Não era fácil viver oculta da sociedade. Não que isso me fizesse mal, mas esconder o que eu era não fazia de mim melhor que os outros. Eu apenas prolongava o inevitável. Um dia, mesmo que tardio, eu teria que me mostrar. Precisaria aparecer. Porque é impossível viver presa por toda a eternidade. Não que "aparecer" seja realmente necessário, já que poderia me refugiar sem que ninguém notasse por um longo tempo. Portanto, eu me cansaria de tal esforço. Me cansaria de mentir, de fingir, de me esconder. Isso não é vida. Não preciso que todas as pessoas gostem de mim, nem que todas elas gostem de mim por conta das minhas qualidades. Careço do amor de pessoas que me gostem do jeito que eu sou; do modo como me visto e como me falo; sem me esconder pelos cantos, nem simular o que querem que eu seja. Careço de vida de verdade. Da realidade.
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terça-feira, 3 de abril de 2012
quinta-feira, 17 de março de 2011
Eu mesma.
"Seja você mesma". Foi o que eu ouvi alguns dias atrás.
"Eu não estava sendo eu mesma?" me perguntei. Logo meu sub-consciente sem hesitar, respondeu "você sempre foi você mesma". A questão agora é: "fui mesmo?".
É claro. O fato de eu mudar conforme eu vou conhecendo melhor uma pessoa, é parte essencial de ser eu mesma. Sou eu mesma quando conheço todas as pessoas. Converso se puxarem assunto, dou sorrisos envergonhados, tento não deixar o assunto morrer, e em caso de extrema necessidade puxo assunto com um total desconhecido. Quando conheço alguém, não sou de extravagâncias demais, sorrisos demais, piadas demais, abraços demais, e melação demais, essas coisas vem com o tempo.
Mas isso não significa que eu não sou eu mesma quando começo a brincar, falar bobagens, fazer caretas e cantar na frente de quem, algum tempo atrás, era apenas um desconhecido. Se essas fases de uma relação não existissem na minha vida, eu não estaria sendo eu mesma.
Além de tudo, essa coisa de mistério, de conhecer a pessoa devagar, sem pressa, é bem mais divertido. Mesmo que a pessoa te decepcione, o tempo que vocês permaneceram juntos pra se conhecer, fizeram os laços ficarem mais fortes, inquebráveis. É assim que eu sou, gosto de conquistar aos poucos, mesmo que precise de muito trabalho.
Thais Katsumi.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Just look.
Não tente adivinhar meus medos, nem chutar o que eu vou querer ouvir depois de uma briga. Esse jogo de sorte ou azar nem sempre funciona. Talvez você leve sorte. Mas quer algo mais preciso? Basta me observar. Olhar bem fundo, onde quase ninguém alcança. Só assim saberá o que eu quero, o que eu desejo. É difícil. Mas não custa tentar. Não ouça só o que eu falo, não preste atenção só no que eu faço, isso tudo é superficial, eu posso estar apenas sendo gentil. Try to be better than otters. Me conheça. Não veja só a minha face, vá além, descubra o que ela quer dizer. Não dê atenção para o que eu uso, mas para o que eu queria estar usando. Não ligue para o que eu falo, no entanto, tente entender o que eu penso. Basta olhar.
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