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quarta-feira, 6 de junho de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Sem Ana.
De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca – de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrima chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo na boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.
Caio Fernando Abreu.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Para ti, que aparentemente não está mais comigo.
Chegou uma hora da minha vida que foi praticamente inevitável a separação. Não a separação de namorados. Mas a dos meus amigos e até da minha própria família. Aquilo doeu. Doeu muito. Não tinha como controlar! Minha vontade era a de sair gritando pra que todo aquele acúmulo de dor fosse embora. Eu queria chorar, ficar trancada no meu quarto. Aliás, eu chorava, e ficava trancada no meu quarto. Mas quando eu saia de baixo do meu refúgio, havia um mundo para viver, por mais que as pessoas que eu amava não estivessem mais por perto. Eu precisava continuar. Não era fácil. Ainda não é. Mas agora toda aquela dor é menor. É como se eu tivesse me acostumado a viver sem essas pessoas. Não que eu tenha deixado de amá-las, pois elas estão guardadas, lá no fundo do peito. Pra ninguém tocar. Pra ninguém mexer. Mas você sabe, quando elas voltam, tudo recomeça. É como se eu revivesse uma vida inteira em alguns dias ou algumas horas. Talvez tudo não passe de um ciclo inesgotável. Que eu não quero que acabe, porque enquanto eu souber que esse ciclo existe, saberei que essas pessoas ainda fazem parte essencial da minha vida.
domingo, 20 de novembro de 2011
Viver morrendo
Só queria dormir. Por dois anos ou até por trinta, talvez. Até criar sua voz na minha cabeça. Até decorar os teus passos no chão e descobrir todas as tuas manias que você esconde. Até encontrar um jeito de me tornar imune ao teu sorriso, que agora me ilumina por inteiro. Até não reparar na sua barbinha no queixo. E até não rir com isso. Até conseguir ficar longe de você sem que me sinta completamente vazia. Até não me lembrar mais do seu jeito. Até esquecer que você se dizia sozinho, mesmo quando eu estava por perto. Até dar um jeito de me completar sem a tua presença, mas, ainda assim, viver da tua voz que não conheço e da tua luz que me manteria sempre inteira e intacta. Até te conhecer de verdade. Até aprender que você não sente minha falta como eu sinto a sua. Até dar um jeito de deixar de amar você. É. Vou precisar de trinta anos, mesmo. Até o nosso amor deixar de cinza e virar azul, por mais estranho que isso pareça. Até você deixar de ser anjo, e virar lembrança. Até o seu sorriso não fazer mais efeito e a lágrima não mais doer. Até tudo acabar. Talvez até morrer.
Letícia Loureiro
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Pra não confundir.
Pra não confundir amor com paixão, pense em quando esteve apaixonado pela primeira vez, aquela figura linda que via, que mesmo seus milhares de defeitos eram sobrepostos pelas suas qualidades, que mesmo sua voz trêmula se fazia o mais belo som em seus ouvidos. Pense nas vezes que tremeu as pernas e não teve coragem de se aproximar, que quando você se deu conta que estava próximo sentiu borboletas geladas dançando por dentro de sua camiseta leve, veste de um calor insuportável. Entenda que amor é diferente de paixão, mocinha. O amor quando te pega, te força a falar com aquela pessoa, que você sempre sabe dos defeitos, mas o ama mesmo assim. O amor não disfarça as coisas ruins com máscaras de paixão, o amor te dá o necessário para ser forte com aquela pessoa perfeitamente única pra você, para que quando suas pernas bambearem, quando as borboletas te abraçarem, você ter a coragem de se agarrar com a realidade e viver o que esse amor lhe proporciona. Sejam sorrisos, sejam lágrimas, sejam expectativas ou memórias. O amor sempre é mais forte que qualquer outro sentimento, mas se você ignorar a dança das borboletas, o canto dos pássaros, as cores das folhas e a briza do vento, serás uma garota trancada, por você mesmo, porque o amor está em sua volta. Só você não vê.
| Luiz H |
domingo, 9 de outubro de 2011
São meras lágrimas.
Por que essas lágrimas que imploram para sair não se dão ao trabalho de fazê-lo? Engolir todo esse choro não é fácil. Chega uma hora que não tem mais jeito, mas parece que desta vez não está funcionando como deveria. Meu corpo não está reagindo conforme meu coração sente. Está apenas ignorando minha necessidade em expressar meus sentimentos, não mais através de palavras, mas através de gestos. Portanto, querido organismo, quero que saiba que estou precisando gastar minhas lágrimas já acumuladas a um bom tempo. Essas lágrimas não estão mais me fazendo bem.
Faça elas saírem!
Ou será que precisarei assistir a mais um filme dramático ou ouvir aquela música que me remete à pessoa de quem não gostaria de estar comentando? Eu estaria apenas forçando o natural a ser uma farsa, não é? Talvez minha vida esteja apenas feliz demais para dar lugar à lágrimas. Mas tão contraditório isto é. Felicidade nenhuma é tão completa assim. Pois se fosse, esse choro não seria de angústia, mas de amor. Aquele mesmo que me fez sofrer um dia.
Thais Katsumi.
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