Mostrando postagens com marcador Chuva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chuva. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ela não me conhecia.



Eu me aproveitei por ela não me conhecer. Eu a conhecia. Não sabia ainda a cor ou a comida preferida, mas já havia ouvido falar que gostava de chuva e boatos sobre onde passava as férias. Ela não me conhecia, nadinha, nem se eu fazia aniversário no fim ou no início do ano. Nem se meus olhos eram pretos ou claros. Ou se eu estava de passagem ou vinha em definitivo. Mas ela tinha olhos de mistério, e isso ninguém precisou me contar. Daquele mistério eu gostava, atiçava alguma curiosidade minha que vivia uma morte lenta. E, se eu bem estava certo, ela também passava por aquelas ruas desertas que eu passava. Mulher alguma gostava de mistério sem ir atrás dele. E ela passou…. Na rua, com a chuva, olhos delicadamente escuros e loucos pelo mistério. E sim, eu me aproveitei. “Você não me conhece, mas eu já te conheci”.  Ela não correu, e eu já imaginava que ela era dessas que não correm, que pagam para ver, deixam o cabelo ir no vento sem ter a vaidade de arrumar num rápido segundo. Ela deixa tudo ir, desorganizar-se, seja o cabelo ou o pensamento. Não me conhecendo, armou os braços em volta do próprio corpo; era proteção o bastante para ela. Eu não era psicótico, mas ela ainda não sabia. “Como me achou?”. Ela já sabia: “essas ruas são a sua cara”. “E por que seriam a sua também?”. Sorriu debochada. Riso nervoso, mas debochado. Não respondi. Fiz o jogo de responder com outra pergunta. “Você não me conhece?”. Balançou a cabeça e olhou para cima, parecia torcer para chover mais. Eu também torcia, e ela nem me conhecia. “Não me achou estranho?”. Saiu andando e me respondeu num fio de vento: “Os conhecidos é que me são estranhos. Vem, ou fica.”

Eu fui. Porque ela não me conhecia. E se conhecesse, adeus romance na chuva.

Por uma noite, muitos estranhos se amam.

Camila Costa.

sábado, 14 de abril de 2012

Tome uma chuva.


Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva sem se preocupar com o celular no bolso, os cartões do banco, a chapinha, o sapato que não pode molhar? As pessoas têm que se permitir. Aprender o atraso, o olhar em volta. Mudar o caminho de todos os dias e se perder no seu próprio bairro.

Verônica Heiss.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Cheiro de chuva e terra molhada.


Nessa noite, quando passei pela janela do meu quarto, senti aquele cheiro de chuva. De terra molhada. O cheiro que eu costumava sentir quando você chegava. Era sempre assim que eu o recebia.
Todas aquelas gotas que, aos olhos da multidão, geravam depressão, aos meus olhos, eram gotas que marcavam o início de um dia perfeito. Eu sabia que você cuidaria de mim. Todos os dias que chovia, você dizia precisar me ver. E eu estava bem, só que apenas essas palavras não eram suficientes pra você. Você sabia que eu tinha medo de ficar sozinha. A chuva e seus companheiros nunca soaram inocentes aos meus ouvidos. Até você aparecer e ficar ao meu lado nesses dias. Certa vez eu descobri que você me fazia feliz, e a chuva não importava mais, nem o barulho que ela fazia quando se chocava com o vidro da janela, nem os raios, nem os trovões. E quando tudo estava ficando bem, quando meus medos já praticamente haviam deixado de existir... Você resolve partir.
Já não te vejo mais no meio da multidão, procurando um jeito de escapar da chuva e chegar na porta de casa o mais rápido possível. O que restou? Apenas lembranças dos melhores dias de chuva que houveram na minha vida, e a esperança de que ela possa te trazer de volta como costumava fazer.

Thais Katsumi.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Dias de chuva,


Monótono, mais um dia de chuva. Os pingos batendo em minha janela, posso ouvir também o barulho dos galhos farfalhando. Faz dias que não me lembrava de você, há meses parei de lhe procurar, mandar recados ou correr atrás de um meio de saber como você possa estar, não me faz mais diferença. Há tempos, as poucas lembranças que me vem a cabeça quando ainda dizem o seu nome não passam de meras insignificâncias, poderia de muito guardar ódio e rancor, mas tenho que para mim o desdar é uma fonte mais sutil.
Debruçada na janela começo a brincar com os pingos que vão batendo no vidro e escorregando, como se apostassem corrida uns com os outros, até se misturarem e viraram um só. Dias chuvosos são nostálgicos por natureza, tem isso cravado em seu interior, eles tem o objetivo de nos fazer cavar as lembranças de quem nos fez sofrer e deles relembrar, mas não, hoje não. Hoje vou apenas me recostar na janela e observar a chuva cair.

Danielle Oliveira.

ShareThis