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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Estar é amar.


"Eu sou gay", você sussurrou como se aquilo fosse o maior pecado que tivera cometido na vida. E o que eu ouvi foi "obrigado por ser a única pessoa com quem eu posso compartilhar o que venho guardando por tanto tempo".

Eu fora a primeira a saber, e eu chorei por isso. Não é sempre que sou a primeira escolha. Quase esqueci do seu sofrimento de tanta felicidade em saber que era em mim que você confiava. Mas aquelas palavras que saíram da sua boca despedaçaram-me. Estavam cheias de medo de serem rechaçadas, tinham tanto medo do mundo que quase não saíram. Foram expelidas com lágrimas que fizeram o meu coração apertar.

Não vou mentir, tive medo por você.

Medo do que as pessoas que não entendem a normalidade disso poderiam fazer. Tive vergonha de todas as vezes que fizeram piada de homossexuais na sua frente. Bem como doeu saber que você guardou isso durante a vida toda.

Meu primeiro sentimento foi de querer te proteger, mesmo você sendo muito maior que eu, você pareceu pequeno naquela hora.

Indefeso.

Eu cheguei até a entender a madrasta da Rapunzel quando ela trancou-a numa torre, porque foi esse o plano desenvolvido na minha mente: construir uma barreira protetora pra nada te machucar.

Que mundo é esse em que vivemos sem poder amar quem realmente desejamos?

Eu não sei. Ainda assim quero te lembrar que você é livre pra amar quem quiser! Se precisar, estarei sempre por aqui (até quando você achar que não estou mais). Porque afinal, estar é amar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Canto Derradeiro

                                  


O dia é cândido e álacre lá fora, o primeiro depois de uma temporada de dias barulhentos devido à chuva e noites aterradoras.
            A menina acorda feliz, acorda sem medo. Muitas noites acordava pávida e seus sonhos logo eram preenchidos de terror e desgraça. Assustava-se com o barulho dos trovões, às vezes ousava encolher-se nos cantos da cama dos pais (apenas o fazia quando era incontrolável o medo, não queria incomodá-los) e o aconchego da cama deles lhe garantia total segurança naquelas noites.
            Abre a janela e banha-se com o sol antes discreto e tímido, agora invulnerável, banha-se com a felicidade, com a vida. Os pássaros cantam nas árvores ainda úmidas como a convidarem todos a cantar uma prolongada música indefinida, as crianças brincam no parque como se a vida não pudesse melhorar. O dia é cândido e álacre lá fora.
            Vai à cozinha com o pijama cor-de-rosa e as pantufas que aquecem os pés nus. Acostuma-se ao movimento matinal, o cheiro do café da manhã, os olhos ainda demoravam-se a abrir, achavam que ainda era sonho.
            A prova que constatara que aquilo era real era que... na verdade, nada constatara. Bem que podia ser um sonho mesmo. Achava tudo aquilo tão irreal que até sorriu.
            Recentemente a menina havia conhecido uma amiga, de nome Bárbara, enquanto brincava com suas bonecas.
            - Está muito moça para ter amigos imaginários, dizia a mãe.
            Encolhia-se. Não escondia em seu rosto jovial o ar de desapontamento. Era certo que os pais estranhavam ela de ter amigos imaginários, mas o que estes possivelmente diriam das pessoas reais? É porque a menina achava que a realidade não existia.
Eu: Não te entendo.
Menina: Somos dois então.
Eu: Se a realidade não existe, o que sou eu?
Menina: Você? Não sei. Você é o narrador e me criou. Já eu sou a realidade.
Eu: Ainda não entendi o que é a realidade.
Menina: A realidade é indefinível, a realidade é nada, é tudo. Quem garante que o imaginário não é a realidade e a realidade parte daquilo do que para você, ser não real, não existe?
Eu: De onde você tira essas coisas malucas? Nada entendo daquilo que você fala.
Menina: Não falo, penso. E você que me criou, devia me entender, presumo. Aliás, acho que estou chegando a uma conclusão quase que plausível: minha vida é uma vida dentro da sua, a única diferença é que eu sou você realmente, e você é apenas uma ilusão.
Eu: Você é muito nova para pensar nessas coisas. Acho você louca.
Menina: Agradeço ao senhor por me fazer imperfeita. Quanto a esse negócio de idade, acho tolice: mamãe disse que sou muito velha para amigos imaginários, então não entendo mais nada.
Eu: Voltemos à história, antes que você enlouqueça a todos.
Redijo tal conversa para que entendam o motivo que levou os pais da menina a lhe darem tal presente. Presente? Sim, havia esquecido: era aniversário.
            Aniversário que era de diversas vezes comemorado com um bolo e um singelo presente qualquer: desde sempre havia se contentado com tudo e dela emergia felicidade espontânea quase que contagiosa.
            E era dessa felicidade momentânea que ela deliciava-se ao correr dos segundos. Logo após receber os parabéns, olhou para a mesa e de lá pecaminosamente veio a tentação. Seus olhos devoravam em puro devaneio quando de repente o presente foi estendido em sua frente. Dessa vez achou que se tratava de um presente insólito. O que concluo é que nada passou de rápida e passageira curiosidade. O presente, envolto em fino tecido branco, parecia-lhe ousado como as cortinas de um teatro que se espera ansiosamente por se abrir. 
            Impetuosamente, tira bruscamente o tecido, e revela-se então uma gaiola branca e dentro dela, um pássaro.
            Trata-se de um pássaro pequeno, vadio e infeliz, cuja tristeza fora encoberta devido à beleza de sua prisão perpétua, uma rosa a ficar presa nela com um cartão de parabéns.
            Após agradecer aos pais, decide levar a pesada gaiola ao quintal e lá se senta ainda de pijama. O sol bate em seu rosto mas não se importa, ainda sente a vida bater em seu corpo com a mesma intensidade, nada era melhor.
            Estuda um pouco o espaço silenciosamente. Os pássaros continuam com suas melodias, as crianças com suas brincadeiras, e ela a ficar sentada olhando para o nada.
            Chega até a ser legal. Tinha gosto de sentir nada. Dentro dela um vazio inexplicável e nada fazia, nada falava. Encara às vezes o pássaro. Nada ele fazia também.
            Olha para o lado e estremece: Bárbara ao seu lado olhando para o mesmo nada. De repente ambas se olham. O silêncio é grande e angustiante, mas é bom. A menina odiava falar porque para fazê-lo era necessário pensar e pensar cansava. Preferia o silêncio monótono das coisas. O dia é bonito e quente e seus olhos gozam de prazer. O resto do corpo é frio e morto.
            Bárbara está inquieta mas nada diz. Percebe sua respiração abafada e nada diz também. Bárbara inclina a cabeça e analisa o pássaro vadio. É tão triste que a manhã chega a escurecer também. Não piava, não cantava, apenas servia de exposição. Era difícil respirar e viver. Que alguém o mate, por favor, antes que o sofrimento seja colossal.
            Pela graça de Deus nenhuma delas tinha o mesmo pensamento que eu. A menina demora a entender, mas olha para o pássaro também. Olham-se novamente. Silêncio. Pássaro. Olhar. Silêncio. Pássaro.
            O silêncio é vibrante e o mundo começa a gritar. É ensurdecedor e ambas começam a tremer de angústia. Bárbara implora qualquer coisa que a menina não entende. Quebraria o silêncio e então Bárbara poderia dizer o que tanto gostaria, mas era difícil e tudo cansava.
            Bárbara é obediente e não ousa passar por qualquer barreira que a leve ao mundo real antes da permissão de seu intermédio real-imaginário, que seria a menina. Suplica por qualquer palavra mas não sabe de onde tirar. É difícil pensar.
            É difícil e tem vontade de chorar, mas não o faz.
            É a hora da verdade e a verdade exige grande silêncio de meditação. A verdade é dita pelo pássaro mas este não diz nada. A verdade é expressa por telepatia ou qualquer outra coisa que não consigo raciocinar no momento. O tempo é meio pau-sa-do e quando se vê o cenário é assim: a menina olhando o pássaro, o pássaro, que há pouco ousara levantar sua cabeça imunda, erguendo seus olhos miúdos e temerosos para a menina. Bárbara é uma estátua imaginária colorida e nada diz nada sente nada faz.
            A menina hesita, encara Bárbara, que a ignora, queria acabar logo com aquilo, estava agonizando-a.
            Foi quando, escrupulosamente, abre-se a portinha da gaiola. O pássaro tem medo e se contorce um pouco. Olha a menina e ela o pega pela barriga e o joga para longe.
            Ele não entende. Está confuso, está no ar batendo as asas para não cair. Sim, tem medo mas voa. Nunca aprendera a voar mas voava. Tinha medo dessa liberdade dada gratuitamente da menina, tinha medo de viver porque nunca vivera antes e achava perigoso: desde sempre havia achado a gaiola o lugar seguro para os pássaros. Mas não tinha escolha agora. Voava para qualquer lugar e sentia o ar, sentia a vida, que logo percorria por todo o seu corpo magricelo e imundo, sentia-se vivo e feliz. Sentia um pouco de frio porque anoitecia, mas pouco se importava também. Às vezes aventurava-se voando de quando em vez com os olhos cerrados, aproveitar um pouco mais aquele momento. Pássaros não riem mas ele estava rindo e sorria de uma forma que tornava o mundo inteiro feliz. Uma vez até piou de tamanha felicidade. Era bom viver.
            A menina é chamada pela mãe. Daqui a pouco anoitece. Não tinha desculpa alguma para o “desaparecimento” do pássaro. Olha para o lado mas Bárbara não está lá. Levanta-se, pega a gaiola e entra em casa.
            Chega uma hora em que nada é mais que um devaneio e a realidade chega a ficar em segundo plano. Não sabia nada mas vivia, até estava gostando dessa ignorância pura, e era bom.
            A cantar, a rodopiar, a rir, a piar, a cantarolar, a dançar, a viver, a... BUM. BUM. O barulho é baixo mas o silêncio após é tão alto que chega a doer os ouvidos. Ele cai nas folhas amareladas e os olhos estão arregalados. É quando percebe-se que duas crianças brincavam com estilingue e um deles o acertou na cabeça. Percebem, veem o animal morto, e saem correndo. O pássaro caiu e agora o silêncio é tão grande que parece que já estamos no funeral. Sua respiração é abafada mas o silêncio grita e o interrompe. Está tonto. Sente o cheiro de terra úmida e sorri. Ao redor, ninguém vê nada. É um pássaro magro, fraco, vadio, quem repararia? Os olhos vão se cerrando. Ainda não escureceu. O crepúsculo se aproxima.
            Ele sorri pela última vez. Morre feliz.
            O dia é cândido e álacre lá fora.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Você já ouviu falar em Kony?


O Youtube fez uma retrospectiva dos vídeos mais vistos do ano e foi aí que eu descobri esse movimento. Assisti ao vídeo de quase trinta minutos e em pelo menos quinze desses trinta eu tava chorando sem parar. Me emocionei muito com as imagens, fiquei indignada com a situação abordada no vídeo, me senti motivada e quis me teletransportar pros EUA pra poder ajudar de todas as maneiras que eu pudesse a erguer esse projeto. Daí, ainda assistindo, desanimei: foi postado há muitos meses atrás, as datas dos encontros em prol do projeto já passaram e minha compaixão estava era muito atrasada. Aí fiquei curiosa: no que será que deu? Se você não está entendendo nada do que eu tô falando, assiste o vídeo a seguir (sério, coragem, você não vai se arrepender):


Entrei no site e depois de quebrar a cuca (o layout é impossível) entendi que houve uma grande manifestação com uma festa no fim pra fazer com que os grandes políticos apoiassem o projeto, em Washington DC, ao redor da casa branca. Em novembro. Bleh, mais uma vez tarde demais. Procurei vídeos da manifestação no Youtube, vi que foi um sucesso (em termos de público) e a festa parece ter sido muito legal. Mas e o Kony? Não sei. Daí dei uma pesquisada no Google e apareceram muitos posts em sites pequenos com teorias que diziam que Kony (o projeto, não o terrorista) era uma farsa, ou que o vídeo tinha fortes truques de manipulação (isso aí é óbvio, já que são táticas de marketing que acabam sendo o único jeito de mover as pessoas a entrar num movimento), ou que Jason Russel (o fundador) era cristão e anti-gay e pretendia converter as pessoas pro cristianismo, blá blá blá. Fiquei muitíssimo desapontada.
 O que eu quero dizer aqui é que: não sei se é uma farsa, não sei se Kony já foi capturado (me parece que ele fugiu de Uganda e está desenvolvendo práticas cada vez mais elaboradas pra fugir da polícia), sei que não são todos os problemas do mundo que serão resolvidos se esse movimento der certo e esse grupo de terroristas específicos for capturado, mas sei que a gente tem que sonhar. A gente tá vivo pra isso, sonhar, ir atrás dos nossos sonhos e encontrar a felicidade em cada passo que damos em busca dele. Essa confusão toda só me levou a me perguntar: qual é o problema das pessoas em acreditar que alguém REALMENTE quer fazer o bem? Em sonhar com um mundo melhor? Em sonhar que existe gente que não seja egoísta e medíocre como elas? Por que sempre tem que ter algum espertinho "de olhos abertos" com uma teoria que prova que todo mundo tá sendo enganado e manipulado e ele tá certo?
 Eu sinceramente não acho que pessoas tão importantes e com uma boa reputação a manter (como grandes artistas e políticos, inclusive Barack Obama) fossem se envolver em uma farsa por dinheiro ou pra disseminar suas crenças pelo mundo. Aliás, se for esse tipo de crença que eles querem disseminar, eu estou orgulhosa de me permitir ser manipulada. Antes uma sonhadora cega que um amargurado neurótico e pessimista. Eu quero sim acreditar em um mundo melhor e em outras pessoas que queiram o mesmo, assim como ajudar como eu puder. Pra mim, isso é só mais uma demonstração de como sempre vai ter alguém pra tentar te fazer desistir dos seus sonhos. Sabe aquele papo de "quando a esmola é demais o santo desconfia"? Sinceramente, eu acredito que se seu coração te disser pra seguir, não tem que desconfiar não. Se você for enganado, foi. Se se decepcionar, fazer o que? Mas nada supera o sentimento bom de estar fazendo algo bom em prol de outras pessoas. Você saber que fez sua parte já é mais que o suficiente.
 Ufa! Quando começo a falar de assuntos polêmicos não paro mais. Mas e então, qual é a opinião de vocês? Quero muito saber, de verdade. Comentem!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pura!



Felicidade.
  Finalmente. Finalmente posso sentir, quem sabe pela primeira vez (de maneira consciente) essa sensação que todo mundo escreve sobre. É maravilhosa! Ninguém havia me dito quão bom é sentir a alma pura, leve, vazia e ao mesmo tempo cheia de tudo que há de positivo nesse mundo e nos outros tantos. A vida, antes tão escura e pesada, agora se mostra sorridente enquanto me abraça e me aninha. 
 O vento não é mais incômodo, as centenas de pessoas ao meu redor só fazem me trazer energia, o sol me beija a testa e a geada me faz sentir cada parte de meu corpo em funcionamento. As cores são mais fortes, as orações mais poéticas (sejam quais sejam) e as sensações vêm num alvoroço de quem nunca passou por aqui. 
 Ó alma, pecado meu demorar tanto para conhecer toda tua vastidão, teu poder, tua profundidade! Tu, minha querida, és única e simplesmente a responsável por tudo que se passa entre todos os seres e as coisas. Quero te explorar, mergulhar, me perder mais para mais vezes me encontrar nesse êxtase absoluto que é achar o caminho certo. Ó, minha alma, acabo de descobrir que, afinal, meu grande amor e razão de viver (bem) és tu.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Por um triz.


Se eu tivesse uma doença letal, daquelas que não te impõem uma data, mas que dizem que é pouco tempo, jogaria tudo para o alto e viveria a vida que eu sempre quis. Largaria colégio, emprego, e qualquer outra obrigação que remeta ao futuro. Comeria todos os doces mais gordurosos do mundo, e beijaria os rapazes mais bonitos daquela festa. Leria os livros mais caros da prateleira e viajaria o mundo conhecendo novas pessoas e novos amores. Não me apegaria à ninguém, claro. Visitaria a Torre Eiffel, as pirâmides do Egito, e os parques e museus do Canadá. Passaria as noites na beira da praia e dormiria de baixo das estrelas. Ah, faria tanta coisa. É claro, seria tudo na medida do possível. No entanto, veja só como a vida é engraçada: eu só viveria "feliz" a partir do momento que a vida estivesse por um triz. É como se na minha convicção eu existisse pra sempre. É como se eu tivesse certeza de que morrerei depois dos 90, por isso teria anos de vida pela frente. É como se eu adiasse essa felicidade porque supostamente viverei tempo suficiente para que ela chegue e permaneça.
"Vivo" o hoje pensando no futuro, quando ele pode nem existir. Talvez eu morra amanhã... de infarto, ou assassinato, ou atropelamento. Eu sei, há infinitas possibilidades. Mas por algum motivo não deixo de pensar que preciso estudar, cursar uma faculdade, trabalhar, ganhar dinheiro, casar, e finalmente, quem sabe, ser realmente feliz. Talvez isso seja culpa da sociedade que nos impõe tais "metas" para a vida. Mas talvez isso seja minha culpa por apenas acreditar neles, sem contestar qual é o real propósito da vida.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Espera e ama


Vem, Amor. Vem e traz contigo aquele monte de paz, sorrisos e esperança. Traz aquela frase bonita que me faz bem, aquele carinho que me bagunça inteira. Traz, traga. Traga comigo essa fumaça que anda nos rodeando e respira o ar que só os amantes têm por direito.
 Mas se não vier, se não trouxer, se não tragar nem respirar, tá tudo bem; desde que não tente me fazer acreditar que não os quer. Amor, eu sei. Você pode enganar aos outros, mas em cada palavra sua eu sinto o que sente. Não deixe de olhar para mim quando estivermos pertinho, que eu sei que o faz escondido.
 Então tem duas opções: vir ou fugir. Mas vem, vai. Vem pra que nos abracemos e nos beijemos e nos amemos sem receio e sem vergonha. Pra que eu conheça a ti, a mim e ao mundo dos namorados. E seremos tão felizes! Me faça conhecer a felicidade!
 E se demorar, pra mim não importa...até que é gostoso esperar enquanto se ama.

Medo da tal felicidade.



Ela disse: Estou com tanto medo…
E eu perguntei: Por quê?
Aí ela respondeu: Porque estou me sentindo profundamente feliz, dr. Rasul. E uma felicidade assim é assustadora. 
Voltei a perguntar por quê, e ela prosseguiu: Só permitem que alguém seja assim tão feliz se estão se preparando para lhe tirar algo.

O Caçador de Pipas.

sábado, 3 de março de 2012

E de repente.


Eu voltei a sorrir, tudo acabouacontecendo tão naturalmente. Não é mais aquele sorriso forçado sabe Zé? Antes, parecia que eu estava tão isolada de mim mesma, tão distante, mas ai de repente, toda aquela alegria voltou pra mim, parece que pela primeira vez na vida, eu estou fazendo algo certo, algo que seja para mim, e não para os outros, e em troca, ganho a minha própria felicidade. Me preocupava tanto com o que fazer, o que falar, tentava ser a melhor para os outros, percebi que era tão boba, ao ponto de não me colocar em primeiro lugar, ao ponto de ligar pras criticas, isso não faz sentido, a vida é minha, e quem coordena ela, sou apenas eu, não os outros. Estou tocando a minha vida, e pela primeira vez, me sinto bem comigo mesma, estou cheia de sentimentos, cheia de esperanças, não quero mais lamentações, eu estava sendo tão errada comigo, mas agora, eu não quero nenhum tipo de recordação do passado, que acabou não dando certo. Vou seguir apenas em frente sem tropeços, fazer meu caminho, criar meu futuro. Espalhar minha felicidade pelo mundo a fora, me libertar de todo esse tempo que eu sofri, exclui todas memórias daquele passado sombrio que sempre me aterrorizava, aproveitar ao máximo a vida e ver o lado que realmente é bom dela. Percebi o quanto a vida é bela estou vendo o lado dela que eu nunca tinha visto, a vida fica bem mais bonita quando você sorri, o quanto errada eu era para julgá-la, tudo fica bem melhor quando se tem felicidade, tomara que toda essa felicidade não seja passageira, que eu viva realmente feliz.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Um dia você volta atrás.


Ele te convence. Chora. Te pega de jeito. E você lembra que ninguém beija como ele, ninguém abraça como ele, ninguém olha como ele, ninguém ri como ele, ninguém te enlouquece como ele. E você decide que ele é o homem da sua vida, afinal, se já sofreu tanto, se envolveu tanto, se ferrou tanto, meu Deus do céu, tem uma coisa muito boa guardada pra mim. Ninguém sofre tanto assim sem recompensa. Se vocês já passaram por tanta coisa juntos é porque o final vai ser feliz.

Clarissa Corrêa

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Era isso que eu era, não é?


Apenas um curativo. Para tapar todas as feridas que ela deixou. Para esconder qualquer buraco que ela tivesse aberto no seu coração, certo? Não há mais razões pra mentir. Até porque é geralmente assim que as pessoas procuram novas companhias, novas amizades, novos amores. Para tentar esquecer os antigos. São como leis da vida. Não te culpo por isso. Gostaria apenas que tivesse sido honesto comigo desde o começo. Tudo bem, não precisa tanto drama assim, não é? Até porque foi assim que nos conhecemos, dessa maneira meio boba, mas que gerou até uma amizade bonita. Poderia nunca mais acabar. Você sabe, isso que eu chamo de carinho. Essa coisa de ficarmos acordados a madrugada toda, de você brincar com meu cabelo e eu odiar isso, de eu ficar horas e horas ouvindo suas histórias malucas e suas piadas que não fazem o mínimo de sentido, além de todas as pequenas surpresas que você me fazia e das suas frases sempre inteligentes que faziam meu dia brilhar. São coisinhas assim que me fazem feliz. Ou talvez seja apenas... Você.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O que eu era e o que eu sou.


Eu nunca gostei de chorar em público, dizer o que eu sentia ou me aventurar em loucuras. Sempre fui uma 
pessoa muito fechada, introvertida, que não gostava de fazer amizades e que não conseguia manter uma conversa por mais de cinco minutos. Não posso dizer que eu tinha depressão ou era altista, já que tinha amigos e era feliz. Até que eu conheci alguém que jogou tudo isso na minha cara: que eu deveria parar de ser assim. E botar tudo pra fora! Falar do que eu sentia com as pessoas ou simplesmente achar outro meio de liberar todo esse sentimento, esse rancor, essa mágoa que eu carreava por tanto tempo, que estavam escondidos tão bem que até mesmo eu deixei de perceber que elas existiram um dia. Depois desse banho de lições de moral, e muitas lágrimas e incompreensão, decidi que minha vida mudaria, porque era esse acúmulo de sentimentos e ressentimentos que fazia minha doença piorar.
A partir daquele dia, minha resposta para as perguntas do porquê eu faria isso ou aquilo deveria sempre ser "porque eu gosto", "porque eu quero", "porque eu tenho que fazer isso antes de morrer". Tais respostas vêm sendo importantíssimas para construir o meu eu de hoje. O meu eu que não guarda mágoas, que pensa também na felicidade, que não deixa de fazer alguma coisa porque os outros vão pensar mal, que enxerga o mundo com outros olhos, que não é amigo de alguém por obrigação e que valoriza as pessoas que a valorizam.  As consequências? Essas fazem parte do meu amanhã. O amanhã? Nunca viverei. Vivo o presente e morrerei nele.

Thais Katsumi.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

E eu vou ser assim.



Invisível. Sóbria. Transparente. Eu sempre vou cair sem ter ninguém pra me ajudar a levantar. Eu vou sempre enfrentar as coisas sozinha e saber que não aguento mais. Eu nunca vou sorrir para demonstrar felicidade e sim pra esconder tristeza. Eu vou desaparecer. Sumir. E quer saber? Ninguém vai sentir falta.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Só o que eu quero.


Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, to despreocupado, com a vida eu to de bem.

Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Enough.


Todas as vezes que você diz que ninguém te ama, que ninguém pode te fazer feliz, e que se sente só; é como se você arrancasse um pedaço do meu coração. É como se meu amor não fosse suficiente pra te fazer feliz quando estou contigo, mesmo que não seja em carne e osso.

Thais Katsumi.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Nunca vamos aprender.


O amor quando vem não manda recado. Vem porque vem. Vem porque tem que vir. Vem porque tem que acontecer.
E como seria bom se entendêssemos de uma vez por todas a amar como os animais, cuja única preocupação no amor é se amam ou não.
Não importa a cara, o corpo, a religião, a condição social.
Não importa o curso na faculdade, se fez faculdade, se escreve certo ou errado.
Eles não se importam se você é branco, negro, preto, amarelo, azul, et ou se você nem é alguém. Eles nos amam porque assim o sentem, porque assim o desejam.
Eles não se importam se a comida que você deu é de ontem, se a água está fresquinha. Eles lembram que você os alimentou, e por entenderem isso como um gesto de carinho. Então retribuiem este carinho.
Eles não se importam se você foi embora. Se você demorou pra voltar. Eles nem entendem por que você some às vezes. O importante pra eles não é quanto tempo se passou, mas quanto tempo ele fica com você. Por isso ficam tão felizes com a chegada, e não ficam te cobrando se demorou. Porque eles não têm tempo pra isso. Eles vivem menos. Pros cachorros, cada ano deles vale 7 nossos. Isso significa que cada  mês valem 14 meses, mais de 1 ano. Cada dia vale 1 semana. E cada voltinha de 20min significa 140min com você.
Então, aprenda a amar como um cachorro. Ele deita do seu lado em silêncio. Eles têm a memória fraca. Se recebe uma bronca agora, em 1 minuto já tá correndo atrás de você pra brincar.
Talvez seja por isso que eles vivam menos: porque eles entendem de uma vez o jeito certo de amar. Nós, os verdadeiros irracionais, precisamos de quase 100 anos pra aprender a amar. E nunca aprendemos de verdade.

Uma falha na memória.


Nos fazem acreditar que para sermos felizes precisamos estudar, cursar uma boa faculdade e ter um emprego que nos traga fama ou dinheiro. Dizem que quanto mais inteligente formos, maior será nossa chance no mercado de trabalho. E que isso é o mais importante de tudo. Nos fazem ficar noites e noites sem dormir. Semanas, meses ou até anos estudando. E chorando, quando não conseguimos conquistar o que eles nos ensinaram a desejar. No entanto, eles esqueceram de nos informar que nem sempre esse é o caminho da felicidade, e que não estamos dando valor às pequenas coisas da vida, como um sorriso, um abraço, ou até mesmo um passarinho que acorda para nos desejar um bom dia. Também esqueceram de dizer para não deixarmos de lado nossos amigos, porque são eles que nos colocam de pé todas as vezes que caímos. Esqueceram de nos informar, que educação não é saber quanto é 1+1, e sim saber olhar nos olhos e oferecer a mão. Talvez tenham esquecido que somos humanos e precisamos viver. Porque eles podem não ligar, mas apenas sobreviver... se tornou cansativo.

Thais Katsumi.

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