito que eu mais gostava. Na cabeça dela, eu tinha certeza, tocava sua música preferida - que segundo ela era a música da sua vida. De repente, diferente de todas as outras noites, seus pés começaram a caminhar um atrás do outro, a cintura acompanhava o ritmo que só ela escutava, e seus braços levantavam seguindo o tempo que ela contava inconscientemente, numa dança que aos meus olhos só poderia ser sensual. Logo rodopiava balançando a cabeça e os dedos em movimentos delicados, fazendo aquela rua, quase sem asfalto, tornar-se palco de estrela. Seus olhos se fecharam e seu sorriso se abriu. Aproveitou cada segundo da música de três minutos ou menos. Aproveitou de verdade. Quando terminou, ainda sem cantar nenhuma palavra em voz alta, relaxou os músculos e continuou a andar como se nada tivesse acontecido. Procurou-me dos lados, e sorriu quando me viu atrás dela, parado, com uma lágrima que - felizmente - ela não conseguia ver.
     - Vamos! O que está esperando? - Perguntou-me, dando aquele sorriso (o que eu nunca conseguirei descrever). Ah, aquele sorriso.
     Corri até alcançá-la, ansiando ter gravado aquela cena afim de nunca mais esquecer. Porém feliz, por ter tido a oportunidade de presenciar um dos dias mais lindos da minha vida.

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