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sábado, 7 de julho de 2012

Assustadoramente amiga.


Seu coração não aceitava meios termos. Se estava quente, estava fervendo; se estava frio, congelando. Era feita dos extremos. Ou escondia do mundo, ou falava na cara. Não sabia o que era ficar em cima do muro. E também não tinha limites. Não sabia dos limites. "Limites?", perguntava. Virava as costas para as consequências, e nem ligava para sentimentos alheios. Sua autoestima era assustadoramente alta, por isso (e talvez outros motivos) só pensava nela, mas sabia bem que para conseguir o que queria precisava aparentar qualquer interesse pela felicidade dos outros. Sendo assim, fingia ter amigos para que estes lhe trouxessem bons frutos. Fora sempre assim: fazia amigos com a mesma facilidade que os perdia. Claro, nem todos se afastavam, até porque as energias que irradiavam dela era suficiente pra manter qualquer coração aquecido. Ela era assim, facilmente impressionável. Encantadora. Impossível seria não amá-la. Até, claro, conhecê-la a fundo. Foi por isso que a perdi. Foi por conta de todos os erros que ela passou a cometer. Foi por conhecer alguns de seus segredos que por muito tempo permaneceram bem escondidos. Ela não é má. Não é isso. Ela apenas foge do que eu preciso ao meu redor. Ela apenas me decepcionou, como pessoa, como amiga. Não estou dizendo que não podemos ter segredos, pois quem não os tem? Eles só não precisam vir acompanhados de mentira... De sujeira.
Apesar de tudo, se me perguntarem, não me arrependo do que vivi com ela. Foram ótimos dias, de muita cultura e risadas. Mesmo assim, esta é a minha decisão: me afastar. Não quero prejudicá-la, mas nem por isso preciso continuar fingindo uma amizade que já não existe mais. Então não digam que devo dar-lhe uma segunda chance. Assim como ela teve seus motivos para fazer o que fez, tenho os meus para não confiar mais em qualquer palavra que saia da boca dela.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O sangue que corre é vida.



O batom vermelho denunciava a última tentativa de suicídio.

por que batom?

por que vermelho?

por que suicídio?

A jovem moça, nua, jogada na banheira, fitava o teto com olhos cegos. A pulsação fraca. O sangue escorrendo pelos lábios de preenchimento labial. Silicone nos seios, invisíveis, agora cheios de sangue.

desilusão amorosa. mas o que é o amor, senão uma ilusão?

No jornal do dia seguinte, a manchete. “Jovem perua tenta se matar”. Ou menos suicídio e mais batom.

não era suicídio, era sangue.

não era vermelho, era sangue.

não era batom, era sangue.

Vermelho é a cor com a qual costumamos pintar os corações que desenhamos na contracapa de nossos cadernos de escola. Por que vermelho? Cor macabra. Cor de sangue, e imagino que ninguém goste de sangue. Sangue vem com tentativas de suicídio, por menores que sejam.

tentativas de suicídio. Cada ferimento, cada passo para se auto-destruir, uma tentativa de suicídio.

ou talvez duas tentativas de suicídio.

“Jovem perua apenas tentou se matar. Cortar os pulsos não foi o suficiente, ou seja lá mais que merda ela fez. Só sei que a família quis internar”

não, não usariam uma linguagem tão informal nos tablóides.

“O namorado trocou ela por outra. Achei ela idiota de tentar se matar. Eu iria atrás da piranha e usaria essa minha loucura toda pra matar ela”

não

era

suicídio.

era só o sangue que saía do nariz preenchendo os lábios. Mais nojento do que batom-vermelho, talvez.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Do que elas nos ensinam.


Mulher aprende e prova que a sua maior força pode estar em deixar eles pensarem que você é frágil. Mulher vem de um modo irritantemente perfeito mostrar que não tem como fazer algo dar certo sem pensar em todos os detalhes e sem gastar tempo para fazer acontecer - de arrumar para aquela festa até aquele sonho de mudar o país, você vai ter que se dedicar! Mulheres descobrem super poderes em tesouras, chocolates e notas de dinheiro e são capazes de superar qualquer dor com um novo corte, um bombom trufado ou uma tarde de compras adquirindo o que não vão precisar amanhã, para ter o que precisam hoje, agora. Mulher tem a audácia de sempre dizer, com riqueza de detalhes, o que pensa, o que sente e o que gostaria que você fizesse. Quem mais é capaz disso? Não, homens, a gente camufla problemas, elas sim resolvem. Mulheres já vieram equipadas com o que há de mais moderno e são capazes de muitas coisas ao mesmo tempo, bem antes de inventarem o microprocessador do mais potente computador. Mulher esfrega na cara do mundo que elas não são as idiotas que acreditam que o amor pode durar para sempre, elas não querem que seja eterno, querem que seja terno, elas só querem que o amor valha a pena enquanto durar (95% dos divórcios são pedidos por elas, bobinho!). Mulheres nos ensinam que você tem o direito de uma vez por mês ser a pessoa mais insuportável do mundo com alguém desde que no restante do tempo você seja a pessoa que faz o mundo ser suportável. Mulher comprova que mudar de opinião pode ser o único jeito de ter uma opinião realmente sua. Mulher te prova que clichê é não ser você. Mulher tem a força de saber que não deve haver vergonha em derramar lágrimas, vergonhoso é provocá-las. Acima de tudo, mulheres nos ensinam a viver com paixão,  a não aceitar o mais ou menos, a nos incomodarmos com o que está fora do lugar - seja o perfume na prateleira ou o caminho pelo qual as pessoas no mundo tem caminhado -, a reconhecermos a beleza no que passaria despercebido - aquele botão de rosa no jardim da esquina, a primeira risada do bebê, o viço na pele do colega de trabalho que está finalmente amando. Quem é mais macho do que uma mulher quando se trata de amor? Elas são capazes de dizerem ao mundo que amam, de assumirem riscos e são loucas (ou lúcidas) o suficiente para amarem sem receberem o mesmo amor de volta. Admiro a mulher principalmente por uma capacidade que poucos homens têm: a de amar e se entregar, sem medo. Mulheres, por nos darem a vida e por viverem, de verdade viverem, tenham um feliz dia a cada dia, todo dia.

domingo, 22 de abril de 2012

Não me pede pra falar mais baixo,



Pra puxar a saia, pra beber menos. Não fica triste quando me encontrar fumando sozinha sentada na sacada do meu apartamento do vigésimo andar. Não se irrita quando eu não quiser te dizer, quando eu te beijar em vez de moldar minhas dores todas a algo que você possa entender e não se doer. Respeita meus silêncios, ri dos meus medos, da minha pele que tanto esquenta rápido, quanto congela. Não tenta me entender. Ou você pode, ou não pode, não insista. Me dá a garrafa quando eu pedir, e se tiver o azar de me ver chorar só murmura um samba antigo que passa. Não sou pontual, não sou racional, e também não sou nem serei tua. Lê nos meus olhos o que eu preciso, que eu tenho preguiça de quem não sabe ver.

Nos vemos na próxima lua cheia regida em saturno, seja lá o que isso signifique. Quando eu cansar de mim e for te procurar.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sou tola.


Eu sou mesmo uma tola, mas me sinto deliciosamente tola… podem jogar pedras, magoar, machucar, mas recupero tão rápido que chega a ser impressionante. Tenho facilidade de cicatrização e tiro proveito disso. Está certo que umas feridas são mais profundas e demandam mais tempo para serem fechadas. Não existe milagre. Mas elas fecham. E novamente entrego-me para nova tentativa, mesmo com as chances de novos machucados. Não adianta, sou teimosa, turrona ou qualquer outra palavra que queiram usar para definir-me. Mas ninguém pode contestar o que digo. As provas são as cicatrizes que carrego e cada uma delas traz um nome, um sentimento, uma experiência. E verão que possuo várias com o mesmo nome. Está bem, não sou teimosa. Sou como disse no início, sou tola. Não importo de o ser, desde que sinta alegria no recomeço, na reconciliação, no abraço, no choro. Mais que alegria, sinto satisfação, sinto prazer. Amo as pessoas e o contato com elas. Amo conversar e desbravar outros universos. Amo gente. Amo amar gente.


Leca.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Date a girl who reads.



Date a girl who spends her money on books instead of clothes. She has problems with closet space because she has too many books. Date a girl who has a list of books she wants to read, who has had a library card since she was twelve.

Find a girl who reads. You’ll know that she does because she will always have an unread book in her bag. She’s the one lovingly looking over the shelves in the bookstore, the one who quietly cries out when she finds the book she wants. You see the weird chick sniffing the pages of an old book in a second hand book shop? That’s the reader. They can never resist smelling the pages, especially when they are yellow.

She’s the girl reading while waiting in that coffee shop down the street. If you take a peek at her mug, the non-dairy creamer is floating on top because she’s kind of engrossed already. Lost in a world of the author’s making. Sit down. She might give you a glare, as most girls who read do not like to be interrupted. Ask her if she likes the book.

Buy her another cup of coffee.

Let her know what you really think of Murakami. See if she got through the first chapter of Fellowship. Understand that if she says she understood James Joyce’s Ulysses she’s just saying that to sound intelligent. Ask her if she loves Alice or she would like to be Alice.

It’s easy to date a girl who reads. Give her books for her birthday, for Christmas and for anniversaries. Give her the gift of words, in poetry, in song. Give her Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Let her know that you understand that words are love. Understand that she knows the difference between books and reality but by god, she’s going to try to make her life a little like her favorite book. It will never be your fault if she does.

She has to give it a shot somehow.

Lie to her. If she understands syntax, she will understand your need to lie. Behind words are other things: motivation, value, nuance, dialogue. It will not be the end of the world.

Fail her. Because a girl who reads knows that failure always leads up to the climax. Because girls who understand that all things will come to end. That you can always write a sequel. That you can begin again and again and still be the hero. That life is meant to have a villain or two.

Why be frightened of everything that you are not? Girls who read understand that people, like characters, develop. Except in the Twilight series.

If you find a girl who reads, keep her close. When you find her up at 2 AM clutching a book to her chest and weeping, make her a cup of tea and hold her. You may lose her for a couple of hours but she will always come back to you. She’ll talk as if the characters in the book are real, because for a while, they always are.

You will propose on a hot air balloon. Or during a rock concert. Or very casually next time she’s sick. Over Skype.

You will smile so hard you will wonder why your heart hasn’t burst and bled out all over your chest yet. You will write the story of your lives, have kids with strange names and even stranger tastes. She will introduce your children to the Cat in the Hat and Aslan, maybe in the same day. You will walk the winters of your old age together and she will recite Keats under her breath while you shake the snow off your boots.

Date a girl who reads because you deserve it. You deserve a girl who can give you the most colorful life imaginable. If you can only give her monotony, and stale hours and half-baked proposals, then you’re better off alone. If you want the world and the worlds beyond it, date a girl who reads.

Rosemarie Urquico.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Era cheia de medos, receios.


Era um texto comprido demais, lotado de borrões e frases desconexas, que faziam sentido num só contexto, que era ela. E tudo que ansiava era ter alguém que a entendesse, mas nem ela mesma era capaz de tal proeza. Se debatia com seus pensamentos, suas vontades, seus temores bobos, agarrava-se a esperança de um dia poder respirar aliviada, sem tanto peso, sem a carga pesada e enfadonha que era aquela eterna dúvida. Queria se encontrar em alguém, e de tão perdida e desajustada, esquecera-se que isso nunca é bom. Porque sempre haverá o risco de ser deixada para trás, e tornar a se perder. Ela não sabia, não compreendia, mas tinha que se encontrar nela mesma. Tinha que procurar no fundo dos olhos o brilho perdido, e na lembrança do riso a espontaneidade. Ainda estava lá, fraco e desgastado, enferrujado pela falta de uso, mas ainda assim lá.Tinha que agarrar-se nela mesma, no seu amor próprio há muito perdido, agarrar-se com unhas e dentes. Ou com a tranquilidade de uma tarde de sábado, que aos poucos vai passando, e cedendo lugar a noite. Ela tinha que se encontrar, aos poucos ou num só impacto, no estranhamento do primeiro instante ou num jorro de auto-reconhecimento. O problema era fazê-la entender isso. Não havia ninguém disposto a explicar, e ela não conseguia, de tão perturbada, deduzir sozinha. Um caso com solução, ao menos dessa vez não iria para o arquivo morto. Mas corria o risco de eternizar-se e perder-se no tempo, fora de órbita pra sempre. Ou seja lá quanto tempo casos assim durem.

Juliana Nery.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Palhetas.


Eu, como todo bom roqueiro, estou sempre perdendo palhetas. Não importa quantas a gente compra, enfia em todo e qualquer bolso de calça – elas nunca vão estar lá quando a gente precisa! Já aconteceu, inclusive, de eu subir no palco sem palheta pra tocar, tendo que passar pela situação improvável de pedir para que alguma alma caridosa da platéia me empreste. Eu, como todo bom ser humano, estou sempre perdendo oportunidades. Não importam as inúmeras vezes em que a gente dá com a cara na parede, tem momentos que parece que todos nós estamos viciados na tragédia, como se estivéssemos totalmente acostumados com aquela pilha de problemas indesejáveis, clamando por uma solução .Eu, como todo bom romântico, estou sempre perdendo amores. Não importa tudo o que foi aprendido em experiências passadas. É que eu realmente não consigo me contentar com aquele pensamento de que “o amor é assim mesmo, vem com o tempo e a gente se acostuma”. Falem por vocês, pois eu não concordo nada com isso e sigo à procura. Mas quando a gente procura por uma palheta, ela parece sumir do nosso bolso, bem como as oportunidades que batem à nossa porta enquanto dormimos com a tevê em volume ensurdecedor. Com o amor não é diferente. No entanto, descobri que “procurar”, muito mais do que vestir a roupa de Indiana Jones e sair numa caçada enlouquecida pela pecinha que nos falta, é um estado de espírito. Eu estou aqui, sentado à frente do computador, no conforto do lar. Mas estou procurando. Procurando ser encontrado. E o que me deu a certeza de um final feliz é essa palheta que eu acabei de encontrar embaixo da almofada do sofá. Basta querer ser encontrado.



Lucas Silveira.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Tell me, love.


- Porque você simplesmente não diz tudo o que você sente, menina? - minha consciência perguntou.
- Não é tão simples assim, tenho medo de machucar.
- Você, ou ele?
- Eu... Ele... Os dois.
- Você tem que dizer, algum dia.
- Mas se disser, vou perdê-lo, como sempre aconteceu.
- Arrisque! Se ele te amar, ele continuará do seu lado.
- É o que todos dizem.
- O que?
- Essa coisa de amor.
- Que coisa?
- Isso, de que se existir amor, tudo ficará bem.
- E não ficará?
- Eu amei e não ficou.
- Como sabe que era amor?
- Eu não sei - pensei -. Amor não é aquele sentimento de culpa depois de uma briga? Não é acordar todos os dias lembrando de como foi lindo o dia que passaram juntos? Não é chorar com ele? Viver por ele? Sentir saudade logo depois da despedida? Olhar o celular procurando por uma mensagem ou ligação? Não é guardar aquela roupa especial para quando forem se ver? Não é aprender a tocar aquela música que você odeia, por ele? Não é imaginar como seria lindo viver com ele para o resto da vida? E saber que não conseguiria viver sem ele depois daquele bendito dia em que se conheceram?
- É sim - sussurrou atrás de mim a única voz que conseguia me fazer feliz.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ela será única.


Você conhecerá outras pessoas, terá um flashback com a sua ex namorada, terá uma nova namorada, mas ela continuará sendo a sua preferida. Provará outros beijos, se sentirá frustrado, algumas vezes, ao perceber que aquela loira linda da festa não beija tão bem assim. Passará a mão em outros cabelos, alguns mais longos, outros mais curtos, mais cheios, mas de qualquer forma, sentirá falta dos cabelos dela, que de tão pouco se perdiam nos seus dedos. Você sentirá outros perfumes, amadeirados, cítricos, doces, e sentirá falta do cheiro da pele dela, que tinha um cheiro tão bom que te fazia fechar os olhos e suspirar fundo. Você chorará, toda noite, baixinho, sentindo a maior saudade que você já sentiu em toda a sua vida. Olhará para os lados, verá a vida passando, e sentirá uma falta quase mortal da vida que ela te proporcionava todos os dias. Você entenderá que a amava. Você entenderá que a ama. Você entenderá que ela será eterna. E-t-e-r-n-a. Você, ao conhecer outras com o mesmo nome, sentirá um aperto no peito ao dizer que esse nome é lindo, sentirá suas mãos tremerem ao lembrar que dizia que esse seria o nome da filha de vocês. O seu celular, ao tocar, após anos, após milhares de vezes, ainda desejará realizar uma ligação de vocês, aonde ela dirá que ainda te espera, e você dirá que está indo buscá-la, assim como em um texto que um dia ela escreveu. Você irá ler, palavra por palavra de tudo que ela escreveu um dia, e se surpreenderá ao ver que ela suplicava por você. Você se sentirá um idiota. Mas ela, ela continuará sendo única. Ela continuará sendo sua. Você continuará sendo dela. Mas a vida continuará. Ela fará um esforço descomunal para te esquecer, talvez, por alguns anos, ou até que toque a música de vocês, conseguirá. Lembrará de vocês com uma pequena tristeza mas com um grande afeto, assim como ela sempre disse, você ainda será a escolha dela, mas infelizmente, a vida lhe deu outras opções … Reticências, sua vida será repleta delas, assuntos não terminados, desejos não obedecidos, o maior e único amor da sua vida, perdido pela sua incapacidade de amar alguém. Você virá um dia para perto da casa dela, pensará uma, duas, três, mil vezes em um jeito de tentar achá-la, de descobrir se após tantos anos, ela ainda irá morar ali. Ela, irá para perto da sua casa, passará na sua rua uma, duas, três, mil vezes, na intenção de que você a veja e diga : ”Finalmente“. Ela passará mesmo na sua rua, porque sempre foi mais decidida que você, você ficará só planejando.

Desconhecido.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Garotas não são iguais.



Talvez esteja precipitado dizendo que garotas são todas iguais. Não são. Prova disso, sou eu. O meu quarto é bagunçado por natureza, quando ele está limpo as coisas ficam automaticamente fora do lugar. Também não sou garota de detalhes, pois pouco me importa se a sombra no olho da menina não combina com a calcinha. Não sou boa em decorar datas, até das mais especiais (e quando decoro, esqueço bem no dia).  Também não minto melhor do que os homens, porque, infelizmente, não tenho esse dom. Além disso, odeio fazer compras e experimentar roupas. E, céus, como eu não suporto fofocas ou conversas sobre qual roupa eu comprei e quanto eu paguei. Também não sou bonita e não sei o significado de Thais e sexy na mesma frase. A delicadeza não é minha melhor amiga, e estou longe de ser a garota que gosta de ser ignorada. Não sou do tipo menininha que se comporta, gosto de aventura, de quebrar de regras, de viver. Nunca tentarei conseguir o homem de outra garota, mesmo que este seja o amor da minha vida. E finalmente, não sou muito boa com intuições, tampouco com descrições. Sou apenas eu. Provavelmente apenas mais uma garota... Diferente de todas as outras.

(Foto: http://weheartit.com/entry/20768634)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sou cheia de manias.

Tenho carências insolúveis. Sou teimosa. Hipocondríaca. Raivosa, quando sinto-me atacada. Não como cebola. Só ando no banco da frente dos carros. Mas não imponho a minha pessoa a ninguém. Não imploro afeto. Não sou indiscreta nas minhas relações. Tenho poucos amigos, porque acho mais inteligente ser seletivo a respeito daqueles que você escolhe para contar os seus segredos. Então, se sou chata, não incomodo ninguém que não queira ser incomodado. Chateio só aqueles que não me acham uma chata, por isso me querem ao seu lado.

Fernanda Young.

domingo, 18 de dezembro de 2011

A minha descrição.


Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Em algum lugar do presente.


ELE anda cansado das baladas e dos casos furtivos sem sentimentos. Aprendeu a gostar da própria companhia, sem precisar estar em uma turma de amigos todos os sábados. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno, mas que traga um sabor doce às suas manhãs, que seja a melhor companhia para olhar a lua. Que ele possa exibir os seus dons na cozinha e o seu conhecimento em vinhos, só para ela.
Quer uma mulher que ele reconheça pelo cheiro dos cabelos, pelo toque dos dedos, pela gargalhada que vai ecoar pela casa transformando um domingo sem graça, no melhor dia da semana. Quer viver uma paixão tranqüila e turbulenta de desejos… quer ter para quem voltar depois de estar com os amigos, sem precisar ficar “caçando” companhias vazias e encontros efêmeros. Quer deitar no tapete da sala e ficar observando enquanto ela, de short jeans, camiseta e um rabo de cavalo, lê um livro no sofá, quer deitar na cama desejando que ela saia do banho com uma lingerie de tirar o fôlego.
Quer brincar de guerra de travesseiros, até que o perdedor vá até a cozinha pegar água. Quer o poder que nenhum dos seus super heróis da infância tiveram… o poder de amar sem medo, sem perigo e sem ir embora no dia seguinte.
Quer provar que pode fazer essa mulher feliz!

ELA quase deixou de acreditar que seria possível ter vontade de se envolver novamente. Foram tantas dores, finais, recomeços e frustrações que pensou em seguir sozinha para não mais se machucar. Então percebeu que a vida de solteira já não está fazendo tanto sentido. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno, mas que possa acordá-la com um abraço que fará o seu dia feliz, quer um homem que ela possa cuidar e amar sem receios de que está sendo enganada. Quer a alegria dos finais de semana juntinhos, as expectativas dos planos construídos, o grito de “gol” estremecendo a casa quando o time dele estiver ganhando… a cumplicidade em dividir os segredos.
Quer observá-lo sem camisa, lendo o jornal na varanda… quer reclamar da bagunça no banheiro, rindo e gritando quando ele revidar puxando-a para o chuveiro, completamente vestida.
Quer a certeza de abrir a porta de casa e saber que mesmo ele não estando, chegará a qualquer momento trazendo o brigadeiro da doceria que ela gosta tanto. Quer beijar, cheirar, morder, beliscar e apertar para ter certeza que a felicidade está ali mesmo… materializada nele.
Quer provar que pode fazer esse homem feliz!

ELES estão por aí… sonhando um com o outro… talvez ainda nem se conheçam… mas é só uma questão de tempo, até o destino unir essas vidas que se complementam e estão ávidas para amar e fazer o outro feliz.
Ou alguém duvida que o universo traz aquilo que desejamos?

Autor desconhecido.

Ps: Procurei o(a) autor(a) desse texto, mas achei vários possíveis autores, se alguém souber me avisa! Obrigada.

domingo, 3 de julho de 2011

Ela ama e sofre.


Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo, gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? 
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? 
A moça… ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O último suspiro.


Acuada, vencida. Nada mais importava. Ela sabia que não passaria daquele dia. Nem o sorriso do leiteiro, nem o canto do passarinho. Nada a convenceria a continuar ali, naquele frio que arrepiava seu cabelo, naquele dia sem sentido, e na sobrevivência sem vivência. Ela estava farta da humanidade. Tudo não parecia ter passado de um pesadelo. Inesgotável. Era isso que estava entalado na garganta: um pesadelo inesgotável. "Por que tudo tinha que ser daquela maneira?" Essa pergunta não saia da sua cabeça.
Num mundo com tantos tipos de pessoas, ela nunca imaginaria que este seria tão frio, tão insensível. Perdeu. Ela perdeu sem ao menos ter se dado conta de que havia ganhado. Estava ciente de que aquele seria seu último suspiro. Não tentaria explicar aos que vivem, o motivo por estar partindo. Ela sabia que não adiantaria. E desejava, naquele momento, que não se lembrassem da sua existência, assim como aconteceu por toda sua vida.

Thais Katsumi.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sou a corte, o promotor e nesse caso seu advogado.


É, a culpa é minha.
Acreditar nas suas palavras.
Ou melhor, que palavras?
Só me lembro das palavras que dizia à mim mesmo pra acobertar suas mentiras.
Eu devia é ser preso.
Sou o culpado por ter sido tão inocente.

sábado, 5 de março de 2011

Ela



   Ela foi capaz de se expressar por uma tela de pintura quando criança. Desfilava e fazia pose para todo o tipo de fotógrafo. Percebeu um dia que tinha o dom de escrever, e isso passou a ser seu principal hobbie. Descobriu que através de uma foto, poderia mostrar ao mundo quem ela é, e mais fundo ainda, passou a desenhar para abranger seus conhecimentos sobre a arte. Hoje, ela aprende a fazer esculturas, tentando promover o que foi um dia esquecido.

  Faz dos livros e séries de ficção, a parte da sua vida que só existe nos seus sonhos. Julga a música como o objeto invisível capaz de mantê-la de pé. Acredita que na falta de amigos, o tumblr será sempre seu apoio nas horas de desespero. 
   Ela sonha grande, entretanto sabe se contentar com o necessário. É apaixonada por moda, contudo experimentar roupas é tão cansativo quanto ficar em uma fila de banco.
   Diferente do que alguns pensam, ela não é perfeita. Ela gostaria de gritar para os ignorantes, e dizer à sua mãe que se não está satisfeita com a filha que tem, seria melhor adotar outra. Mesmo sabendo que erra... erra... e erra.  Porque seu coração é muito mole e nunca sabe distinguir o certo do errado. 

   Dizem que esbanja estilo e que se acha, mas no fundo tudo o que ela quer é se sentir bem tentando ignorar seus problemas com distrações como: "com que roupa ela vai", ou "que sapato cai bem pra essa ocasião".
   Seu sonho é um dia poder viajar pelo mundo, pelo simples fato de que não consegue viver presa em uma rotina. E é por isso que pessoas que a surpreendem todo dia permanecem na sua vida durante um longo tempo.
   Ela tem três grandes defeitos incorrigíveis: a preguiça, a gula e o perfeccionismo.
   As surpresas lhe agradam, e são sempre bem vindas. Nem sempre as pessoas "boazinhas" são as que ela mais ama, e não há regras para que esse amor apareça.  Ela pode amar os sensíveis, os inocentes, os grudentos, os possessivos, os apaixonados, os feridos e até depressivos. Ela pode amar qualquer um, a qualquer hora.
   Ela sabe que perturba aqueles que vêem no seu olhar uma profunda escuridão. Tem a capacidade de esconder por trás de um sorriso toda a sua infelicidade, mas não consegue manipular as pessoas da mesma forma que é manipulada. Apesar de tão adolescente, muitos dizem que pensa como uma mulher. E que apesar de tão pequena tem um coração enorme. Ela não consegue viver sem seus amigos, no entanto, a solidão é quase sempre sua melhor companheira.
   Seguir os seus instintos nem sempre significa "se dar bem", mas ela é capaz de perceber detalhes que fazem as respostas fluírem com uma facilidade indescritível, fazendo esses "instintos" não serem nada além de palavras. Ela tem o dom de chorar e absorver os problemas alheios, aquela chamada "tomar a dor dos outros". Seu coração está sempre em guerra com a razão, e infelizmente a primeira é sempre a vencedora, e como toda guerra, alguém sempre se machuca, e esse alguém é sempre ela.
   Assim como muitas garotas, ela é fascinada em encontrar o "príncipe encantado", mas ela já desistiu de procurá-lo, porque sabe que quanto menos ela procurar, maior é a chance de ele aparecer.
   Ela tem muito medo de tudo: dos olhares de raiva de alguém, das piadas sobre ela, e até mesmo das cantadas no meio da rua.  Tem medo de pedófilos e de criaturas mágicas feias e assustadoras que saem debaixo da cama. Ela tem medo das pessoas e do que elas são capazes de fazer. Ela tem medo da vida, mas não tem medo de morrer.
   Ela nunca sabe se defender, e odeia ter que brigar com alguém. Não é independente, por isso precisa sempre que a protejam. Filme de terror a deixa apavorada. E romances, dramas e animações frequentemente a fazem chorar.
   Por trás disso, ainda existem muitos segredos que ela nunca terá coragem de contar.
   Bem... Ela? Sou eu.

Thais Katsumi.

quarta-feira, 2 de março de 2011

É só uma vez.


É sempre assim. Chega um dia do mês que nem eu me aguento - graças à Deus é só uma vez! Claro, esse sentimento de angústia e de ódio às vezes fica por horas, e infelizmente pode se estender por dias ou semanas. Apesar de tudo, não tenho culpa se nasci mulher e tenho que lidar com essas coisas. E mais ainda, tenho que aguentar as pessoas me dizendo que estou chata e que eu só sei "dar patadas". Me desculpem, de verdade. O problema é que: é a época em que eu mais sinto ódio de tudo, de qualquer bobeira que fizerem, de um simples "oi" ou até um sorriso mal interpretado.
As mulheres também sabem como é esse dia: que seria melhor ficar trancada em casa assistindo à um filme - mesmo que seja perigoso por provavelmente termos a vontade de quebrar o monitor porque o mocinho rejeitou a mocinha.
Sentimos vontade de nos matar, sumir do mundo, chutar tudo que vemos pela frente, xingar quem estiver mais próximo, ficar emburradas por qualquer palavrinha dita no momento errado, e... tantas outras coisas que provavelmente seriam impossíveis de serem listadas.
Por fim, tudo que uma garota quer nesse dia é atenção. Entretanto, não seja meloso demais, nem finja que ela não existe. Provavelmente ela ficará brava de qualquer forma, mas tente fazer com que esse sentimento não seja tão corrosivo. Concorde com tudo o que ela disser, e nunca discuta. Não termine um namoro, em hipótese alguma, enquanto ela estiver nesse estado. Saiba como agradá-la, e não diga coisas idiotas, não é isso que elas querem ouvir. Ou seja, seja um bom garoto, porque no final de cada tpm do mês: tudo ficará feliz!

Thais Katsumi.

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