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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Parabéns.




Aniversário é uma das coisas mais bonitas para serem comemoradas. Em controvérsia sou desnaturada demais para lembrar de qualquer um deles (até das pessoas mais importantes na minha vida). Só que não o seu. Por algum motivo era fácil demais saber o mês, o dia, e até, quem sabe, a hora que você nasceu. 

Anotei seu nome no dia do seu aniversário e na frente dele desenhei um coração. A data era prevista para dali meses, e ainda assim eu tinha certeza que estaríamos juntos até lá. Ou talvez eu tenha feito aquele rabisco justamente para me lembrar de que eu não deveria correr de ti, pelo menos até esse dia. 

Os meses passaram voando, e neles, muitas lágrimas derramadas e muitos clichês repetidos sucessivamente aconteceram. Nós já não éramos mais os mesmos. Eu já não era mais a mesma. Provavelmente meu sentimento por você também tivesse mudado.

Provavelmente. 

É só mais um cara na sua vida, eu repetia isso pra aquela coisa vermelha que bate dentro do meu peito.

Logo chegaria seu aniversário... Logo veria na minha agenda o seu nome seguido de um coração... Logo abalaria-me por não poder te dar feliz aniversário do jeito que eu queria.

Para minha surpresa, uma semana antes o alarme do meu celular tocou. Não era alarme para acordar, nem para tomar anticoncepcional, e nem era qualquer nota sobre as tarefas para amanhã. Era um lembrete seu, agendado há meses atrás para eu comprar seu presente de aniversário.

Eu quis chorar.

O dia chegou e eu não poderia deixar de te parabenizar. Fui o mais breve possível só pra te lembrar que: não, bonito, eu não te esqueci. E que, apesar de tudo, tudo que eu quero é te ver feliz. É claro que meu coração preferia te ter comigo... - Minto. Meu coração não vê outra possibilidade senão estar contigo. Ele (o coração) não consegue entender que você pode ser feliz sem mim. Mas é fato: sua felicidade nem esbarra no que eu chamo de minha vida. 

Respirei fundo.

No final do dia aquele dia era só mais um dia qualquer.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ame menos.


Teus olhos te denunciavam, garota. Era fácil demais te ler. Te lia nos mínimos detalhes, sem você precisar ter escrito uma palavra. Seu diário não dizia nada mais do que eu já sabia só de te olhar. E naquele dia, minha menina, eu vi a tristeza que você carregara durante o último mês que obriguei-te a não me ver. Você mordia seus lábios para calar teu choro. Um choro que queria a todo custo sair. Mas seu orgulho nunca deixara espaço pra demonstrar qualquer fraqueza perfeitamente aceitável, não é, menina?

Meu sumiço fora necessário.

Talvez assim, garota, você finalmente esquecesse que um dia amou-me. Talvez, pequena, deixar de me ver fosse a melhor coisa pra você, porque não era pra mim. Você sempre soube que eu gostava de ti. Mas você amava-me. Amava-me tanto que eu nunca conseguiria retribuir uma migalha desse sentimento. Meu sentimento não era suficiente pra você, eu sabia disso. Você, não. Você não sabia que seu sentimento era tão grande. Você não sabia que sofreria tanto só dos teus dedos deixarem de procurar pelos meus enquanto estes tentavam afugentar-se.

Eu soube que ainda me amava quando seus olhos imploraram-me por um amor que eu não sentia. Você soube que eu tive pena. E foi isso que te fez erguer a cabeça e virar para o lado oposto ao que eu estava. Você é forte, minha menina. Talvez você realmente seja a garota feita pra mim. Talvez eu me dê conta disso tarde demais. Talvez eu já saiba disso. Talvez... Talvez eu só deseje que você encontre alguém que realmente te ame como você me amou. E espero que você ame menos. Porque quem ama menos não passa noites sem dormir, nem acorda com os olhos inchados. 

Porque você merece amar menos de vez em quando, garota.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Proditório, aleivoso, desleal.



Travei. Aquele não era nem de perto o final que eu planejara. Não o desfecho traiçoeiro que arrancou de mim o que eu chamava de coração. Minha reação não poderia ter sido pior. Queria que, naquele momento, meu orgulho estivesse à flor da pele para que tu não visse como me despedaçara até o último fio de cabelo. 
Não deveria ter deixado que me visse arrasada daquele jeito.
Afinal, todas as mesmas cenas de todas as novelas, filmes e livros que infiltraram na minha mente não serviram para nada. Porque a realidade era bem diferente daquilo. Sempre planejei erguer a cabeça e sair sem ser notada para eu mesma dar fim a relação que terminara no momento em que a vi contigo. "O que foi que eu fiz?" você questionaria se fazendo de coitado, tentando me convencer que a mentira que sempre me contara era verdade. "Você sabe" eu responderia olhando dentro dos seus olhos, ironizando até a morte, massacrando-o nos meus pensamentos, sem lágrimas, sem remorsos.
Mas a realidade é outra. E eu caí. Me apunhalaram pelas costas e eu fiz questão de mostrar o quanto doeu. Sempre fui uma tola, era de se imaginar que minha fraqueza tomaria conta do momento, me envergonhando pela... Milésima vez? Talvez mais.
Você nem correu atrás de mim depois que nossos olhos se encontraram pela segunda vez. Segunda vez. E eu corri daquele lugar aterrorizante com os olhos transbordando lágrimas - eram tantas que vinham de não sei mais onde. A última coisa que vi foi seu olhar de dúvida. Tu parou de beijá-la, mas não sabia se ficava ou se corria. E não correu. Não fez nem questão de me procurar para se certificar de que eu não pulara na frente de um caminhão. Não moveu um músculo sequer por mim.
Uma parte de mim ainda queria acreditar que você teve razões melhores do que as que eu podia imaginar, e que queria pedir perdão pelo que tinha feito, que me amava desde sempre. Mas outra parte, a parte sensata, me avisava que aquilo já estava no fim antes mesmo de ter começado. Porque tu nunca me amou de verdade, não é?
Meu coração só fez questão de acreditar no contrário. Até nesse momento (entenda como quiser).

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O brinde da meia-noite.


Onze e cinquenta da noite. Sexta-feira. Avenida cheia. Tumulto. Confusão. Seus passos transpassam os dele, discretos, sem que fossem percebidos. Ela cometera um engano. E era por isso que o perseguia em silêncio, no vento gélido, na noite lotada de pubs - que não são nada mais que bares repletos de copos cheios e corações vazios.  
Discava o seu número no display do celular – caixa postal. Ainda seguia o homem de capa azul marinha, havia decidido: não iria desistir dessa vez. Ele parara, entrando no pub, fazendo-a hesitar. Ela passou o texto em mente novamente, o texto que tanto planejara, afinal, agora era a tão esperada hora: Ela se aproximaria, pediria desculpas, o perdoaria. E ele a beijaria, eles tomariam alguma bebida quente e voltariam para o aconchego do quarto e cozinha que habitaram um dia. Ao olhar dela: um lar. Ao olhar dele: apenas um cubículo recém-abandonado, vazio, que agora servia como depósitos de caixas, e que um dia dividira com uma garota... Que garota? Uma ex-namorada, talvez. Ou apenas uma amiga que concordara em aguentar as suas bitucas de cigarro e suas garrafas de cerveja para não precisar pagar um aluguel completo.  A nossa garota. Ela.
E num impulso ela abre a porta, ignorando o garçom e avistando a sua mesa. E lá estava ele, sorrindo, com uma pequena dose na mão. Ela se aproxima, mas hesita novamente. Porque avistara algo. Algo muito mais do que esperava ver. Porque durante todo esse tempo, planejara encontrar uma cadeira vazia a sua frente, a sua cadeira, a cadeira que ela costumava ocupar.

                                  Mas que agora confortava uma figura esbelta e de mechas loiras.

                                                                                                        (Por Bárbara Aoki)

(Ps: Esse é o meu primeiro texto que eu publico aqui, sou nova na equipe, enfim, espero que gostem das minhas humildes escritas e ensejos.)

sábado, 28 de julho de 2012

Meu primeiro amor.


   Ele riu. Riu tão deliciosamente que me lembrou da última vez que o vi assim. 
   - Lembra-se? Há um tempo atrás, tu gargalhara com essa mesma intensidade afirmando que para acabar uma briga com sua namorada era fácil: bastava dar um beijo para ela parar de falar. 
   Ele riu novamente, um pouco constrangido.
   - Mas aquilo era um pouco óbvio demais: qualquer garota na face da Terra cederia para você. - afirmei.
   É claro que eu sabia disso. Conhecera aquele beijo há um tempo atrás. Na época ele fora meu primeiro amor, não o primeiro beijo, mas o primeiro amor. Que tinha o melhor beijo do mundo. Melhor até que Ferrero Rocher. Cheguei a pensar que todos os homens do mundo deveriam aprender a beijar com ele. Mas é claro que não concordaria com tamanha idiotice.
   - Eu era muito mulherengo. - ele falou.
   - Era? - perguntei.
   Então sorriu de novo.
  Foram incontáveis as vezes que deitou no meu colo reclamando que as mulheres só pensavam em casamento e filhos e lar. Ele queria é festa, diversão. Não se importava com sentimentos alheios. Mas sabia muito bem como deixar uma mulher na palma da sua mão.
   Como meu primeiro amor, nunca o esqueci. Não lembro exatamente qual era o sabor da sua boca, e confesso que daria muito para relembra-lo. Mas estou feliz assim. Assistindo a vida do meu primeiro amor de camarote. Ele é meu amigo, meu irmão. E, sem dúvidas, meu eterno amor. Ainda quero secar muitas das suas lágrimas, e rir de todas as suas cafajestices.
   Eu sorri.
   - O que foi? - ele perguntou.
   - Eu te amo, tá?
   - Não diga isso! Você é minha amiga, mané. - disse dando um leve tapa na minha cabeça.
   Eu sorri novamente. Ele nunca vai mudar mesmo. 

domingo, 10 de junho de 2012

Me doa!



 Pior que chorar é não chorar. Pior que entristecer é sorrir por sorrir. Não sei se é uma doença que adquiri pro resto da vida (ou só adolescência mesmo), mas o fazer mal da dor me faz bem.
 É mais um texto tristonho e sentimental sobre você. Mais um texto porque é aqui que esvazio a alma e me sinto livre pra dizer que quero ser triste. Você não me dá nem o direito de ser triste a longo prazo, amor! 
 O papel em branco me faz um convite "venha cá, não quer navegar um pouco? virar mar e se afogar nas letras que escreve e nas lágrimas escondidas nelas?" e eu não tenho outra opção que não aceitar. Aliás, antes aceitar que recusar e viver a resguadar o que precisa ser sentido. E me desculpe por escrever palavras um pouquinho mais difíceis e tentar deixar isso bonito, é só que acho que meu amor merece. 
 Falando sobre aparências, gostaria de descrever como anda dentro de mim: você sabe, quando tudo estava "bem" entre nós não havia nada que não estivesse quebrado dentro de mim. Estava toda ferida e deve ter sido um castigo do meu coração por eu tentar ser mais feliz do que devia. Ai você chutou tudo pro alto e, basicamente, meu Eu virou só lágrimas. Elas sempre existiram e sempre consegui comporta-las, mas dessa vez eram tantas que transbordavam de maneira descontrolada. E então o tempo passou. Dei uma secada e os sentimentos foram ficando novamente proporcionais aqui dentro. Certas vezes pude até sentir alguns deles ganhando cor e se enfeitando de glitter. Mas acho que tenho um tempo-limite de felicidade, porque olha, não a aguento mais. É como se o barco se sentisse incomodado por não ter mais onde navegar e solicitasse timidamente um pouquinho de água para seu lazer. Muito abstrato? Sou abstrata. Ando abstrata e não me entendo de maneira alguma, mas pelo que pude constatar, estou escurecendo e me afogando novamente aos poucos. Ou pelo menos gostaria que fosse assim. 
 Sei lá. Talvez seja só saudade do gostinho salgado e da sensação gostosa das lágrimas me esquentando a pele e o coração. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Não adiantou fugir como pode perceber.


Ir mais longe era impossível. O tanto que me afastara deveria ser suficiente para restabelecer qualquer mísera falha cometida há tempos atrás. Então voltei para falar-te. Portanto, diferente das tantas outras vezes, não vim falar de amor, pois este era só pretexto de uma causa maior. "Causa maior que o amor?"- você deve estar se perguntando. Se quer a verdade, trata-se da falta do amor. Você dizia saber bem o que é isso, gabando-se de quantas coisas poderia oferecer-me para prová-lo. No entanto, sabe esse tal amor que você conhecia? Sinto desapontar-lhe... Mas não era amor. Era orgulho, desonestidade, arrogância... Era falta de amor... A causa maior... Era a falta de amor.
Apesar de não lhe culpar diretamente por não saber do que diz respeito tamanho sentimento, tu bem deverias saber que amor não se compra. Não me compra. Não sou produto de vitrine que pode ser trocada ou consertada se com defeito. Sou mulher, sou menina. Sou humana. Se quer um produto, compre uma boneca. Ela será perfeita para ti. Poderá ama-la e vesti-la da maneira como bem entender. Ela não ligará de ganhar milhões de presentes caríssimos todos os dias, nem se importará em ficar em casa o dia todo para descansar sua beleza... E imagine só, ela nem se atreverá a escapar. É perfeita, não é?

segunda-feira, 14 de maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Adeus, menino.


E finalmente aquela expressão de "coração saindo pela boa" tomou conta de mim. Eu estava a pouco mais de dez passos para descobrir toda a verdade. Para comprovar se meu coração falhara mais uma vez ou acertara depois de tanto tempo. Aquela era a deixa para resolver todas as questões mal resolvidas, tal como colocar os devidos pontos finais onde eu enxergara apenas reticências. Bastava você dizer se era verdade ou mentira. Apenas uma palavra. 
Os dois ou três minutos que se passaram depois de te ver estirado no sofá da sua casa, pareceram eternidades. Havia um tênis jogado em um canto e a televisão estava ligada, mas não consegui reparar se era seu tênis preferido e se era o programa que costumávamos assistir nas tardes de domingo, tudo porque minha atenção estava voltada pra você e para minhas mãos e minhas pernas que tremiam incontrolavelmente.
Você estava tão vidrado no programa que assistia, que não fez nem questão de me cumprimentar direito - ou talvez eu estava tão obcecada com a situação que seu "oi" soou rude e sem graça. Portanto, enfim, você olhou para mim. Sorriu. E desligou a televisão com a mesma calma que sempre teve. Seus olhos olhavam dentro dos meus implorando que quebrasse aquele silêncio constrangedor. Mas quem falou primeiro foi você: "É verdade... Tudo aquilo... É verdade", você baixou a cabeça tentando esconder seu olhar de culpa e sua última frase foi "Me desculpe".
Fui embora. Trazendo comigo meu coração que permaneceu guardado contigo em algum lugar que antes eu não podia achar. Também arrastei meu orgulho e minha raiva, afinal não queria piorar nada. Mas deixei todo e qualquer resquício de lembranças que tínhamos juntos.
Não deixei de pensar que você fosse só mais um cara, como todos os outros caras; e que você só me queria por diversão; e que você preferiu a outra porque ela tinha peito e eu não. Mas ao menos sua sinceridade continuara ali, um pouco tardia, entretanto como costumam dizer "antes tarde do que nunca".
Não desejo a vossa felicidade com aquele promíscua, porque essa felicidade era pra ser nossa. Espero apenas que você cresça e não volte para mim, nunca mais, mesmo que meu coração grite o contrário. Portanto... Adeus, menino que um dia foi meu. Adeus. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Que queime.


Quantas vezes você já me disse adeus e eu não derramei uma só lágrima? Amor, veja bem, naquela época eu achava que não conseguirias desfazer o laço, assim, tão facilmente. Mas agora eu te sinto escorrer por entre os meus dedos e não há o que eu possa fazer. Quando relembro os três meses que se foram vejo o quanto te feri para salvar algo de mim, mas não vou pedir que me perdoe, porque não consegui. E se tu está à beira do abismo saiba que já estou em queda livre há tempos. Tua descrença assinou o fim ao ponto culminante do capítulo; já estou tão farta de escrever parágrafos e mais parágrafos - sozinha. Pois essa é só mais uma dentre as tantas outras tentativas doentias de trazer mais uma vez tudo aquilo que não voltará jamais. Não voltará porque hoje eu não sei mais quem você é, muito menos o que sou. Menos ainda o que quero desse novo você, tão diferente daquele cujo qual amei no inverno passado. E talvez seja isso o que me torne forte o suficiente para simplesmente desistir. Mais uma vez sobrou de nós o nada e eu me recuso a te reconstruir sozinha. Se queres queimar dentro de mim, pois bem, o faça. Só saiba que nunca mais irei fazer-te renascer das cinzas. Tu podias ser o céu de maio, a maresia constante, mas preferiu ser tempestade. E é chegada a hora de me desfazer de você, para quem sabe, te encontrar n’um outro momento, de outra forma, porque já estou farta de meus próprios retrocessos. Eu já perdi as contas de quantas vezes eu te deixei para trás.


Lilian Alves.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Forgetting.



E aí, você vai dizer pros teus amigos que já esqueceu. Vai declarar pra meio mundo que já não sente mais nada. E pra provar isso, vai deletar as SMS e o número do celular dele da sua agenda. Vai deletar a música de vocês do seu computador e vai evitar ouvir. Vai parar de escrever coisas pra ele. Não vai mais andar na rua tendo aquela ponta de esperança achando que vai encontrá-la. Vai sorrir e não se importar quando falarem dele. Vai lembrar a todos, todos os dias que ele não te afeta mais. Não vai procurar, não vai ligar. Vai esquecer tudo o que vier dele; os textos, apelidos carinhosos, momentos, risadas, brigas. Vai deletar as fotos dele do seu celular. Vai parar de esperar alguma ligação ou SMS de madrugada. Não vai mais pensar nele antes de dormir ou ao acordar. Vai ser indiferente quando algum amigo dele perguntar se você sente falta. Não vai mais arrepiar ao ouvir a voz dele ou esperar ansiosa pra que ele diga que sentiu sua falta. Você vai desapegar. Vai parar de sentir, literalmente. Vai convencer a ele e a todos de que você já superou. E vai continuar assim, até que você consiga convencer a pessoa mais importante disso tudo. 
Você.

Desconhecido

sexta-feira, 2 de março de 2012

É possível esquecer o inesquecível.


- Como se esquece alguém inesquecível?
- Finja que esse alguém foi apenas fruto da sua imaginação. Delete-o de todas as suas redes sociais. Não frequente os lugares que ele costumava frequentar. Não passe perto da casa dele, ou de qualquer lugar que te lembre ele. Pense em quantas garotas ele passou a mesma conversa, e em quantas delas conseguiu enfiar aquela língua asquerosa. Saia com pessoas que te dão o devido valor. E faça de conta que todos aqueles sentimentos não passaram de coisas de uma adolescente apaixonada. Lembre-se que afinal, ele não merece um terço do que você fez. Lembre-se também que ter ficado com esse babaca, ter se apaixonado por ele, ter sido usada por ele, não faz de você uma puta. Faz de você uma mulher. Porque você sim teve a decência de saber amar. De valorizar. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Idiota, filho da puta, otário.


Quem pensas que é pra fazer isso comigo? Sou idiota até o momento que pisam na ferida de meu calo. Acha que mentindo assim, está realmente destruindo a quem? A única pessoa que está perdendo é você. Porque agora, eu vou embora, mas não antes de te dizer todas as verdades que engoli enquanto estávamos juntos. Primeiramente quero deixar bem claro o quanto acho deselegante o modo como você se porta diante de uma mesa farta de comida. Parece um primata diante de uma penca de banana. E sabe o teu perfume? Fedia mais do que a meia mal lavada da minha prima de terceiro grau. Odeio esse seu sovaco cabeludo. Odeio mais ainda essa tua barriga enorme de tanto beber cerveja aos finais de semana. Mas o que eu mais odeio em você, é essa mania que você sempre teve de mentir. Uma hora disse que estava em tal lugar, mas quando liguei pra lá, me disseram que você nunca havia botado o teu pé imundo lá. Ou então aquela vez que disse que ia no casamento da sua tal prima, que dias depois eu descobri que havia morrido há mais de 5 anos. Por essas e outras, que eu nunca vou confiar em você. Nem nesse seu sorriso. Muito menos nessa sua risada gostosa e nesse abraço apertado. Porque você não presta. Sempre arruma um jeito de mentir, mesmo que a mentira seja descoberta com a mesma velocidade que você goza. Então, eu te odeio porque você é mais filho da puta que o jornaleiro que todos os dias bate no meu cachorro e sai correndo feito uma criança de 10 anos. E por te odiar tanto a minha vontade é… ah, você me mandou uma mensagem dizendo que me ama. Também te amo.

Cibele Sena.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Seu cargo na minha vida.


E mais uma vez, eu abri uma página sua de uma rede social e fiquei olhando sua foto. Como eu já sorri olhando praquilo, você não tem idéia. Mas das ultimas vezes, infelizmente não era sorrindo que eu olhava, era com desanimo, com saudade e mágoas misturadas. Por que você tinha que matar tudo que eu sentia? Me obrigou a morrer também. Me obrigou a fingir estar viva pra todo mundo. Me obrigou a não chorar, quando tive vontade de chorar. Vontade de te esmurrar, de dizer que você é um idiota, um babaca, um cretino, um fraco, nunca passou disso. Nunca uma piada sua foi engraçada, nunca você me surpreendeu. Nunca. Mas eu não consigo deixar de pensar em você, a cada dia, a cada ato meu. E quando eu procuro outras pessoas, eu procuro imaginando você me vendo, e tendo ódio de mim. Porque eu quero que sinta ódio. Porque ódio significa alguma coisa, e é melhor que indiferença. Você que já foi tudo, já foi minha esperança, foi meu futuro imaginado, hoje não é nada. Não passa de uma foto numa rede social. Se eu vivo bem sem você, por que continuo te olhando? Por que sempre volto aqui? Por que ouço musicas que falam de tristeza? Por quê? Você não vale isso. Mas eu faço, e continuo fazendo. Como uma cerimônia de luto, eu sigo a risca. Mas acontece que você não morreu de verdade, do jeito que eu preferia que morresse. Você está ai vivo, vivendo sua vida, fazendo suas coisas, feliz, tranquilo, sem sentir minha falta, sem olhar minha foto em uma rede social. Por que eu não consigo? Por que você não podia ser alguém? Eu esperei muito de você? Não. Eu não esperei nada, eu entendi tudo, eu entendi o que ninguém entenderia. Eu respeitei. Eu fiz como você quis. Tudo. Eu me anulei. Eu deixei de me amar, pra todo meu amor ser só seu. Eu voltei atrás. Eu chorei, eu pedi desculpas, eu aguentei besteiras. Aguentei tudo. Ajuntando do chão, migalhas do seu carinho, migalhas do seu amor. Do seu jeito explosivo e calmo. Um dia me amando como se a terra fosse acabar depois da meia noite, no outro dia um desconhecido me pedindo pra tratá-lo como qualquer um, por favor. Você é meu personagem favorito. O dono de todos os meus textos, de todas as minhas histórias. O dono da curvinha das minhas costas. E eu tenho que dizer isso agora, só pra uma foto numa rede social. Porque você morreu na minha vida. Você pediu demissão, seu cargo era o de presidente, era membro honorário do conselho, tinha tapete vermelho e eu me vestiria até de secretária se te agradasse. E você pediu demissão, sem aviso prévio nem nada. Me diz agora, como viver bem? Como sobreviver sem essa ponta de angustia? Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar as vezes, me domina.

Tati Bernardi.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Insônia.


Dizem que quando não conseguimos dormir é porque tem alguém sonhando conosco. Pelo jeito você deve ter se cansado de sonhar comigo. Porque nem ao menos aquela música conseguiu me fazer dormir essa noite. Talvez se eu tivesse a sua voz perto do meu ouvido teria sido mais fácil. Como naquele dia que você cantou aquela música para mim. Aquela música que contava a nossa história inteira em apenas 15 versos. A mesma que me fez chorar por 30 minutos intermináveis e que até te fez derrubar algumas lágrimas que não queriam sair desde... Desde que nos conhecemos. Mas é claro, você não deveria estar sonhando comigo. Já que não consigo dormir há dias. Provavelmente é apenas um problema de insônia. Você sabe. Você não é muito de sonhar com seus antigos amores.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Menos de um dia.


Não são mais que três horas. Três horas que finalmente comprovarão que meus sonhos estavam errados. Menos de três horas para eu me dar conta de que afinal, você nunca me abraçará daquela maneira. E que aqueles sorrisos e aquelas palavras, nunca foram minhas. São menos de três horas para tudo acabar. Para eu nunca mais te ver. Nunca mais. Portanto, serão as três horas seguintes as mais dolorosas, pois a partir daí começarei a perceber que tudo isso é verdade. São nessas três horas que baterá um desespero, seguido de uma angústia tão grande que palavra nenhuma conseguiria descrever. Serão as piores horas da minha vida. Afinal, todos aqueles "sinais" eram nada mais que ilusões. Apenas coisas da minha cabeça.
E apesar de todos esses fatos jogados na minha cara, penso se minha história ainda servirá de inspiração para o enredo de um filme. Claro, para isso o destino precisaria nos juntar novamente. Seja daqui a três ou trinta anos. Já que por enquanto, nossas vidas estão se afastando cada vez mais. Cada dia mais. Até que chegará uma hora que talvez eu nem lembre mais de como seu sorriso me fazia sorrir. Nessa hora, você provavelmente não lembrará da minha existência, enquanto eu ainda estarei tentando esquecer os vestígios de lembranças que não mereciam ser guardadas.

Menos de um dia, e você sequer olhou nos meus olhos para dizer adeus.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O coração, o jardim e o beijo.

 
-Acho que precisamos conversar.
  -Sobre o que?  Sobre como sou orgulhosa, medrosa e infantil? Não se dê ao trabalho, muitos outros já fizeram isso por você. Aqueles outros que, sabe-se lá porque, entraram numa coisa que era minha e sua e tomaram nossas dores. Aqueles outros que multiplicaram sei lá quantas vezes nossa dor. Pode deixar, eles já fizeram sua parte, a minha, a da consciência, a da inconseqüência...pensaram e agiram por nós, fizeram o que temíamos. Sentiram por nós.
 -Caramba! Eu só disse que precisávamos conversar, e você já foi soltando tudo desse jeito? Bobona. Tenho cada vez mais certeza do quão frágil você é à minha presença. É só eu chegar perto e...puf! Você abre essa boca, esse coração e não os fecha mais. Eu mando em tudo isso ai.
 -Cala essa boca.
 -Eu te amo.
 -Jura?! Obrigada por confirmar, eu estava com medo que as confissões, declarações e momentos que passamos juntos nesses dez anos não passassem de uma mentira. Tava com medo que as centenas de vezes que me disse isso fossem da boca pra fora. Ufa! Tirou um peso dos meus ombros! Obrigado por me aliviar, seu fofo.
 -Amo seu sarcasmo, também. Amo tudo em você.
 -Olha aqui, é sobre isso que você quer conversar mesmo? Já não te disse que seu trabalho está feito, por você e por muitos outros? Eu já sei que me ama! Entendi o quanto sente minha falta! Mas já que quer discutir mais uma vez tudo o que já foi ingerido, mastigado e vomitado, vamos lá. To sem o que fazer mesmo. Pode começar agora a parte em que me diz o quanto mudou.
 -Por favor, para com isso. Até quando vai viver com essa merda de orgulho ai dentro, hein? Quando vai entender que a cada dia, a cada conversa que temos e você sai distribuindo grosseria e ignorância, o orgulho vai deixando seu coração mais sujo, apertado e gelado? Por que não consegue me ouvir e considerar minhas palavras, entendê-las ao invés de pensar em uma resposta pra tudo? Você se acha invencível, não é? E odeia que eu esteja por perto porque sou o único que consegue te convencer o contrário. Te lembro o quão fraca e sensível pode ser. O quanto pode amar.
 -Você falou sobre meu coração, né? Que feio! Um homem grande como você, ainda acreditando nessa metáfora boba? Disse que me lembra de certas coisas. Vou te lembrar de uma também: coração é um órgão que serve única e exclusivamente pra bombear nosso sangue e fazer a coisa toda funcionar. Você sabe muito bem disso, afinal o seu anda com problemas e tem coisa funcionando errado ai. Só não digo que essas besteiras que fala são conseqüência da sua doença porque também é cientificamente errado. Essas porcarias tão saindo do seu cérebro. Esse cérebro genial, que serve pra decorar nome de bebida, cantada barata pra conseguir sexo fácil e sua frase preferida, “eu te amo”. Parabéns, tá fazendo um ótimo uso da única coisa que ainda funciona direito em você! Lindo.
 -Quer falar sobre minha doença, agora? Sobre eu estar morrendo e poder não estar aqui amanhã ou depois, quando você finalmente perceber o que o medo acabou fazendo contigo? Quanta coisa o medo te fez perder?
 -Até quando vai usar isso pra me fazer chorar?
 -Até que essas lágrimas cheguem ao seu coração, reguem esse jardim morto ai dentro e façam tudo colorido e claro novamente.
 -Pare de ser piegas! Cadê suas frases sujas, agora? Cadê você me chamando pra sua cama?
 -Você mesma disse que essas coisas saem da minha cabeça, menina. Sabe que eu não penso só da cintura pra baixo.
 -Podemos encerrar isso? Desculpa, mas me deixei levar mais uma vez e agora não sei o que estamos fazendo e pra onde estamos indo, pra variar. Tudo isso já foi dito e repetido, e aonde chegamos? Que tal acreditarmos que estamos no fundo do poço, pra que possamos desistir? Aliás, pra mim o fim já chegou e se instalou. Não sei por que ainda pensa nisso.
 -A quem está tentando enganar, sua boba? Eu e você sabemos que pensa nisso tanto quanto eu.
 -Que seja. Estou tentando não pensar, e você não deixa. Será que eu não posso ter mais de dois meses de paz interna? Ninguém deixa! Você, os outros! A merda do coração! A merda do cérebro!
 -Viu? Assumiu.
 -Sim. Feliz agora? Porque eu não estou. A dor voltou, e lá vou eu pra guerra, mais uma vez. Você ainda conta? Porque eu já desisti. Foram tantas vezes que batalhamos a favor e contra isso, que olha, os números saíram do meu controle...
 -Sim, eu ainda conto. Conto porque quero ter o numero exato, o mais surpreendente e impressionante possível, pra que possamos compartilhar com nossos filhos e mostrar pra eles como vale a pena lutar pelo que se ama.
 -Merda. Me beija logo, idiota.

domingo, 23 de outubro de 2011

É tão estranho como tudo aconteceu.


Certo, eu não sou bonita como ela. Nem tão extrovertida ou popular.
Eu sei, eu sei. Também pensei que já tivesse superado. Mas sabe, quando eu disse que te amava, não foi brincadeira. Você disse que não era amor (ou que esperava que só fosse uma paixão boba), e eu tentei acreditar. Fiz de tudo pra que essa sua teoria fosse verdadeira. Acreditei que só podemos amar uma vez e que essa única vez é aquela que chamamos de amor das nossas vidas. Entretanto, não é bem assim, não é? Podemos amar mais de uma pessoa. E podemos continuar amando mais de uma pessoa para sempre. 
Cheguei à essa conclusão hoje. Pois eu senti ciúmes. Não foi um ciúme bobo. Machucou meu coração. Por isso, acho que eu te amo. Mas eu também amo aquele meu primeiro amor. Apesar de não saber se esse amor é o mesmo que chamam de amor.
E mesmo que essas palavras sejam pra você, não quero que saiba a verdade. Porque afinal, não fará diferença alguma na sua vida, não é? Também não quero que me veja dizendo que ainda te amo. Porque não vale a pena. Porém, se está lendo isso (eu sei, provavelmente não está), finja que é só mais uma carta desnecessária. E que não estou escrevendo isso pra ti... Finja que eu não continuo sendo a mesma idiota de sempre. 
Entretanto, eu não vou te enganar. Sinto falta das nossas conversas sem nexo, das suas palavras meigas que me faziam sonhar contigo (as mesmas que eu nunca acreditei), e do seu coração apaixonado pela pessoa errada (ou talvez a certa, não sei). Tudo isso me fez acreditar em você. Me fez criar um romance, que na verdade, nunca existiu, mas que me fazia bem. Era como se finalmente o conto de fadas se tornasse real (ou quase real).
Eu não queria te perder, então tentei fazer a coisa certa, quando na realidade eu fazia a coisa errada. Por isso não sei se continuamos os mesmos. Quero dizer, não sei se você ainda gosta de mim. Não aquele gostar como eu queria que você gostasse, mas como você costumava gostar: como uma amiga, como sua caixinha de segredos. Porque é disso que eu sinto falta.
Desculpa. Tenho que parar por aqui. Estou me sentindo estúpida demais para continuar com esse despejo de sentimentos que provavelmente só fará você me odiar mais ainda. Aproveitando essa estupidez toda, só mais uma pergunta... Você se arrepende de ter me conhecido?

Thais Katsumi.

domingo, 16 de outubro de 2011

Honestamente?


Honestamente, não sei se eu sorri no dia que nos conhecemos
Nem sei se eu vivi da forma que prometemos
Não sei se me lembro do nosso primeiro encontro
Ou do dia que quase estávamos prontos.

Não sei se meus abraços eram apertados o bastante
Ou se meus beijos eram suaves e calmantes
Também não sei se me amava como dizia me amar
Mas isso era o que menos parecia te importar.

Não sei o que é amor ao dizer eu te amo
Ou se é amor o amor que eu sinto por você

Não sei se é saudade quando te ligo e te chamo
Mas sei que preciso do amor pra sobreviver.

Honestamente, não sei escrever versos e poemas
Nem sei musicalizar ou rimar 
Mas pra você, são apenas coisas pequenas
Que não valem nem o seu respirar.


Thais Katsumi.


sábado, 15 de outubro de 2011

Dia 15.



A garota sorriu. Sorriu um sorriso daqueles vazios, daqueles sem emoção.Seus olhos estavam distantes. Lembrava de coisas que não devia lembrar, pensava em coisas que não queria pensar. Amava quem não podia amar.Lembranças antigas, partidas, acabadas, meio remendadas, invadiam-lhe a mente de tempos em tempos. Palavras que ficaram gravadas em seu peito revolviam e machucavam-lhe como facas afiadas.
— Você me deixa fraco.
— Aham…
— É. Tipo o Superman e a Criptonita.    
Ele era seu superman, ela era sua criptonita… Ela mexia com ele. Mexia. Mexeu. Passado e presente misturavam-se numa cabeça ainda confusa. Ela limpou mais lágrimas que tornavam a cair em seu rosto magricelo: não comia, não vivia, então já havia tornado-se nada mais que pele e ossos. Alimentava-se da tristeza, da falta dele. Ou a falta dele alimentava-se dela… Não se sabe. Ela buscou o celular. Era hora da tortura, não era? Hora de ler as velhas sms. Ler aquelas velhas promessas de amor, aquelas velhas palavras que embalavam seu sono, aquela antiga realidade que hoje em dia não era muito mais que um sonho.
Respirou fundo, lutando contra as muitas lágrimas que tentavam lavar-lhe o rosto de novo. Ah, como doía… Como doía ter que se forte, ter que segurar o choro.De novo, mais uma vez, novamente, pra sempre. Tirou da pasta de sms. Não seria forte se lesse mais uma daquelas. Olhou para o calendário. 15. Dia 15. Maldito dia 15. Não aguentou: tornou a chorar.  De novo, mais uma vez, novamente, pra sempre. Dia 15, dia 15, dia 15. Mais memórias bombardearam aquele coração que já estava bagunçado, com a estrutura balançando.
Quebrou, é claro. Caiu. Estraçalhou. E ela continuou a chorar, agarrando-se a um travesseiro e tentando não fazer mais besteiras que a fariam chorar ainda mais.Tentando não fazer mal a si mesma. Pegou o celular novamente, mas dessa vez foi para buscar alívio e não tortura. Discou o número de sua melhor amiga; talvez, quem sabe, ela lhe impedisse de fazer besteiras… 
— Me ajuda.
— O que?
— Me ajuda.
— De novo?
— Me ajuda… 
(silêncio)
— Dói.
— Não chora. Não chora. Não chora.
(soluços) 
— Não chora. Não chora. Não chora.
— Eu vou… 
— O que?
— … Outra ligação. Espera.
Sabia que ia arrepender-se disso: tinha certeza. Sabia que depois iria ligar para a melhor amiga de novo, desesperada, em lágrimas… Mas desde quando a menina pensava antes de fazer as coisas? Ela respirou fundo. Respirou bem fundo. Respirou. Respirou e discou o número que conhecia tão bem. Dois oitos. Dois. Três. Digitou o resto do número. Respirou de novo. Tentou se acalmar: começou a tremer. Tentou segurar as lágrimas: agora soluçava alto de desespero. Tentou desistir: apertou o botão verde que confirmava a ligação. Foram os dez segundos mais demorados de sua vida. Se ele não atendesse, acabou. Ou acabaria. Se houvesse algo. Ela quis desligar, mas quando seu dedo alcançou o botão, já era tarde demais.
— Alô. 
Aquela voz. Aquela voz. Aquela voz era sua. Aquela voz era sua paz, sua… sua…sua. Ela abriu a boca e fechou. Abriu e fechou. Nervosa. Tentava não errar. Tentava fazer algo certo. Uma vez, pela primeira vez, definitivamente.
— Alô? Aff, vei, se ligou só pra fazer sacanagem, vá…
— Oi — na falta de algo melhor, era o que ela tinha pra lhe dizer. “Oi”. “Oi, sou aquela que você costumava amar”. “Oi, sou aquela que sente tua falta todos os dias”. “Oi, sou aquela que ainda te ama”. “Oi, sou aquela que não te esqueceu”. “Oi, sou aquela que faz tudo errado”. “Oi, sou aquela que vai te amar pra sempre”. Tantas coisas imbutidas numa palavra só. Tantas coisas não ditas que tinham que ser postas na mesa. Tantos medos. Tantos tudo. Eles sempre tinham sido um casal assim: tudo ou nada. Ganhar ou perder. Tá péssimo ou tá bom. Tá fofo ou tá um saco. Nunca souberam ser metade, só souberam ser extremos. E tinha que ser assim, tantos “tanto”, ou não seriam eles. Ele ficou em silêncio alguns segundos. Ela pensou que ele iria desligar. Já havia dado até um suspiro baixo, quase mudo, de desistência. Por que diabos tinha ligado? Por que demônios era tão imbecil em torturar-se mais ainda?Quando estava para chorar (de novo, novamente, mais uma vez), ele respondeu.
— Oi. Quanto tempo — havia um grande barulho encobrindo sua voz. Estava numa festa, talvez? Claro que estava numa festa. Na cabeça dela, ele havia esquecido-a tinha tempo. Aliás, nem sequer a tinha esquecido. Esquecer o que, se ele nunca tinha a amado? Ela ficou em silêncio, pensando no que falar. Ou se ia falar.
— Sim. Muito tempo. Eu… Desculpa por ter te ligado. É que é dia 15. E eu lembrei de você. Não porque era dia 15. Na verdade, eu ando lembrando de você todos os dias. O tempo todo. Nunca… Nunca consegui… te tirar aqui do peito.Ninguém nunca consegue, né? Esse é você. Ninguém consegue te superar. Nunca. Talvez eu seja a que mais me entreguei. Naquela minha intensidade, naquela minha maluquice, eu fui toda tua. Cem porcento. Sincera. Desse meu jeitinho mesmo. Nunca mudei. Nunca mudei e me entreguei. Me entreguei à você. E você nunca me entregou de volta. 
— Essa é uma ligação de cobrança? Você está me cobrando você?
— Eu acho que, talvez, esteja ligando na esperança de que possa te cobrar você. Sabe? Na esperança de que você tenha sido um dia tão meu quando eu ainda sou tua, e de que eu ainda possa te cobrar para cobrir esse buraco que eudeixei dentro de mim. Sabe? Cobrir esse buraco — ela suspirou. — Não estou falando nada com nada, estou? Faz tempo que eu não falo algo com sentido… Desculpa… Tô perdida… 
— Perdida? Perdida onde, gordinha?
Uma lágrima (silenciosa, graças a Deus) escorreu pelo rosto da menina com a menção do velho apelido. Ele tinha que estar brincando com ela. Ele sempre fez isso. Ele sempre a teve na mão. Sempre soube como trazê-la pra perto, e como lançá-la pra longe. Ele sempre a soube por completo. 
— Perdida aqui dentro. Tá tudo uma bagunça. Tudo uma bagunça. Você deixou uma bagunça pra trás. Eu me perdi nessa minha vida sem você, mas a minha vida… ela meio que é você. Meus pensamentos… você. Meu coração… você. Nada me deixa te esquecer, então pra mim… Minha vida é você. E só vai deixar de ser quando tudo nela parar de te lembrar.
— Mas isso não vai acontecer…
— É… Talvez. Talvez eu só tenha que superar essa tua ausência, esse teu gelo, essa tua indiferença, essa dor que tu deixou. O que era amor virou dor. O que era dor… bem, dor é amor, amor é dor, tá tudo misturado. Falei que tava uma bagunça, né? E eu sei que… você deve estar me achando um saco… Olha, foda-se. Eu só preciso te falar esse monte de coisa, antes que eu morra entalada. Se bem que “morrer” é um termo relativo. Me sinto meio morta. Meio zumbi… Sabe? Você entende? Eu levanto, tomo banho, penteio o cabelo, escovo os dentes, como, escovo os dentes, acordo, vou estudar, como, escovo os dentes, durmo. Mas eu faço tudo isso e pareço um robô. As coisas não me tocam mais. E se me tocam, é porque me lembram você. Sabe aqueles filmes que eu amava? E aquelas séries que eu assistia todos os dias? E as músicas? — pausa. — Ai, como eu odeio elas. Odeio elas porque me lembram você. Você me roubou tudo que eu tinha, garoto. Parece até aqueles pilantras de rua. Pegou tudo e saiu correndo. Qual é o seu problema, hein? Você é que nem um pilantra de rua? Faltou amor? Educação? Carinho? Faltou o que? Me diz, o que te faltou. Me conta, o que eu não pude te dar. Me fala, o que faltou? 
Ela silenciou, arfando, esperando uma resposta. Não chorava mais, mas tremia. Tremia e tremia muito. Balançava de cima de sua cama. Ai que merda ai que merda ai que merda ai que merda ai que merda ai que merda. Ele demorou mais do que cinco minutos pra responder.
— Não sei o que faltou, gordinha. Mas faltou. 
 Eu sei que não sou perfeita, eu sei que sou toda errada, mas eu… Eu.. eu não faço por querer… Todo mundo sabe disso, você sabe disso. Por que… Foi assim por tanto tempo, por que tão de repente? Por que de repente esse detalhe tão meu fez com que faltasse tudo?
— Eu amo você, gordinha. Eu amo. Amo mesmo. Vou continuar amando por um tempinho. Acho que por um bom tempinho. Mas eu cansei, gordinha. Cansei de lutar contra você. Contra mim mesmo. Contra meu orgulho. Contra meus ciúmes. Contra tuas merdas. Contra todas essas outras garotas que, admita, não merecem que eu as machuque como eu te machuquei. Ninguém merece. Contra esses trocentos mil quilômetros que me impedem de te calar com um beijo todas as vezes que eu quero. Contra esses trocentos mil quilômetros que me impedem de te ter para mim. Tipo… Como eu sempre quis. Como você sempre quis. Como nós sempre quisemos. Nós, né. Outro assunto complicado. Já te machuquei muito com isso antes. Mas… Não tem mais nós. Não tem. Acho que nunca mais vai ter. Tem eu. Tem meu amor por você. Tem você. Tem o seu amor por mim. E tem o seu orgulho, e o meu orgulho, que parecem até que tão de planinho o tempo todo: olha, quando eu não quiser abaixar a guarda, tu também não quer! E eu cansei disso no meio do nosso nós, A. Cansei disso no meio do nosso nós. Isso esteve tanto tempo aí… Olha, não tem mais nós — a voz dele falhou. Ela soluçou.
— ... Não diz isso… não diz isso… Não… 
— Não tem mais nós.
— Não…
— Não tem mais chance.
— Tem...
— Para com isso, menina. Para de se iludir. Para de fingir. Para de mentir. Você sabe tão bem quanto eu que não tem nós. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.Mas… É suficiente? É suficiente para você? Você confia em mim? No meu amor?
— Não. Mas eu te amo. Eu posso confiar. Eu posso… Eu sei que posso. Me dá só mais uma chance de fazer isso ficar certo. Só uma. Uma. Uma.
— E eu também não confio nisso, gordinha. Não… consigo confiar. A gente já errou tantas vezes, né? Eu errei. Tu errou. Pra caralho, os dois. A gente só faz merda.
— É. Eu sei. A gente só faz merda. O tempo todo. O tempo todo. Sem parar. A gente só faz merda. A gente tá fazendo uma agora. Sabe qual é? Desistir um do outro.
— Mas a gente tem que. É melhor. Não é certo. Nós não somos certos.
— Nós não somos certos. Nunca fomosMas somos nós. 
— Não somos.
— “Somos”. Primeira pessoa do plural do verbo “ser”: nós. Nós somos. Eu e você. Nós.
— Para.
— Só preciso de mais uma chance. Uma. Por favor. 
— Para de me torturar. De se torturar. 
— … De nos torturar. Eu e você. Nós.
— Eu. Você. Separados. É essa a realidade, gordinha. Por mais que eu sinta tua falta, por mais que eu ainda te procure e por mais que eu ainda pense em você, nunca mais vamos ficar juntos. Nunca mais vai ter eu junto de você, ou você junto de mim. Só nos restam lembranças. Muitas lembranças. Lembranças que doem. Doem em mim. E em você. Foi bom falar com você, minha gordinha. Sentia saudade da tua voz, e dessa tua confusão. Sentia falta. Mas não me liga mais… Não me liga mais porque dói. 
— Não precisava doer…
— Precisava sim, gordinha. Não me liga de novo. Nunca mais. 
— […] Promete lembrar de mim nos dias 15?
— Em todos os dias
— Então tchau. 
— Tchau?
— Tchau. Adeus. Até nunca mais. Vou te deletar. Fingir que tu não existe. Não é o que tu me pediu? Não quero. Não quero viver sem você. Mas vou. 
— Tchau? Como que tu diz tchau pra uma coisa que mora no teu peito?
— Ah, garoto… Tchau. Tenho que aprender a viver sem você. 
— Eu te amo, gordinha.
— Eu te amo.
— Que pena que não foi o suficiente.
— Que pena que não foi o suficiente para você. 

[Fim da ligação][Fim do nós][Fim da relação][Fim das tentativas][Fim dos medos][Apenas mais um dia 15 pro amor dos dois] 

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