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domingo, 21 de julho de 2013

Carta pra quem devia estar aqui


 Não sei pedir desculpas, mas sei demonstrar saudade. Saudade de quando você passava as mãos com calma na minha barriga e eu fingia não estar arrepiada. Saudade de observar cada centímetro seu e me perguntar um sem-fim de vezes porque é que eu gostava tanto de alguém com um monte de desenho idiota tatuado pelo corpo. Eu sempre soube que nada ali estava certo, entre nós, mas a calma nos seus olhos dava sentido pra tudo que não devia fazer.
 Lembro do fim. Do que devia ser o fim mas agora me parece vírgula mal colocada. Queria que tivesse sido pessoalmente, assim eu poderia saber como são seus olhos calmos na hora do adeus. Mas digitamos, e cada tecla apertada me trazia uma lágrima. Você não sabe disso e acho que nunca fez questão, mas ainda assim tenho saudade. Sei que errei porque ainda não vejo um ponto final. Talvez ele esteja nessa carta.  Mas um ponto não apagará de mim aquela sensação boa que até agora não senti com mais ninguém, a de ser sua ao acordar em seu peito quente, no meio da bagunça do quarto, esperando não precisar sair nunca dali.
 Me desculpe por não ter nos dado uma chance, mesmo que você nunca tenha pedido por ela.

domingo, 26 de maio de 2013

Longe é o lugar onde podemos viver de verdade


 Eu tô te esperando aqui, em frente ao computador, do ladinho da cama onde quero passar noites infinitas com você. Mentira. Nessa cama, só quero passar uma noite contigo. Depois vamos pro mundo, pro além. Conheceremos cada cantinho do nosso país primeiro, perguntaremos a cada sem-teto deitado na calçada se ele precisa de um pão ou de um abraço. Levaremos todos aqueles cachorros de olhos grandes conosco por onde formos. A cada cidade, mais cinco. Quando eles forem muitos, podemos arrumar uma fazenda gigante e uma pessoa com um coração maior que o nosso pra cuidar deles lá. Depois iremos pra Europa, pro Oriente e pra Marte também. Passaremos por hotéis com piso de mármore, onde dançarei toda coberta de espuma naquelas banheiras gigantes e pularemos juntos sobre o colchão de molas. Também ficaremos em albergues sujos cheio de gente criativa e divertida. Iremos à festas onde as pessoas só se divertem com drogas e nos sentiremos as duas pessoas mais incríveis do mundo por ficarmos tão loucos quanto eles só de olharmos um nos olhos do outro. Porque seremos química. Seremos amor em êxtase. Dançaremos tanto! 
 Assistiremos filmes românticos pra eu fazer cara de nojo fingindo que não quero entrar num daqueles roteiros com você, e filmes que nos farão passar a noite discutindo questões filosóficas. Sempre discordaremos, e sempre acabaremos unindo nossos corpos nus no final, esquecendo de toda a discussão. Você me dará flores já murchas que roubou em um jardim bonito enquanto andava pela cidade. Eu sempre tentarei ressuscitá-las e você sempre rirá da minha ilusão ignorante. Trocaremos versos de Cecília Meireles antes do boa noite. 
 Viveremos aqui, ali, em todo lugar. Juntos, mesmo que distantes. Tô te esperando, e mesmo que não venha, já estamos conectados enquanto eu sonho com você e você sonha comigo. Mesmo que não saibamos quem somos. Estamos juntos, agora. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pura!



Felicidade.
  Finalmente. Finalmente posso sentir, quem sabe pela primeira vez (de maneira consciente) essa sensação que todo mundo escreve sobre. É maravilhosa! Ninguém havia me dito quão bom é sentir a alma pura, leve, vazia e ao mesmo tempo cheia de tudo que há de positivo nesse mundo e nos outros tantos. A vida, antes tão escura e pesada, agora se mostra sorridente enquanto me abraça e me aninha. 
 O vento não é mais incômodo, as centenas de pessoas ao meu redor só fazem me trazer energia, o sol me beija a testa e a geada me faz sentir cada parte de meu corpo em funcionamento. As cores são mais fortes, as orações mais poéticas (sejam quais sejam) e as sensações vêm num alvoroço de quem nunca passou por aqui. 
 Ó alma, pecado meu demorar tanto para conhecer toda tua vastidão, teu poder, tua profundidade! Tu, minha querida, és única e simplesmente a responsável por tudo que se passa entre todos os seres e as coisas. Quero te explorar, mergulhar, me perder mais para mais vezes me encontrar nesse êxtase absoluto que é achar o caminho certo. Ó, minha alma, acabo de descobrir que, afinal, meu grande amor e razão de viver (bem) és tu.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ac(alma).

Vota no Pós Florescer bem aqui, por favor?

  Acalma poder olhar para o Sol, e mesmo com você longe, conseguir sentir no calor dele, o teu amor. É como se minha alma esquentasse e esfriasse ao mesmo tempo, é um choque térmico que passa por cada milímetro do meu corpo com força. Por quê será que você me atinge tanto assim meu amor? Esse amor já está velho, como aqueles livros empoeirados no fundo da minha prateleira. Mas ele é tão forte, é tão delicioso de sentir... não quero perder essa sensação, de acordar todos os dias sabendo qual é a razão do meu viver.
  Acalma conseguir chegar em casa, com tantos deveres de casa, tantos compromissos, Sol escaldante penetrando em meu corpo e empanturrada de fome e mesmo assim conseguir pensar em você. É impressionante o modo como eu sempre sinto falta de tudo. Por que não aproveitei quando havia tempo? Ou por que será que não fugi de toda essa aflição e essa tal onda escura que vem atingindo todo o meu tempo e meu jardim que costumava ser tão colorido? Agora ele está tão vazio, tão descolorido e mal iluminado... que tal se eu der o nome á ele de "Coração"?

quarta-feira, 7 de março de 2012

Espera e ama


Vem, Amor. Vem e traz contigo aquele monte de paz, sorrisos e esperança. Traz aquela frase bonita que me faz bem, aquele carinho que me bagunça inteira. Traz, traga. Traga comigo essa fumaça que anda nos rodeando e respira o ar que só os amantes têm por direito.
 Mas se não vier, se não trouxer, se não tragar nem respirar, tá tudo bem; desde que não tente me fazer acreditar que não os quer. Amor, eu sei. Você pode enganar aos outros, mas em cada palavra sua eu sinto o que sente. Não deixe de olhar para mim quando estivermos pertinho, que eu sei que o faz escondido.
 Então tem duas opções: vir ou fugir. Mas vem, vai. Vem pra que nos abracemos e nos beijemos e nos amemos sem receio e sem vergonha. Pra que eu conheça a ti, a mim e ao mundo dos namorados. E seremos tão felizes! Me faça conhecer a felicidade!
 E se demorar, pra mim não importa...até que é gostoso esperar enquanto se ama.

domingo, 4 de março de 2012

A alma e a Geringonça.



A alma e a Geringonça, aí é que está o problema…
Seremos acaso uns autômatos cuja complexidade de reações nos faz acreditar num ilusório livre-arbítrio?
Essas coisas dos torpedos autodirigíveis dá para desconfiar um bocado… Acontece que somos muito mais complicados do que eles - eis tudo.
Mas este jogo de pensamentos em que nos comprazemos é tão limitado como um jogo de palavras.
Senão, já teríamos descoberto e resolvido tudo, em tantos e tantos séculos de funcionamento.
É verdade que temos tido jogadores hábeis como Platão, para apenas citar um craque da Antiguidade. Mas se nem Platão, muito menos eu e tu, leitor…
Nós só podemos ir movendo as peças, sem esquecer que, embora as partidas pareçam variar ao infinito, o movimento de cada peça é único e as regras do jogo são imutáveis, embora convencionais, como as de qualquer jogo.
E, se fôssemos infringir as regras, seria impossível jogarmos.
Continuemos, pois, a brincar com a máxima seriedade. Porque jogo é jogo.



Mario Quintana.

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