quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Carta para uma Thais adulta.


14 de dezembro de 2013

Querida Thais do futuro,

Como você está?

Hoje é seu aniversário! Quantos verões você já comemorou desde o dia em que eu escrevi isto pela primeira vez? Já conseguiu conquistar todas as metas da sua vida? Você ainda lembra para quantas pessoas prometeu sua amizade eterna? Você pelo menos ainda mantém um mínimo de contato com eles? Porque eles eram seus melhores amigos e você até chorou quando foi embora. Você lembra quem são eles, e lembra dos seus sobrenomes e suas personalidades? Você conheceu novas pessoas? Abandonou as outras? Você sabe o quanto no fundo eu queria que fosse pra sempre. Por falar nisso, continua desacreditando no pra sempre? Você descobriu se aqueles seus "amigos" que saíram da sua vida do nada eram realmente seus amigos? Quebrou a cara tantas vezes como eu imagino?

Ah, espero tanto que você tenha conseguido comprar a casa dos sonhos da sua mãe. Como ela está, aliás? Feliz? Ela finalmente está aproveitando tudo que ela sempre mereceu? E seu pai? Ele conseguiu um bom emprego para mostrar como ele é excelente em tudo? Você vê ele sempre agora? Não me diga que o vê uma vez em anos... Você já passou muito tempo longe dele! E seus irmãos? Eles estão bem sucedidos como espero que estejam? Como eles são grandes, crescidos, adultos? Continuam os mesmos? Oh, Deus, espero que vocês não tenham brigado e ficado distantes sem saber notícias uns dos outros. Você continua orgulhosa dos irmãos que tem?

E como vai sua saúde? Você tem cuidado da sua alergia? O alzheimer já te atacou? Você continua esquecida e avoada como sempre foi? Conseguiu arranjar o trabalho dos seus sonhos ou ao menos descobriu qual é o trabalho dos seus sonhos? Não venha me dizer que está atrás de um balcão de escritório desperdiçando todo o talento que tinha. Também não me diga que ficou presa na sua cidade natal sem fazer o tur mundial como sempre desejou.

E seus amores? Continua se apaixonando pelos caras errados ou já encontrou sua alma gêmea? Você não anda tentando destruir seus próprios relacionamentos como costumava fazer, certo? Diga-me que finalmente encontrou o rapaz dos seus sonhos! Já casou? Sua festa de casamento foi a sós com seu noivo em algum lugar do planeta, como você sempre quis? Ele é um cara bacana? Ou você simplesmente virou uma senhora que cuida dos idosos no asilo da sua cidade? Espero pelo menos que esteja fazendo algum bem à humanidade.

Como está a humanidade? Continuam destruindo o mundo? Ainda existem árvores? Por favor, diga-me que sim! Não quero ver meus filhos e netos morrendo porque vocês destruíram o planeta. Você já tem filhos? Quantos e quais seus nomes? Não vejo a hora de conhecê-los, fico ansiosa só de imaginar a possibilidade. Você vai educá-los como foi educada, certo?

Não quero ouvir que seu maior sonho é voltar no tempo, ou que sua vida foi desperdiçada, ou que não vê sentido em viver. Enfim, eu só quero que você esteja muito feliz, independente de qualquer pergunta não respondida. Que você tenha feito as melhores escolhas que poderia, e que, caso você não tenha feito nada disso... FAÇA! Ainda dá tempo, acredite.

Com carinho,

Uma Thais adolescente.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sobre encaixes



Somos como um quebra cabeça com um milhão de peças. Cada pecinha representa uma das nossas infinitas qualidades, desejos, nossos gostos, crenças e do nosso próprio corpo. Elas vem todas num formato diferente, que nem sempre vai encaixar com o quebra cabeça do príncipe encantado.

O beijo pode ter sido péssimo, e ainda assim não significa que ele beija mal, apenas que cada um beija do seu jeito. É por isso que as vezes dar as mãos é doído, abraçar é desajeitado e transar é uma droga. É porque existem tantas peças que algumas coisas não se coincidem.

O cara pode ter o corpo mais esculpido do mundo, e quando vocês se conhecem suas ideias e ideais não se batem, e de deus grego ele transforma-se em um completo idiota. Isso é resultado de algumas peças que possuem formatos completamente desigual. E não significa que outras peças também darão errado. Que você precisa desistir, que ele não é o cara da sua vida (e que ele é de fato um completo idiota). Existem muitos outros pequenos detalhes que podem combinar.

Se tentar forçar o encaixe de duas peças, mesmo desajeitadas, podem acabar se adaptando. Evidente que nem sempre dará certo, e aí alguma das peças se lasca, entorta, muda de formato. Pra sempre ou não, alguém carregará uma marca de um aprendizado do passado.

Não pense como o fim do mundo se já tentou várias vezes que seu quebra cabeça se adequasse com o de alguém. É demorado, árduo, precisa de paciência e muita força de vontade. Um companheiro que não se encaixou nunca é uma perda de tempo, é uma experiência. Não tem problema se tiver desencaixes. Algumas coisas são bonitas assim. Não é o fim. E relacionamento não significa só romance. Significa amizade, companheirismo e tantas outras coisas que são tão boas quanto.

Vai chegar uma hora, que vai chegar uma pessoa, que vai ter tanta coisa que vai se encaixar, que será bizarro. E aí tu vai rir e se sentir completo e pensar como essa teoria estava tão certa. E então, finalmente, você terá encaixado todas as uma milhão de peças do seu quebra cabeça, que formará um belíssimo quadro lotado de felicidade que você poderá expor para quantos visitantes desejar.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pra quando você chegar.



Moça, eu não sei se você já chegou, mas tenho umas coisas para te falar. 

Já faz um tempo que eu e ele não temos mais nada, e nesse meio tempo vocês já podem ter se encontrado. Ele é um cara bom, sabe? Vai fazer tu se sentir completa, e te deixar com saudade por um tempo que eu diria ser... sempre. Está certo que ele é um pouco orgulhoso e cheio de si (você já deve ter percebido), mas é só uma casca que ele criou pra camuflar todos os sentimentos que ele não gosta de mostrar pra ninguém.

Devo te avisar que no começo será mil maravilhas! Ele se adapta à qualquer tipo de pessoa, vai ser o cara que você nunca sonhou e que agora é tudo que você precisa. Uma hora ele vai tocar na sua ferida, e invés de doer, vai sarar. Você provavelmente ficará um pouco viciada nisso, nessa coisa dele consertar tudo que estava errado antes dele chegar. Um dia vai parecer que ninguém mais é tão legal quanto ele, nem tão inteligente, nem tão bonito, e nem tão talentoso. Isso fará você querer deixar de lado algumas amizades, mas não faça isso. Ele pode te machucar, a única pessoa que você vai querer recorrer será o causador dessa ferida e você não poderá.

Ele é bom com discussões. Tem argumentos que deixariam qualquer um sem palavras. Discuta com ele, ele gosta de conversas longas e produtivas. Vai jogar muita coisa na sua cara, e muita coisa não será boa. Talvez ele diga que você só pensa em si ou que você precisa ser mais decidida pro que quer da vida. Não se abale, porque ele vai te inspirar a ser alguém importante nesse mundão. Quando ele pegar muito pesado, releve, às vezes ele não pensa ao agir, a vida dele é provavelmente mais estressante que a sua. Logo ele se dará conta de como não foi muito legal e se desculpará. Caso não faça isso, esqueça. Ele vale a pena.

Uma vez ele disse que eu era importante, por isso deixou que eu conhecesse um pouco dele de verdade. Ter me contado pode ter sido um erro, já que deixei de ser a guria que deixava-o bem para ser ninguém, então não espere que ele se abra pra ti logo de cara. Minha teoria é que ele já deve ter passado por coisas que o destruíram de uma forma que o fez não ter mais confiança nas pessoas. No entanto, se um dia ele te contar, ah, guria, é possível que você tenha conquistado o coração desse rapaz. É importante que você o ame quando isso acontecer. Não acabe com o coração dele. Ele merece a melhor guria de todas. 

Eu queria te contar tanto sobre ele que eu ficaria aqui a madrugada inteira, porém o objetivo disso é que eu preciso que você cuide dele, mesmo que ele diga que sabe se cuidar. Cuida sem ele perceber. Não prenda-o, ele gosta de ser livre. Só esteja lá quando ele precisar, e não esteja quando ele não quiser. Se um dia ele parar de te responder, tenha certeza que o silêncio dele também é uma resposta, então afaste-se. Não estrague tudo se ele voltar. Por favor, faça ele ser o cara mais feliz do universo. Está nas suas mãos agora. E por último, se você puder, diga que sinto saudades e que ele sempre estará guardado no meu coração.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Orgulho-me de você



O que seria da sua vida se você estivesse ali apenas para sobreviver todos os dias?
Pois é, essa é a vida da minha vozinha que aos 60 e poucos anos acorda todos os dias apenas para passar por aquele dia. Parece triste não é? Não poder ser independente, depender de alguém para te levantar, alimentar, banhar e fazer você sorrir um pouquinho.

É triste mesmo, vê-la ali quietinha, com dificuldades em se recordar quem são aqueles a sua volta. Quem é a pessoa que esta te pedindo benção, que fala “fica com Deus vó”. Mas ela como uma mulher forte que sempre foi, continua ali tentando todos os dias não somente sobreviver, mas ver a família linda que fez que nasceu graças a ela, ao seu carinho tremendo de unir a família em todas as datas comemorativas ou demais datas.

Mas mesmo com todos seus probleminhas, acredito que ela tenha um grande objetivo nessa vida, pois não é possível uma senhorinha que desde que a conheço seja doente, esta lá ainda, olhando para mim para se lembrar quem é essa que te pede benção.

Pra mim o papel dela é unir toda a família nas datas comemorativas. Creio que se não fosse ela, se não fosse o fato dela estar de cama, toda família não iria se reunir em datas especiais para visitá-la. Talvez se ela fosse saudável como todas as outras vovós por ai, não teríamos uma família linda que me orgulho.

Desde que me conheço por gente, quis aquela vó dos filmes, que mima os netos, que brinca com os netos, uma vó amiga pra quem você pode contar tudo, mas mesmo que minha vó nunca podê correr e brincar comigo, hoje eu vejo que a culpa de eu não ter uma vó presente, foi toda minha. Se eu tivesse ido visita-las mais vezes, talvez ela não acordasse todos os dias apenas para sobreviver, mas para abrir um sorriso pra sua neta por ter lembrado dela naquele dia.

Achava tão bonitinho ela dançando com seu único braço que se mexia tão feliz por me fazer rir, e hoje nem isso que pra mim era a coisa mais fofa do mundo, ela pode fazer. Era um orgulho pra mim vê-la ali tentando todo dia escrever com a mão esquerda que hoje nem se movimenta mais.

Hoje eu não quero mais uma vó que corre e brinca comigo, quero que o movimento da sua mão esquerda volte pra ela poder escrever e dançar novamente. Quero que ela acorde não para sobreviver, mas para ficar feliz por ter uma família linda a sua volte, uma família que ela deveria se orgulhar, pois esta ali por ela e pra ela.

Uma pena vó que a senhora não possa ler e não consiga me entender todos os dias. Sei que não a visito com frequência, mas saiba que sempre peço a Deus que mesmo que você apenas sobreviva, que continue com a gente por muito tempo. Sei que a senhora sofre por ter essa vida dependente de seus filhos, mas observe, todos estão ali para a senhora, se a senhora deixar a gente talvez nas datas comemorativas, não tenhamos toda a família reunida.


Desculpa não visita-la com frequência, mas vê-la em uma cadeira de rodas sem poder me responder, olhando para o horizonte, tira-me as lágrimas por não poder fazer nada pela senhora.

Mas mesmo assim vó te amo e me orgulho por ser fruto de uma mulher forte como a senhora. Nunca desista, seja sempre forte pois quero que meus filhos conheça a mulher que deu origem a essa família italiana grande e feliz. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

No nosso contrato dizia: Não é amor.


Aí você me ligou às 3 da madrugada com uma voz de choro (tentando me fazer acreditar que era mais raiva que tristeza), e me contou todas as suas desventuras com uma tal de Mariana. Aquilo não era amor. Tirou sua blusa e jogou em cima de mim no dia mais frio do ano, dizendo que não, não estava com frio, podia ficar, não se preocupe, isso não é amor.

Me levou no cinema e combinamos que éramos só amigos. Chegamos de mãos dadas e eu coloquei minha cabeça no seu ombro quando cansei de olhar pra tela. Segundo o contrato, aquilo não era amor. Viajei com a faculdade e senti tua falta do começo ao final dos dias, imaginando como seria muito mais legal poder compartilhar essa experiência contigo pessoalmente do que por fotos. Estava longe de ser amor.

Você esqueceu um papel no meu carro, eu quis te devolver, você disse que não precisava, eu levei mesmo assim, não porque eu só queria te ver, mas porque não gosto de ficar com nada que não é meu (exceto você). Nem por isso foi amor.

Ouvi as últimas músicas que você mandou e prestei atenção em cada frase para ver se alguma delas falava sobre mim. Não era amor. Fizemos amor no meio da rua, mas só chamo de amor pra eufemizar o sexo, porque o contrato dizia que de amor não há nada.

Você me contou que estava se apaixonando pela tal de Mariana e que só pensava nela, e que ela era perfeita, e que talvez fosse amor. Eu senti medo de te perder, de não termos mais mãos dadas, nem cafuné, nem madrugadas de companhia (sem conchinha). E esse sentimento não era amor.

Quer saber? Eu só não te amei pra te ter por perto. Engoli o choro e botei um sorriso na cara, porque nunca foi amor. Enfiei na cabeça que era melhor estar contigo e tu estar com mais trinta, do que estar com qualquer outro e nunca mais nem poder brigar contigo. O que não entrava na cabeça era a possibilidade de te desconhecer. O nosso contrato dizia que não era amor, por isso nunca foi.

sábado, 4 de julho de 2015

Se minha vida fosse um livro.



Se minha vida fosse um livro, você seria a parte em que tudo começa a ficar bom. Sabe quando de repente não se consegue mais ler só uma página? E todo final de capítulo te implora pra ler o próximo? E seus olhos começam a jorrar lágrimas porque estão lutando entre o sono ou o ápice da história? É bem aí que você está.

De umas páginas pra cá tu tem se tornado protagonista da minha trama. Ainda não está claro sua exata importância na minha biografia. Se eu pudesse virar algumas páginas eu teria a resposta de tudo. Só que aposto que nada teria sentido, de tantas pontas soltas. E também não quero pular todas as coisas boas (e as ruins) que nós iremos passar. O bom é ler letra por letra, linha por linha. Sentir tudo bem sentido.

Se minha vida fosse um livro e eu tivesse leitores, você estaria encantando todos eles. Neste momento mesmo, alguns deveriam estar implorando pra aparecer alguém como você em suas vidas. Pra eles você é o cara que só existe nos livros e isso me enche o peito, porque eu te conheço em carne viva. Mas não sou hipócrita, talvez você também seja protagonista de algumas outras histórias. Você não é o tipo de personagem que passa despercebido quando esbarra em outras narrativas.

Tenho um pouco de medo, confesso. Você pode achar com facilidade outros romances muito mais interessantes do que a nossa improvável história de... O que quer que seja. Somos duas pessoas difíceis, e eu, particularmente, sou terrível. O escritor não ligou quando me criou com milhões de defeitos, e deve ter pensado que seria fácil digitar um final feliz pra mim. Eu sei. Nem todos os finais são felizes. Torço mais pelo seu final feliz do que pelo meu próprio. Porque eu já aguentei vários outros finais catastróficos, mas não aguentaria te ver nessa posição.

Sim, o seu final porque existe sempre dois lados da moeda. E se sua vida também fosse um livro, bem, eu estaria por lá. Tentando protagonizar. Ser tão importante na sua história como você é na minha. E mesmo seu roteiro tendo muito mais conteúdo, gostaria que ambas se cruzassem por um longo tempo. Queria continuar por aí até um dia conseguir te recompensar pelas melhores páginas da minha vida, que, coincidência ou não, só começaram a acontecer depois da primeira vez que seu nome apareceu num capítulo totalmente destruído.

domingo, 28 de junho de 2015

A única delas é você.

Foto: Lukasz

Já conheci milhões de mulheres, e apaixonei-me por um bocado delas. Cada uma desfrutava de uma peculiaridade. A maioria ofereceu-me pelo menos uma boa noite de sexo. No entanto nenhuma delas era como você. Nem a mais exótica, nem a mais conservada. Juro, não era porque elas foram fáceis de conquistar, nem porque elas abriram as pernas no primeiro encontro e você não. Porque você também fez isso. Só que por algum motivo era você que sempre esteve lá quando meu desejo era pular da sacada do meu prédio. Não foi nenhuma delas que chegou no meu coração e vasculhou todas as minhas dores. Tu que me colocou nos eixos. Até quando eu corria atrás de um desses ordinários pedaços de corpo você me dizia que "não se brinca com os sentimentos de ninguém". Mas nunca ligou se eu brincasse com os seus.

E eu nunca brinquei.

Eu odiava a sensação de necessitar do seu abraço. Costumava carecer de algo que aparentemente seria muito mais complicado conseguir. E, droga, tudo o que eu queria era ouvir a sua respiração acelerada logo depois de uma corrida no parque. Tocar sua mão fingindo que sei fazer a melhor massagem de mãos do universo. Enxugar suas lágrimas na minha camiseta só pra poder sentir mais de perto o seu cheiro. Eu queria decorar todos os seus detalhes... Sua falha na sobrancelha, suas infinitas pintinhas escondidas no seu próprio rosto, os espasmos da sua mão quando você dormia, e tantas outras bobagens que eu só procurava em você.

Nenhuma outra mulher mereceu as horas que eu passei falando de ti para os meus amigos que não estavam nem um pouco interessados. Foi você quem me fez ficar acordado nas infinitas madrugadas imaginando como a soma eu + você no meu colchão surrado resultaria numa noite bem mais aconchegante do que com elas. Porque contigo eu digo "fica mais um pouco" e pra elas eu despejo "tenho que ir". Você me chama pra um concerto e elas me convidam prum motel no meio da estrada. Elas me pedem um oral, e você, um abraço. Elas somem por um mês inteiro e você aparece todas as manhãs. Elas reclamam de como fulana estava mais bonita que ciclana e você me conta de todos os seus sonhos impossíveis. Meu desejo é sempre mandar elas calarem a boca, e fazer os seus sonhos impossíveis tornarem-se nossos sonhos totalmente possíveis.

Você é a única que me entende quando digo que multidões me sufocam, que músicas são como tranquilizantes, e que liberdade é necessidade. As outras me arrastam para baladas lotadas de sons e pessoas que estão lá só por mais uma noite abarrotada de vazio. Você é a única que me odiará por todos os erros que eu cometer, e se odiará por não conseguir fazer de mim um cara melhor, e mesmo assim sempre voltará, porque sua preocupação extrapola qualquer outro sentimento - as outras sempre desistiram nos meus primeiros tropeços. Você é a única por quem eu trocaria uma noite de sexo por um dia de conversa. Que deixa os problemas de lado pra se aventurar comigo pelo mundo. Que me aceita quando o resto do mundo me vira as costas.

"As outras são só as outras."

Você é a única que sempre estará comigo e que nunca será minha.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Estar é amar.


"Eu sou gay", você sussurrou como se aquilo fosse o maior pecado que tivera cometido na vida. E o que eu ouvi foi "obrigado por ser a única pessoa com quem eu posso compartilhar o que venho guardando por tanto tempo".

Eu fora a primeira a saber, e eu chorei por isso. Não é sempre que sou a primeira escolha. Quase esqueci do seu sofrimento de tanta felicidade em saber que era em mim que você confiava. Mas aquelas palavras que saíram da sua boca despedaçaram-me. Estavam cheias de medo de serem rechaçadas, tinham tanto medo do mundo que quase não saíram. Foram expelidas com lágrimas que fizeram o meu coração apertar.

Não vou mentir, tive medo por você.

Medo do que as pessoas que não entendem a normalidade disso poderiam fazer. Tive vergonha de todas as vezes que fizeram piada de homossexuais na sua frente. Bem como doeu saber que você guardou isso durante a vida toda.

Meu primeiro sentimento foi de querer te proteger, mesmo você sendo muito maior que eu, você pareceu pequeno naquela hora.

Indefeso.

Eu cheguei até a entender a madrasta da Rapunzel quando ela trancou-a numa torre, porque foi esse o plano desenvolvido na minha mente: construir uma barreira protetora pra nada te machucar.

Que mundo é esse em que vivemos sem poder amar quem realmente desejamos?

Eu não sei. Ainda assim quero te lembrar que você é livre pra amar quem quiser! Se precisar, estarei sempre por aqui (até quando você achar que não estou mais). Porque afinal, estar é amar.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Te preencha.


Queria um dia conseguir te saciar. Preencher todos os buracos negros que te consomem por dentro. Você consegue imaginar? Ser preenchido invés de consumido? Ver você transbordando seria, de longe, uma das maiores felicidades da minha vida. Entristece saber que eu não sou a pessoa que te satisfaz, que acaba com teus medos, que te revira do avesso e que te desafoga desse oceano de lágrimas encarceradas no seu peito. E mesmo assim quero um dia poder ouvir da sua boca que "não há mais nesse corpo aquele monstro que um dia só crescia".

Eu espero, honestamente, que algo te preencha. Algo porque talvez não seja uma pessoa. Quem sabe uma conquista, um lugar, ou até mesmo um sentimento? Torço desesperadamente para poder ver o seu sorriso quando isso acontecer. Torço para ver isso mesmo que de longe, mesmo que eu não esteja mais tão presente na sua vida. Mesmo que você tenha se mudado pro outro lado do mundo e fale qualquer outra língua desconhecida. Eu preciso ver o seu sorriso de satisfação.

Por ora, gostaria que soubesse que, se quiser, posso ser a tua escora. Você pode abrir seu coração e me deixar entrar, e eu nem preciso ir até as partes mais profundas se isso não for conveniente, posso ficar nas beiradas até que você se sinta confortável. Sei que não sou sua família, mas queria muito poder estar ali nos seus piores dias, quando nada no mundo inteiro te fizer bem. Eu só queria estar ali. Já fico feliz quando conheço seus sentimentos, mesmo que eu não entenda como realmente é. Por ora, quero tentar ser um pedaço daquilo te preencherá um dia.

terça-feira, 9 de junho de 2015

The beginning.


Dizem que escrever é como lavar a alma, esvaziar os sentimentos. Eu duvido. Há tanta fúria, tanto medo, tantos tantos dentro deste que escreve, que talvez escrever seja apenas mais uma das morfinas que se encontra por aí. Nem sempre foi assim, houve paz uma vez nessa mente perturbada, quando a maior preocupação que se tinha, era achar pedaços de madeira para fazer bastões de bets, e roubar tijolos das construções para fazer as casinhas. Foi nesse tempo, que a nébula começou, uma série de escolhas erradas, o tal do efeito cascata, me tragou pra dentro do lugar que eu tento sair, todos os dias. Pequenos detalhes, que não receberam a devida atenção, transformaram-se em monstros, que se alimentam dentro da minha cabeça, como vermes dentro de um cadáver em putrefação. Chamam isso de ideias,  eu chamo de parasitas. Uma vez que uma ideia entra na sua cabeça, não há como tira-la de lá, não há como arrancar um pensamento como se arranca um tumor, não há como “desver” aquilo que foi visto, ou suprimir aquilo que se sente.

Texto de Rafael Szpaki.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Não chora sozinha.

Foto: Eylul Aslan

Ei, pequena, já faz uns bons dias que não te vejo mais sorrir como antes. Sua feição de tristeza é realmente encantadora pra falar a verdade, mas honestamente, eu prefiro muito mais quando você transborda alegria. Sei que não sou o melhor amigo do mundo, nem faço piadas tão legais quanto as suas (que nem são piadas, mas me fazem rir), só que eu sei ouvir. Ouviria o dia inteiro suas lamentações sobre a vida. Se você não quisesse, eu não daria um pitaco sequer. Até porque não tenho lá muitos bons conselhos pra dar - você que é a parte vivída da nossa amizade.

Me dei conta uns dias atrás que tu é um  mistério muito grande. Tem horas que eu te olho e tenho vontade te rasgar inteira, camada por camada, pra descobrir tudo o que você sente. Como se seus sentimentos fossem vazar do seu corpo e pairar pelo ar. Seria um jeito "fácil" de te conhecer melhor. 

Talvez você tenha algum tipo de senha que se eu acertar conseguirei acessar seus dados mais profundos - tudo isso soa um pouco macabro, meio perseguidor, mas só queria que seu sofrimento acabasse, sabe? Não tem como viver sofrendo sozinha, pequena. Entenda que seus amigos estão aí pra isso. Juro que se você vier, eu te ouvirei. E colherei todas as suas lágrimas no meu moletom preferido. E te darei o colo que quem quer que tenha te machucado não te deu. Você só precisa vir. Se não quiser, nem precisa desabafar... só ficar. Tudo o que eu quero é ver o seu sorriso despreocupado novamente.

Pequena, divide seu sofrimento comigo e te asseguro que vai doer bem menos.

terça-feira, 26 de maio de 2015

O que você escuta?






Você acorda com seu despertador te dizendo que o dia começou. Ouve o barulho da água caindo sobre a torneira enquanto escova os dentes. 

Escuta seu café sendo derramado em sua xícara, o óleo fritando seus bacons e seu ovo. Então, escuta o barulho de você degustando toda a comida, esfriando o café e tomando-o. Escuta o barulhinho que a chave faz quando é pega. O barulho do carro dando a partida e do portão se abrindo para você ir a mais um dia de trabalho. Escuta o bom dia desanimado das pessoas por ser uma segunda-feira. Escuta o zum-zum de todos conversando, o tec-tec dos teclados sendo usados e o clic do mouse a manhã toda. 

Até que o sinal toca e te conta que está na hora do almoço. Escuta o zum-zum das pessoas novamente e o tec-tec do seu sapato sobre o piso. E lá vai você de novo ligar o carro e voltar para casa escutar todos os barulhos que ouvir pela manhã, até o despertador te contar que está na hora de voltar ao trabalho. Volta e escuta o zum-zum, tec-tec e clic até que o sinal te conte que o dia de trabalho acabou. Liga o carro, vai para casa, escuta o portão se abrindo e as chaves ao abrir a porta. Decide tomar um banho e então escuta a água cair pelo seu corpo. Escuta sua janta sendo feita por você e o barulho que ela faz quando você a mastiga. Liga a tv e escuta o que ela conta sobre o mundo. Então desiste de escutar e pega seu livro para ler um pouco. Mas você está enganada, o livro também faz barulho, aquele que você escuta toda vez que vira de página.

Cansada de tanta trilha sonora, decide deitar. Deitar para que pelo menos uma vez no dia você possa escutar algo que realmente valha a pena, o coração. Aquele que diz no silêncio tanta coisa que que te faz perder horas de sono. Mas esse barulho não te estressa e nem incomoda, esse barulho que te faz fechar os olhos e sonhar até que o despertador te acorde novamente dizendo que a terça-feira começou. 
  

terça-feira, 19 de maio de 2015

Você é meu cigarro.


Te descobri num dia comum em um lugar onde eu não costumava frequentar. Junto contigo tinham outros milhares expostos, alguns mais atraentes e alguns nem tanto. Te escolhi por algum critério que não me recordo agora. Talvez pelo design diferente... não sei. Não foi nenhum amigo meu que te apresentou, apesar de alguns deles te conhecerem bem, a iniciativa foi minha em querer experimentar. 

Na embalagem vinha escrito logo de cara que você era prejudicial. E eu já sabia disso antes mesmo de te conhecer. É o que a mídia nos faz acreditar - são todos iguais. Mas são erroneamente iguais: é evidente que cada um tem suas particularidades, senão não haveria preferência.

Era óbvio que eu não era a primeira usuária nem seria a última. Tive curiosidade de ir atrás de cada um que te fumou para saber qual era a sensação, o que tu lhes trouxe de bom e que partes da vida deles tu arruinou. Só que eu não fazia ideia de como obter esse tipo de informação. A princípio tudo o que eu fazia era observar. Li o rótulo tantas vezes que cheguei a decorar cada informação que a embalagem me pudesse oferecer. Eu já não tinha certeza do que eu queria.

O que custava tentar? Nem o vício, nem o estrago viriam tão rápidos assim. Talvez eu nem sentisse a diferença. Por isso experimentei. A primeira tragada foi um pouco asfixiante, a sensação era de que aquilo não deveria estar no meu corpo. Entretanto eu estava tão animada com a ideia de poder te conhecer melhor que me vi lutando para fumar o cigarro inteiro.

Logo, a sensação de te tragar passou a ser tranquilizadora. Acabei por decidir que valia a pena estar contigo independente dos estragos que você faria num futuro próximo ou não. Porque eu me sentia satisfeita. Saciada. Relaxada. Eu podia te fumar o dia inteiro. Talvez isso me matasse mais rápido, "mas e daí?" era só o que eu conseguia pensar.

Mas, agora, quando eu realmente paro pra analisar quão mal você pode me fazer, te escondo porque é mais fácil quando não te tenho em mãos. O problema é que não tem como esconder pra sempre, uma hora você aparece (especialmente  quando estou procurando coisas que não são você). Eu tento ignorar, mas é tão ruim te ver e não te tragar. É mais forte que eu. Aí acontecem as recaídas. Arrisco dizer até que estou viciada. E que droga de vício.

Quando me perguntam porque eu fumo... quando me perguntam porque eu fumo você, respondo "porque gosto". E essa é a resposta mais verdadeira de qualquer uma que eu pudesse pensar. Dizem que viciados nunca se curam em cem por cento. Por isso, mesmo que eu pare de te fumar, ainda vai existir uma parte de mim que implorará para que você apareça de repente e volte me estragar.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Antonina.


Você poderia muito bem ser daqueles tipos de amores de verão. Do tipo que eu mesma vivenciei um tempo atrás. Foi um romance de final de semana - literalmente - que me fez sentir livre. Gostaria que o que eu sinto por você fosse assim: passageiro e eterno. O que é um conflito de informações que faz todo o sentido agora.

Sobre o meu romance do final de semana... Eu sabia que nunca mais o veria, por isso podia ser eu mesma sem ter receio de que ele porventura, deixasse de me gostar um dia. Não existiu o medo de perder, existiu o fato de que ele nunca seria meu. E isso não era nada demais, porque eu também nunca seria dele. Não existiu a preocupação de quantas vadias ele pegou no final de semana que não passou comigo. Existiu ele e eu, que éramos o sol dentro de um sistema, que é todo o resto do mundo, inclusive você.

O foco todo foi no momento em que estávamos vivendo. O resto não importava. Você, lindo, não teve importância quando eu estava com ele. A lua teve importância. Ela foi o complemento do barco de um cara outrora desconhecido. O beijo do moço tinha gosto de cigarro misturado com água do mar. E eu não liguei, porque aquele seria o primeiro e último beijo que daríamos. Não vou negar, não chegou perto do seu. E isso, pensando bem, me irrita um pouco, porque tudo é muito bom com você, até quando não é tão bom assim.

Por que você não é um romance de final de semana? Uma vez me falaram de uma teoria de que se você gostar de uma pessoa por mais de 4 meses, deixa de ser apenas uma paixão - torna-se amor. E eu não quero te amar. Porque vai doer. Quero que você seja um romance de verão. O problema é que o meu coração não entende isso. Passei horas explicando, juro que tentei, mas não dá. Algo em você bloqueia a parte sensata na luta interminável entre coração e razão. E aí eu não consigo te colocar no patamar de romance de verão. Você acaba sendo meu amor não correspondido. E, argh, te odeio! Me odeio! Só porque no final é sempre sobre você, não sobre ele ou sobre qualquer outro.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

localizo-me

o km 21 da Raposo Tavares
o posto 9 da Praia de Ipanema
a estação Vila Mariana e também a Chácara Klabin
o motel na Ricardo Jafet
a travessa da Augusta
o mercado Assai na Francisco Morato
o terminal Penha
o Solarium do número 990 na Rebouças
a padaria na Pompeia

cada avenida tem uma lembrança
cada ponto de ônibus traz uma história
e passando pelas ruas da cidade eu choro um pouco por dentro toda vez que lembro daquele dia em que encontrei aquela pessoa e aquela outra e a outra também
pensando em como tudo é passageiro e como decorar caminhos é perda de tempo
as trilhas de São Paulo ainda têm rastros do que eu senti
e eu penso se um dia vou andar por um caminho só
pra encontrar sempre a mesma pessoa
e deitar sempre na mesma cama
e sempre sorrir ao passar naquele ponto de ônibus, naquela avenida, naquela estação de metrô.

domingo, 10 de maio de 2015

O churrasco.

Desenho a carvão, por mim.

O churrasco com a família não era algo tão frequente. Era apenas em datas importantes que nos encontrávamos, abraçávamos, e contávamos as típicas histórias que toda família conta. Histórias mirabolantes, lições de moral, dietas, piadas esquisitas, comida de montão e "tá namorando?" nunca faltavam por ali. 

Um tempo passou e umas luzes mais fortes começaram a musicalizar o ambiente. Era o sol que parecia estar muito mais próximo do que o natural, clareando todo o entorno, trazendo uma sensação, a princípio, de paz. Estava tudo deslumbrante até eu lembrar do filme "Procura-se um amigo para o fim do mundo" onde no final acontece essa mesma coisa, mas não tem nada de bacana nisso, porque como o próprio nome do filme diz: é o fim do mundo. Se acontecesse como no filme, tudo ficaria branco e... fim.

E então tudo ficou realmente branco. 

A pessoa mais perto de mim naquela hora era a minha mãe. A minha mãe. Diferente do filme, eu não estava com o cara da minha vida. Eu estava com a minha mãe. E abracei-a. Abracei-a e de repente tudo aquilo pareceu fazer sentido. Eu não queria estar com mais ninguém senão com ela. Porque foi ela que me protegeu e me carregou antes mesmo de eu fazer ideia da minha existência. Foi ela que passou noites acordada porque eu não deixava-a dormir. Ela que deitou comigo até eu cair no sono depois de um pesadelo que me fez pular da cama. Ela que se preocupou comigo por qualquer sintoma de resfriado que eu tive. Foi ela quem chorou durante todas as vezes que eu vim embora. E foi ela que esteve do meu lado durante todas as minhas conquistas e principalmente nas minhas derrotas. Foi sempre ela.

"Mãe, eu te amo. Você é a melhor mãe do mundo inteiro". Não foi a frase mais original, mas foi o que eu consegui pensar que resumisse... tudo. Porque essas seriam as últimas palavras que eu gostaria de dizer antes do mundo acabar.

Um minuto inteiro se passou. Talvez nós já estivéssemos mortas. 

"Ei, não é o fim do mundo. Já podem parar de se abraçar", alguém gritou. 

E não era. Era só o começo de uma vida que eu daria muito mais valor pra pessoa que mais me amou.


Mãe, esse texto saiu de um sonho que eu tive umas semanas atrás. Hoje, ele deixa de ser um segredo pelo simples fato de que eu precisava compartilhar a felicidade de te ter como mãe. Talvez com ele eu conseguisse expressar o mínimo da minha gratidão por tudo que você fez por mim. Obrigada.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Playlist #01



    Não sei exatamente quando começou minha paixão por playlists. Sei que em algum momento eu passei a toda vez que escutar uma música, imaginar em que ocasião ela pode se encaixar e qual casal fictício ela me lembra. Acabei fazendo playlist para os meus amigos de presente de aniversário, para quando eles estão se apaixonando ou  para ajudar quando eles tiveram o coração partido e eu não sei bem o que dizer. Virou um hábito constante. 

    Eu adoro o processo de ouvir várias de músicas para procurar alguma que traduza perfeitamente meus sentimentos no momento ou os que eu imagino que algum personagem sentiu. Playlists me ajudam a processar minhas emoções, desde do nervosismo da véspera do vestibular, passando por ver uma crush no cinema com outra menina, até as saudades sem explicação de um casinho antigo que nem significou muita coisa.          

      Quando eu escuto uma música  para saber se como se encaixa, eu me deixo sentir o que quer que eu queira e a partir disso posso me afogar na minha tristeza ou ter uma vontade absurda de dançar porque eu superei tudo aquilo. 

        Eu ia escrever uma resenha sobre um dos meus livros favoritos, mas estava com um bloqueio terrível e não dava certo de jeito nenhum. Então, enquanto ela fica pronta, resolvi fazer uma playlist. Espero que ela anime o dia de vocês e que traga músicas novas boas. 


       Essa aqui é composta por músicas de garotas para garotas. Para quando você se sente meio perdida e logo antes de dormir parece que você está fragmentada em mil pedaços e você não faz ideia como vai juntá-los de manhã. Para quando você acha que não é suficiente e ninguém te diz  o contrário. Essas moças vão te mostrar que você não está sozinha e que podemos nos resgatar. 




sexta-feira, 24 de abril de 2015

Não foi sobre amor.



Eu nunca te amei. Mas hoje senti sua falta. 

Lembra do dia que você fez a melhor baliza do mundo, no meio de dois carros que estavam muito mais juntos que o normal? Senti falta disso. Da sua habilidade com carros. Das fininhas que tirava ao passar perto e rápido demais de qualquer outra coisa. Senti falta do frio na barriga que isso me causava (misturado com a certeza de que eu estaria a salvo nas suas mãos). Quantas foram as vezes que andei contigo e senti-me sua mulher... Sua companheira! Você tinha um ar de grandeza quando dirigia. Parecia um homem revestindo o corpo de um menino.

Senti falta do nosso sexo. Eu adorava nosso sexo! Provavelmente um dos topos da lista de melhores na cama (não que eu tenha uma lista). Mas você se importava. Com você, mas principalmente comigo. Eu amava só deitar contigo depois. Você geralmente falava demais e por vezes eu não prestei atenção no que saía da sua boca... O que me chamava a atenção eram outros detalhes, como seu sorriso bobo quando contava uma piada que eu fingia ter achado graça, ou sua barba por fazer que te fazia cócegas quando eu o acariciava.

Sinto saudade de estar do seu lado. De me envergonhar quando você entrava na sala onde eu trabalho. De pedir pra você ficar só mais um pouquinho e conseguir fazer você ficar até a madrugada. Saudade de ser idiota e não me sentir inferior por isso, porque você sempre foi meu companheiro de idiotice. Sinto falta até de você soltando pum e dando risada, porque só soltamos pum na frente de quem realmente gostamos.

Eu nunca te amei, mas o tanto que você me fez bem foi suficiente pra eu nunca te esquecer. E, de verdade, eu nunca esquecerei. Você será sempre uma parte da minha vida de eternas boas lembranças. Tudo com você era bom demais pra ter sido amor. Talvez fosse algo perto disso. O que nós tínhamos era leve demais, livre demais, saudável demais. Você preenchia o buraco do amor com outras coisas que só você tinha. Qual era o seu segredo? Nunca descobri. Talvez... um dia se tornasse amor. Sabe aquele tipo de amor que é construído com o decorrer dos anos e que só cresce, nunca diminui? Acho que é isso. Não foi sobre amor. Mas poderia ter sido.

domingo, 19 de abril de 2015

O que você tem no seu coração?


Tem uma vitrola no meu coração. Ela é responsável pela trilha sonora da minha vida. 

"De onde vem o jeito tão sem defeito que esse rapaz consegue fingir? Olha esse sorriso tão indeciso", tocou, logo que viu o cara por quem, um dia depois, me apaixonei. O primeiro LP repetiu-se nas três ou quatro semanas que o moço cegou-me. Foram 12 canções cheias de "It's just a spark, but it's enough to keep me going" com uma pitada de "O meu desespero é que quando acaba: você fica inteiro e eu fico o pó".

Não ouvi. Me joguei nessa aventura descabida.

Criou mofo na vitrola.

Ela parou de tocar, lentamente substituída pelas canções que o cara dizia serem melhores do que as minhas. Fiquei um tempão ouvindo o que a vitrola dele tinha a dizer. E dizia juras de amor "So if you're lonely, you know I'm here waiting for you. I'm just a crosshair". Ele nunca obrigou-me a ouvir, talvez por isso aquietou-se (a minha vitrola). Não deu um pio - tinha vergonha.

Até que o rapaz me machucou, quis, inconscientemente, que a playlist inteira dele tocasse dentro de mim. E algo no meu coração não queria que coubessem outros LPs ou um single que fosse ali. O medo do que poderia acontecer era a razão da rejeição - por isso doía. "Hate to say I told you so. Alright. Come on. I do Believe I told you so" - minha vitrola voltou a tocar, receosa. E eu sabia, ouvira seus avisos por quatro semanas.

Ela cutucou meu coração, questionando "Now, I need to know is this real love or is it just madness" - quis a verdade.

Hesitei. Apenas loucura, sussurrei.

Decidi esquecer o rapaz. A vitrola voltou a tocar. Tocou músicas que faziam meu corpo inteiro vibrar. A dor foi sumindo até que restou apenas saudade. "I got out, I got out, I'm alive and I'm here to stay. Hey, hey it's fine, I left it behind"


Trechos de:
DE ONDE VEM A CALMA - Los Hermanos
LAST HOPE - Paramore
UM SÓ - Clarice Falcão 
TAKE ME OUT - Franz Ferdinand
HATE TO SAY I TOLD YOU SO - The Hives
MADNESS - Muse 
TWO FINGERS - Jake Bugg

We're back!



O blog voltou!

Não sabemos se foi algum tipo de sinal, mas depois de tanta gente começar a curtir a nossa página, não tivemos como ignorar. Queremos compartilhar todo o amor que acumulou no peito depois de quase um ano e meio. Voltamos com uma nova carinha e com muito sentimento a ser compartilhado. Espero que gostem dessa novidade. 

O blog agora deixa de sem um "job", ou seja, podemos postar diariamente ou talvez só uma vez no mês. Isso dependerá da disponibilidade da equipe. Espero que vocês entendam. Queremos que isso torne-se um lugar de muito amor e carinho. Sem pressão. Mas não se preocupem, não iremos desativá-lo tão cedo. 

Estamos adorando esse renascimento e esperamos que vocês também! Para nós é muito importante o reconhecimento de vocês. Se não fossem todas as curtidas que recebemos no último mês,  não teríamos voltado. Portanto, obrigado, de toda a equipe do blog para todos os nossos leitores!

E sejam bem-vindos!

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