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quinta-feira, 28 de junho de 2012

O melhor filho do mundo


Sempre que me imagino mãe, me imagino mãe de uma criança com Síndrome de Down. E isso me deixa tão feliz! Uma felicidade tão imensa que é difícil explicar. Já ouvi tantos casos de mães que rejeitaram o filho devido à alguma doença, que, provavelmente, tal fato me deixa um pouco preocupada com o futuro deles. Talvez essa seja a razão para eu me emocionar quando digo que terei orgulho do bebê que darei a luz. Talvez essa seja a razão para eu dizer que o amarei, independente de qualquer coisa. Talvez essa seja a razão para qualquer dificuldade ser apenas um aprendizado.
É claro que não deve ser nem um pouco fácil cuidar de uma criança especial. Não pela doença em si, mas pelo preconceito em torno disso. Que apesar de muitos afirmarem estar extinto, é inevitável olhares preconceituosos ou cheios de pena. Isso não me afetaria diretamente, já que eu seria a pessoa mais feliz do mundo por saber que uma criança especial está sendo amada e não abandonada. Tais olhares só me afetariam a partir do momento que meu filho sentisse isso.
Caso isso acontecesse, estou certa de que seria uma luta interminável para colocá-lo na sociedade e fazê-lo se sentir parte dela. Fazê-lo prestar atenção em quão importante ele pode ser para todas as pessoas à sua volta. Fazê-lo acreditar que como qualquer outra pessoa, ele é capaz de tudo. E eu venceria essa luta.

Por isso, querido, não se preocupe! Eu serei a melhor mãe do mundo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

29 de Maio de 2012, 15h


Querido Bê,

Estou muito triste.

Na realidade, nem queria que você lesse isso, porque não tem uma gota sequer a ver contigo, só preciso desabafar, sem precisar realmente ser ouvida. Então se caso preferir, pode parar por aqui.

É, eu te conheço bem demais pra saber que você leria as próximas linhas. Me sinto um pouco culpada por isso, não quero te trazer mais preocupações. Mas se eu guardar essa carta na gaveta, vou sentir como se tivesse jogado meus problemas debaixo de qualquer tapete. E no momento, não me vem mais ninguém à quem recorrer senão você.

Hoje minha mãe esteve aqui. E você sabe, ela está com aquela coisa chamada Alzheimer. Ah, que doença terrível. Dizem que as pessoas que vivem em volta dela sofrem muito mais do que a própria pessoa, já que ela tende a esquecer qualquer ocorrido recente. Mas sabe, é muito pior do que dizem.

Tudo bem, estive sempre meio acostumada a ser confundida com alguém, acontece. E minha mãe sempre foi dessas, de confundir. Só que hoje... Ah, hoje foi horrível. Ela apareceu aqui desesperada procurando pela irmã dela (que segundo ela, era eu), disse que o rapaz que a acompanhava queria que ela dormisse na mesma casa que ele. O rapaz, era meu irmão. E então ela disse "Eu deixei o Lelo lá" e ele respondeu sorridente "Mãe, eu sou o Lelo", ela insistiu irritada "Eu sei que você é o Lelo, mas eu deixei meu Lelo lá na sua casa, você acha que estou caduca? Eu sei que você é o Lelo, mas tem o Lelo meu filho também"... 

Ele não demonstrou, mas fico imaginando como deve ter doído nele. Imagine, sua própria mãe te dizendo que você não é filho dela, e que o suposto verdadeiro existia e estaria em outro lugar. O Lelo deve ter ficado muito chateado. E o pior, ela disse preocupada, depois que o Lelo saiu, "Ele não pode matar o Lelo não, né? Eu posso deixar o Lelo dormir na casa dele, certo? Porque eu nem conheço esse rapaz direito, vai saber o que ele pode fazer".

Ah, Bê, não sei mais o que fazer. Não ser reconhecido pela própria mãe deve ser horrível, deve doer no peito, sabe.

Espero que encontrem uma cura para essa doença. Não quero mais ouvi-la dizendo que irá se matar se a obrigarmos a tomar qualquer remédio.

Obrigada por me ouvir Bê, e não se preocupe, ficarei melhor,

Eu te amo com todas as letras do alfabeto,

Tua, Alie.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ame hoje.


É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.


Pais e filhos - Legião Urbana

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Day 3: Your parents


Mamãe e Papai,

Desculpe, já comecei mal. Mas não posso falar de ambos como se fossem um só, quando são pessoas totalmente diferentes que nem sequer vivem no mesmo lugar. De qualquer forma, continuarei...

Porque apesar de tudo, vocês são meus pais. Me colocaram no mundo, e me ajudaram a crescer. Me amaram e eu os amei. Sem mais nem menos, passei à odiá-los, como todo adolescente. Poderiam ao menos ser um pouco mais liberais, afinal, não sou mais uma criancinha - apesar de que serei pra sempre a filhinha de vocês. Mas no fundo, sempre os amarei, mesmo que eu disser coisas horríveis e imperdoáveis.
Hoje, ainda não sou uma mulher, não tenho filhos, nem sobrinhos. No entanto, talvez um dia eu possa dizer o quanto sou grata de saber quão difícil é tentar fazer de outra pessoa, uma pessoa digna de respeito.
Obrigada por me fazerem o que sou hoje. E, não se preocupem, já não sou tão tola como antes, sei me cuidar. Além do mais, apesar de eu ser apenas uma adolescente, sei das más consequências que algumas coisas trazem. Vocês sabem que não sou como todo adolescente. Confiem em mim. E, se eu errar, por favor, só peço que fiquem do meu lado, pode não ser o que querem, já que me avisaram tantas e tantas vezes, mas eu não sou perfeita, então, só entendam.

   Thais Katsumi.

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