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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ame menos.


Teus olhos te denunciavam, garota. Era fácil demais te ler. Te lia nos mínimos detalhes, sem você precisar ter escrito uma palavra. Seu diário não dizia nada mais do que eu já sabia só de te olhar. E naquele dia, minha menina, eu vi a tristeza que você carregara durante o último mês que obriguei-te a não me ver. Você mordia seus lábios para calar teu choro. Um choro que queria a todo custo sair. Mas seu orgulho nunca deixara espaço pra demonstrar qualquer fraqueza perfeitamente aceitável, não é, menina?

Meu sumiço fora necessário.

Talvez assim, garota, você finalmente esquecesse que um dia amou-me. Talvez, pequena, deixar de me ver fosse a melhor coisa pra você, porque não era pra mim. Você sempre soube que eu gostava de ti. Mas você amava-me. Amava-me tanto que eu nunca conseguiria retribuir uma migalha desse sentimento. Meu sentimento não era suficiente pra você, eu sabia disso. Você, não. Você não sabia que seu sentimento era tão grande. Você não sabia que sofreria tanto só dos teus dedos deixarem de procurar pelos meus enquanto estes tentavam afugentar-se.

Eu soube que ainda me amava quando seus olhos imploraram-me por um amor que eu não sentia. Você soube que eu tive pena. E foi isso que te fez erguer a cabeça e virar para o lado oposto ao que eu estava. Você é forte, minha menina. Talvez você realmente seja a garota feita pra mim. Talvez eu me dê conta disso tarde demais. Talvez eu já saiba disso. Talvez... Talvez eu só deseje que você encontre alguém que realmente te ame como você me amou. E espero que você ame menos. Porque quem ama menos não passa noites sem dormir, nem acorda com os olhos inchados. 

Porque você merece amar menos de vez em quando, garota.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A garota de volta então.


Passou despercebida pela maioria por ali. Seus passos eram tão rápidos que mal pude notar as lágrimas que caíam de seus olhos. No entanto, por algum motivo o tempo parou para eu vê-la em câmera lenta - como nos filmes quando mostram alguma beldade com os cabelos a voar - e apesar da sua cabeça baixa ocultar toda a tristeza que carregava em si, eu percebi.

Cogitei milhões de histórias com finais tristes, e cheguei a conclusão de que aquele não era seu final. Parecia mais com o precipício que todos nós tropeçamos num certo momento da vida. Portanto também não acreditava que seu final seria feliz - não acredito em finais felizes -, mas que aquele definitivamente ainda não era seu fim. Tinha muito o que viver. Era notável sua inexperiência, sua sensibilidade, e o medo que transbordava seu peito. Tinha medo de viver. De sofrer novamente. De amar. Amor... o que é isso afinal?

Também não descobri, garota. Eu quis gritar.

Seu jeito de andar entregava a menina cheia de sonhos destruídos. Devia ter procurado o príncipe encantado e nem sapo apareceu. Talvez ela fosse dessas meninas que vivem nos livros que adoram iludir as mentes mais frágeis. Talvez ela tenha decorado diálogos que não terminaram como o planejado. No entanto, quem sou eu para dizer o que aconteceu à ela naqueles dois ou cinco últimos minutos. Talvez ela estivesse chorando por dias a fio.

Tive vontade abraçá-la e dar conselhos com metáforas sem sentido, protegê-la daquele mundo que não era o dela, fazer papel do príncipe encantado, e até trancá-la numa torre para ninguém mais machucá-la. Só que não era justo, eu sabia. Deixei-a correr pra longe de mim. Amanhã ou depois, quem sabe, ela não esbarra em mim e descobre que eu sou o cara da vida dela...

sábado, 4 de maio de 2013

Seu pulso.


eu fico aqui me acotovelando com esses imbecis por sua causa, garota. eu tô aqui, aturando a cara amarrada desse barman ridículo por sua causa, girl. e eu sei que seria muito mais eficiente da minha parte se eu simplesmente falasse isso pra você ao invés de apenas pensar e ficar atrás de você com cara de merda. seria muito melhor, para mim, e para você também, eu te garanto, se eu tomasse as rédeas de toda essa situação agora, se eu te pegasse pelo pulso, esse seu pulso lindo que eu quero colocar no meu nariz agora, mas que não é possível por causa dessa turbulência de baladinha da moda, enfim, se eu simplesmente te pegasse no pulso e gritasse, “vamos sair dessa merda, agora, eu quero te amar, porra”. mas eu sou um frouxo mesmo e é festa de aniversário de amiga, ninguém aguenta mais esses rompantes de romantismos babacas, você ficaria brava e eu não quero perder esse seu pulso agora. agora não. ainda bem que você tem esse pulso, menina.

Escrito por J. Castro.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Desenho: Nadia Esra.


Pra quem não sabe, desenhar é um dos meus milhões de hobbies. Me aprofundei em desenhos realista, e estou tentando mesmo ficar rica com isso (mas tá difícil haha). Esse foi o último desenho que eu fiz, a Nadia Esra. O que acharam?
Vocês podem acompanhar meu trabalho pelo meu Deviantart.
E estou recebendo encomendas também! É só me mandar um email thaiskatsumi@hotmail.com que eu posso ver um preço bem bacana pra vocês.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Venosa.

Venosa from oruminante on Vimeo.

"Uma menina acorrentada num calabouço. Uma mãe que ainda a trata como uma bonequinha. E lá de fora, sua outra à espera. Lá, entre as ruínas e os campos de girassóis mortos, a música que sua liberdade gosta de cantar… Ana Zumpano e Giovanna Degane protagonizam esta história sensual sobre como valhe a pena fugir de casa…"

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O sangue que corre é vida.



O batom vermelho denunciava a última tentativa de suicídio.

por que batom?

por que vermelho?

por que suicídio?

A jovem moça, nua, jogada na banheira, fitava o teto com olhos cegos. A pulsação fraca. O sangue escorrendo pelos lábios de preenchimento labial. Silicone nos seios, invisíveis, agora cheios de sangue.

desilusão amorosa. mas o que é o amor, senão uma ilusão?

No jornal do dia seguinte, a manchete. “Jovem perua tenta se matar”. Ou menos suicídio e mais batom.

não era suicídio, era sangue.

não era vermelho, era sangue.

não era batom, era sangue.

Vermelho é a cor com a qual costumamos pintar os corações que desenhamos na contracapa de nossos cadernos de escola. Por que vermelho? Cor macabra. Cor de sangue, e imagino que ninguém goste de sangue. Sangue vem com tentativas de suicídio, por menores que sejam.

tentativas de suicídio. Cada ferimento, cada passo para se auto-destruir, uma tentativa de suicídio.

ou talvez duas tentativas de suicídio.

“Jovem perua apenas tentou se matar. Cortar os pulsos não foi o suficiente, ou seja lá mais que merda ela fez. Só sei que a família quis internar”

não, não usariam uma linguagem tão informal nos tablóides.

“O namorado trocou ela por outra. Achei ela idiota de tentar se matar. Eu iria atrás da piranha e usaria essa minha loucura toda pra matar ela”

não

era

suicídio.

era só o sangue que saía do nariz preenchendo os lábios. Mais nojento do que batom-vermelho, talvez.

domingo, 10 de junho de 2012

Me doa!



 Pior que chorar é não chorar. Pior que entristecer é sorrir por sorrir. Não sei se é uma doença que adquiri pro resto da vida (ou só adolescência mesmo), mas o fazer mal da dor me faz bem.
 É mais um texto tristonho e sentimental sobre você. Mais um texto porque é aqui que esvazio a alma e me sinto livre pra dizer que quero ser triste. Você não me dá nem o direito de ser triste a longo prazo, amor! 
 O papel em branco me faz um convite "venha cá, não quer navegar um pouco? virar mar e se afogar nas letras que escreve e nas lágrimas escondidas nelas?" e eu não tenho outra opção que não aceitar. Aliás, antes aceitar que recusar e viver a resguadar o que precisa ser sentido. E me desculpe por escrever palavras um pouquinho mais difíceis e tentar deixar isso bonito, é só que acho que meu amor merece. 
 Falando sobre aparências, gostaria de descrever como anda dentro de mim: você sabe, quando tudo estava "bem" entre nós não havia nada que não estivesse quebrado dentro de mim. Estava toda ferida e deve ter sido um castigo do meu coração por eu tentar ser mais feliz do que devia. Ai você chutou tudo pro alto e, basicamente, meu Eu virou só lágrimas. Elas sempre existiram e sempre consegui comporta-las, mas dessa vez eram tantas que transbordavam de maneira descontrolada. E então o tempo passou. Dei uma secada e os sentimentos foram ficando novamente proporcionais aqui dentro. Certas vezes pude até sentir alguns deles ganhando cor e se enfeitando de glitter. Mas acho que tenho um tempo-limite de felicidade, porque olha, não a aguento mais. É como se o barco se sentisse incomodado por não ter mais onde navegar e solicitasse timidamente um pouquinho de água para seu lazer. Muito abstrato? Sou abstrata. Ando abstrata e não me entendo de maneira alguma, mas pelo que pude constatar, estou escurecendo e me afogando novamente aos poucos. Ou pelo menos gostaria que fosse assim. 
 Sei lá. Talvez seja só saudade do gostinho salgado e da sensação gostosa das lágrimas me esquentando a pele e o coração. 

domingo, 13 de maio de 2012

Que amor é esse?


"Eu a amo de verdade" - Ele repetia incansáveis vezes enquanto olhava para uma foto dos dois.
Mas é claro, isso não era nenhuma novidade. Não importava quantas garotas lindas passassem na sua frente, ele persistia repetindo o quanto ele a amava - aquela garota que mexeu com seu coração durante o que ele chamava de vida.
E depois de um tempo desejando silenciosamente algumas das garotas que por ele cruzavam, prosseguiu: "Sou homem, tenho meus defeitos. Às vezes não penso ao agir. Mas você sabe, é ela que eu amo, porque nós vivemos tantas coisas lindas juntos."
Aquelas frases soavam tão iguais e previamente organizadas que agora já não pareciam mais verdadeiras. Pareciam ensaiadas, como um discurso de arrependimento, ou provavelmente uma cobrança em cima de si mesmo afim de ser mais leal. Pois apesar de amá-la incondicionalmente, ele errou... e pelo visto, continuava errando.
Era assim que ele seguia a vida. Mentindo para os outros, fazendo-os acreditarem que ele era um cara diferente. Mentindo para a namorada, fazendo-a acreditar que não havia mais ninguém senão ela. Mentindo para si mesmo, acreditando que nada daquilo era errado demais para ser considerado traição.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Do que elas nos ensinam.


Mulher aprende e prova que a sua maior força pode estar em deixar eles pensarem que você é frágil. Mulher vem de um modo irritantemente perfeito mostrar que não tem como fazer algo dar certo sem pensar em todos os detalhes e sem gastar tempo para fazer acontecer - de arrumar para aquela festa até aquele sonho de mudar o país, você vai ter que se dedicar! Mulheres descobrem super poderes em tesouras, chocolates e notas de dinheiro e são capazes de superar qualquer dor com um novo corte, um bombom trufado ou uma tarde de compras adquirindo o que não vão precisar amanhã, para ter o que precisam hoje, agora. Mulher tem a audácia de sempre dizer, com riqueza de detalhes, o que pensa, o que sente e o que gostaria que você fizesse. Quem mais é capaz disso? Não, homens, a gente camufla problemas, elas sim resolvem. Mulheres já vieram equipadas com o que há de mais moderno e são capazes de muitas coisas ao mesmo tempo, bem antes de inventarem o microprocessador do mais potente computador. Mulher esfrega na cara do mundo que elas não são as idiotas que acreditam que o amor pode durar para sempre, elas não querem que seja eterno, querem que seja terno, elas só querem que o amor valha a pena enquanto durar (95% dos divórcios são pedidos por elas, bobinho!). Mulheres nos ensinam que você tem o direito de uma vez por mês ser a pessoa mais insuportável do mundo com alguém desde que no restante do tempo você seja a pessoa que faz o mundo ser suportável. Mulher comprova que mudar de opinião pode ser o único jeito de ter uma opinião realmente sua. Mulher te prova que clichê é não ser você. Mulher tem a força de saber que não deve haver vergonha em derramar lágrimas, vergonhoso é provocá-las. Acima de tudo, mulheres nos ensinam a viver com paixão,  a não aceitar o mais ou menos, a nos incomodarmos com o que está fora do lugar - seja o perfume na prateleira ou o caminho pelo qual as pessoas no mundo tem caminhado -, a reconhecermos a beleza no que passaria despercebido - aquele botão de rosa no jardim da esquina, a primeira risada do bebê, o viço na pele do colega de trabalho que está finalmente amando. Quem é mais macho do que uma mulher quando se trata de amor? Elas são capazes de dizerem ao mundo que amam, de assumirem riscos e são loucas (ou lúcidas) o suficiente para amarem sem receberem o mesmo amor de volta. Admiro a mulher principalmente por uma capacidade que poucos homens têm: a de amar e se entregar, sem medo. Mulheres, por nos darem a vida e por viverem, de verdade viverem, tenham um feliz dia a cada dia, todo dia.

domingo, 22 de abril de 2012

Não me pede pra falar mais baixo,



Pra puxar a saia, pra beber menos. Não fica triste quando me encontrar fumando sozinha sentada na sacada do meu apartamento do vigésimo andar. Não se irrita quando eu não quiser te dizer, quando eu te beijar em vez de moldar minhas dores todas a algo que você possa entender e não se doer. Respeita meus silêncios, ri dos meus medos, da minha pele que tanto esquenta rápido, quanto congela. Não tenta me entender. Ou você pode, ou não pode, não insista. Me dá a garrafa quando eu pedir, e se tiver o azar de me ver chorar só murmura um samba antigo que passa. Não sou pontual, não sou racional, e também não sou nem serei tua. Lê nos meus olhos o que eu preciso, que eu tenho preguiça de quem não sabe ver.

Nos vemos na próxima lua cheia regida em saturno, seja lá o que isso signifique. Quando eu cansar de mim e for te procurar.

domingo, 1 de abril de 2012

Te ter.


De longe, pude reparar no seu leve rebolado que gritava por elogios enquanto se escondia entre suas curvas mais discretas. Não podia ver seu rosto, e ainda assim tinha a plena certeza de que estava a sorrir. Portanto, não importava o quanto eu te tinha naquele dia, eu nunca teria esse sorriso, mesmo que ele me fizesse mais feliz que quaisquer outros. Só que, do que adiantava ter seu corpo, quando não tinha seu coração? Eu não sabia a resposta, mas era mais fácil acreditar que ainda tinha uma parte de você.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Bom dia.


Olha as flores que eu trouxe pra você, amor. São pra comemorar aquele dia que passei a viver do teu lado. Eu me lembro, entre nós não havia quase nada. E agora é só você que me faz cantar. Havia mil motivos pra eu não estar naquele show, mas o nosso destino foi escrito sob o som de uma banda qualquer. Eu me lembro, em setembro conheci minha mulher. E agora é só você que me faz cantar.


Los Hermanos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Acorda, menina.


Só porque ele te olha nos olhos e sorri - aquele sorriso torto e meio sem jeito - não quer dizer que ele queira seu sorriso de volta. Quando ele segura suas mãos, não é porque ele precisa sentir o roçar das suas peles. E aquelas vezes que ele te abraçou, foram abraços que não significavam proteção. Ele faz isso porque é menino. Menino de tudo, sem medos, sem preocupações. Ele só te quer por perto, por algum tempo. Não quer compromissos, nem nada que o prenda. Ele precisa de contato, precisa de carinho, só não quer mais que isso. Ele quer se sentir parte de alguém, sem pertencer a tal. Mas não fique triste, menina. Só não se apaixone de novo, você sabe que não vale a pena. Apenas aproveite esse momento. E torça pra que ele ache alguém, que não precisa ser melhor que você, pois você sabe como ele não gosta de comparações. Deixe que ele se leve. Deixe que ele se encontre. Não tenha pressa, menina. Um dia ele vai te enxergar como você sempre quis. Portanto, menina, não tenha esperanças de nada. Você sabe mais do que ninguém como ele gosta de machucar corações.

terça-feira, 20 de março de 2012

A garota séria.



- Como você acha que a menina tem que se comportar para ser levada a sério?
- O primeiro sorriso dela tem que vim da alma, os outros precisam ser tímidos e esconder a história dela. Ela não pode sair falando tudo, precisa saber a hora de falar de si, de confiar, porque ninguém gosta de quem perde a graça cedo.
Depois ela precisa ter algum sonho bonito na vida. Mesmo que seja um sonho bem escondido, mas alguma coisa assim que faça o olho dela brilhar e todo mundo ficar se perguntando por que aquilo.
Ela tem que saber dançar uma música calma. Tem que segurar forte a mão e ser fiel. Ela pode sair pra festa, conhecer pessoas, ter histórias com elas, mas ela não pode achar que todas são o amor da vida dela, não pode banalizar o amor porque todo mundo reconhece uma pessoa assim de longe, e já perde metade do valor.
Não pode ter mil namorados e ter fotos no facebook com todos com quase as mesmas legendas. Não pode.

Camila Costa

sábado, 3 de março de 2012

E de repente.


Eu voltei a sorrir, tudo acabouacontecendo tão naturalmente. Não é mais aquele sorriso forçado sabe Zé? Antes, parecia que eu estava tão isolada de mim mesma, tão distante, mas ai de repente, toda aquela alegria voltou pra mim, parece que pela primeira vez na vida, eu estou fazendo algo certo, algo que seja para mim, e não para os outros, e em troca, ganho a minha própria felicidade. Me preocupava tanto com o que fazer, o que falar, tentava ser a melhor para os outros, percebi que era tão boba, ao ponto de não me colocar em primeiro lugar, ao ponto de ligar pras criticas, isso não faz sentido, a vida é minha, e quem coordena ela, sou apenas eu, não os outros. Estou tocando a minha vida, e pela primeira vez, me sinto bem comigo mesma, estou cheia de sentimentos, cheia de esperanças, não quero mais lamentações, eu estava sendo tão errada comigo, mas agora, eu não quero nenhum tipo de recordação do passado, que acabou não dando certo. Vou seguir apenas em frente sem tropeços, fazer meu caminho, criar meu futuro. Espalhar minha felicidade pelo mundo a fora, me libertar de todo esse tempo que eu sofri, exclui todas memórias daquele passado sombrio que sempre me aterrorizava, aproveitar ao máximo a vida e ver o lado que realmente é bom dela. Percebi o quanto a vida é bela estou vendo o lado dela que eu nunca tinha visto, a vida fica bem mais bonita quando você sorri, o quanto errada eu era para julgá-la, tudo fica bem melhor quando se tem felicidade, tomara que toda essa felicidade não seja passageira, que eu viva realmente feliz.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O nosso poste.


Dali, só conseguia ver quatro postes de luz, o quarto ainda queimado, desde dias atrás. Embaixo do primeiro, estava você. Sua blusinha caía no seu ombro, deixando em evidência o que eu procurara esquecer desde aquela última noite. Sua franja cobria qualquer filete de luz que tentasse passar através dos seus fios de cabelo, o que impossibilitava ver seu rosto. Ainda assim era claro que não estava feliz. A parte boa era que eu estava em um lugar estratégico para que você não me visse, o que me dava pontos a mais. O motivo de você estar ali, era o mesmo de sempre. Você dizia que embaixo daquele poste a visão daquela rua lhe trazia boas lembranças, boas energias. E é claro, aquilo tinha a ver conosco, mas você nunca falava sobre isso quando eu perguntava.
Desde aquela noite, tenho te observado todos os dias após sua rotina de trabalho. E em todos esses dias, você passou por essa rua, olhou as mesmas casas e parou de baixo do mesmo poste. Nessa noite, diferente das outras, você me surpreendeu quando pegou seu celular e discou um número qualquer, que eu não pude identificar. Colocou o celular no ouvido e esperou, no ritmo das batidas do meu coração. Na terceira batida, senti meu celular vibrar. É claro, era você. Esperei mais dez batidas aceleradas, até que tomei coragem para atender.
- Oi.
- Vem aqui... Você sabe, o nosso lugar. Me desculpe por todas aquelas palavras, sei que não foram certas. Tudo bem, nem um pouco certas. Venho aqui por dias e tudo que consigo sentir é a falta que você faz na minha vida, e nas minhas noites de baixo do nosso poste...Vem aqui. Volta para mim.
Você sabe por quantos dias ando preocupado contigo? Tem noção de quanto você fez falta na minha vida? Toda aquela indiferença não fez sentido algum para mim, e agora você vem querendo se desculpar. Foi o que eu pensei em dizer. Mas respondi:
- Estou indo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sou tola.


Eu sou mesmo uma tola, mas me sinto deliciosamente tola… podem jogar pedras, magoar, machucar, mas recupero tão rápido que chega a ser impressionante. Tenho facilidade de cicatrização e tiro proveito disso. Está certo que umas feridas são mais profundas e demandam mais tempo para serem fechadas. Não existe milagre. Mas elas fecham. E novamente entrego-me para nova tentativa, mesmo com as chances de novos machucados. Não adianta, sou teimosa, turrona ou qualquer outra palavra que queiram usar para definir-me. Mas ninguém pode contestar o que digo. As provas são as cicatrizes que carrego e cada uma delas traz um nome, um sentimento, uma experiência. E verão que possuo várias com o mesmo nome. Está bem, não sou teimosa. Sou como disse no início, sou tola. Não importo de o ser, desde que sinta alegria no recomeço, na reconciliação, no abraço, no choro. Mais que alegria, sinto satisfação, sinto prazer. Amo as pessoas e o contato com elas. Amo conversar e desbravar outros universos. Amo gente. Amo amar gente.


Leca.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Um dia você volta atrás.


Ele te convence. Chora. Te pega de jeito. E você lembra que ninguém beija como ele, ninguém abraça como ele, ninguém olha como ele, ninguém ri como ele, ninguém te enlouquece como ele. E você decide que ele é o homem da sua vida, afinal, se já sofreu tanto, se envolveu tanto, se ferrou tanto, meu Deus do céu, tem uma coisa muito boa guardada pra mim. Ninguém sofre tanto assim sem recompensa. Se vocês já passaram por tanta coisa juntos é porque o final vai ser feliz.

Clarissa Corrêa

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Date a girl who reads.



Date a girl who spends her money on books instead of clothes. She has problems with closet space because she has too many books. Date a girl who has a list of books she wants to read, who has had a library card since she was twelve.

Find a girl who reads. You’ll know that she does because she will always have an unread book in her bag. She’s the one lovingly looking over the shelves in the bookstore, the one who quietly cries out when she finds the book she wants. You see the weird chick sniffing the pages of an old book in a second hand book shop? That’s the reader. They can never resist smelling the pages, especially when they are yellow.

She’s the girl reading while waiting in that coffee shop down the street. If you take a peek at her mug, the non-dairy creamer is floating on top because she’s kind of engrossed already. Lost in a world of the author’s making. Sit down. She might give you a glare, as most girls who read do not like to be interrupted. Ask her if she likes the book.

Buy her another cup of coffee.

Let her know what you really think of Murakami. See if she got through the first chapter of Fellowship. Understand that if she says she understood James Joyce’s Ulysses she’s just saying that to sound intelligent. Ask her if she loves Alice or she would like to be Alice.

It’s easy to date a girl who reads. Give her books for her birthday, for Christmas and for anniversaries. Give her the gift of words, in poetry, in song. Give her Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Let her know that you understand that words are love. Understand that she knows the difference between books and reality but by god, she’s going to try to make her life a little like her favorite book. It will never be your fault if she does.

She has to give it a shot somehow.

Lie to her. If she understands syntax, she will understand your need to lie. Behind words are other things: motivation, value, nuance, dialogue. It will not be the end of the world.

Fail her. Because a girl who reads knows that failure always leads up to the climax. Because girls who understand that all things will come to end. That you can always write a sequel. That you can begin again and again and still be the hero. That life is meant to have a villain or two.

Why be frightened of everything that you are not? Girls who read understand that people, like characters, develop. Except in the Twilight series.

If you find a girl who reads, keep her close. When you find her up at 2 AM clutching a book to her chest and weeping, make her a cup of tea and hold her. You may lose her for a couple of hours but she will always come back to you. She’ll talk as if the characters in the book are real, because for a while, they always are.

You will propose on a hot air balloon. Or during a rock concert. Or very casually next time she’s sick. Over Skype.

You will smile so hard you will wonder why your heart hasn’t burst and bled out all over your chest yet. You will write the story of your lives, have kids with strange names and even stranger tastes. She will introduce your children to the Cat in the Hat and Aslan, maybe in the same day. You will walk the winters of your old age together and she will recite Keats under her breath while you shake the snow off your boots.

Date a girl who reads because you deserve it. You deserve a girl who can give you the most colorful life imaginable. If you can only give her monotony, and stale hours and half-baked proposals, then you’re better off alone. If you want the world and the worlds beyond it, date a girl who reads.

Rosemarie Urquico.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Sem Ana.


De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca – de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrima chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo na boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.

Caio Fernando Abreu.

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